Carla Zambelli na praia da Itália: onde ela está sumida desde março?

Ex-deputada brasileira desaparece na Itália após decisão judicial, gerando tensão internacional e impacto político no Brasil.
Redação NC News
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Carla Zambelli, ex-deputada bolsonarista condenada no Brasil, está desaparecida na Itália após a revogação de sua extradição pela mais alta corte do país europeu.

Desaparecimento em meio à disputa judicial

O deputado italiano Angelo Bonelli afirma nesta quinta-feira que, depois de ser vista em um culto evangélico em Roma, a ex-parlamentar some do mapa. Ele diz ter colaborado com as autoridades italianas no passado, quando informou o endereço de Zambelli e ela acabou presa pela Interpol. Agora, admite que nem ele nem os órgãos de segurança conseguem localizá-la.

“Atualmente, ninguém sabe onde ela está”, diz Bonelli, em visita ao Brasil. Para ele, Zambelli se esconde enquanto acompanha à distância o calendário político brasileiro. O cálculo, afirma, é simples: aguardar as eleições presidenciais de outubro e apostar em uma eventual anistia se o senador Flávio Bolsonaro vencer a disputa pelo Planalto.

No Brasil, Carla Zambelli é condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e perseguição armada. Em outro processo, pelo caso da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), recebe pena de 10 anos e 8 meses. As decisões motivam pedidos de extradição apresentados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao governo italiano.

O freio imposto pela Corte de Cassação de Roma

A virada ocorre em 1º de julho, quando a Corte de Cassação de Roma, equivalente ao Supremo italiano, derruba a extradição atrelada ao processo da invasão hacker. No acórdão, os magistrados registram: “A Corte de Cassação de Roma entendeu que não houve perseguição política contra Carla Zambelli”. O tribunal, no entanto, vê problema na condução do caso no Brasil.

Segundo nota divulgada na imprensa italiana e brasileira, “a Suprema Corte italiana decidiu anular a extradição relacionada à invasão hacker do CNJ por parcialidade do ministro Alexandre de Moraes”, que conduz o processo no STF e também figura como vítima do ataque cibernético. A corte considera que esse duplo papel compromete a aparência de imparcialidade exigida em casos penais, sobretudo quando envolvem figuras políticas de alto perfil.

Com isso, os juízes italianos determinam o reinício do processo de extradição em instância inferior. Na prática, a tramitação volta algumas casas e reabre espaço para novos recursos, tanto da defesa de Zambelli quanto das autoridades brasileiras. A decisão atinge o pedido ligado à condenação de 10 anos e 8 meses e, segundo a defesa da ex-deputada, também alcança o caso de 5 anos e 3 meses por arma e perseguição armada.

A mesma corte reafirma, porém, que não enxerga perseguição política na condenação da ex-parlamentar no Brasil. O recado mira um argumento central da defesa, que tenta enquadrar o processo como instrumento de repressão a opositores do ministro Alexandre de Moraes e do Judiciário brasileiro. Para Roma, o problema não é o conteúdo da condenação, mas quem julga.

Foragida, pressão diplomática e cálculo eleitoral

Com a extradição suspensa e o processo reiniciado, Zambelli deixa a prisão na Itália e desaparece. A última aparição pública conhecida ocorre em um culto organizado por brasileiros em Roma, quando ela fala no púlpito, chora, agradece apoiadores e reza pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pelos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Depois desse encontro, relatado por fiéis e amplamente compartilhado em redes sociais, não há novos registros de deslocamento, entrada em templos religiosos ou reuniões políticas. Bonelli, que se notabiliza pela atuação ambientalista e pela cobrança pública às autoridades italianas, passa a falar em fuga da Justiça.

“Quando uma pessoa foge da Justiça, não é uma postura boa, especialmente quando essa pessoa tem uma responsabilidade pública”, afirma o deputado. Ele defende que o governo italiano mantenha a cooperação com o Brasil e pressione para que o impasse não se transforme em abrigo tácito a condenados por crimes comuns.

No plano diplomático, o caso abre uma fissura sensível. De um lado, o STF continua a tratar Zambelli como condenada em definitivo, em situação equiparada à de foragida. De outro, a Corte de Cassação de Roma questiona a imparcialidade de um ministro central da Justiça brasileira, mesmo sem chancelar a narrativa de perseguição política. Entre os dois polos, o Itamaraty tenta preservar a cooperação penal com a Itália, enquanto negocia novos encaminhamentos para os pedidos de extradição.

A disputa também se infiltra no ambiente eleitoral. Zambelli, hoje fora do país, se torna símbolo de uma ala bolsonarista que promete anistia ampla a aliados condenados por decisões do Supremo. A hipótese de um “perdão político” caso Flávio Bolsonaro chegue ao Planalto vira combustível para discursos de campanha, tanto entre seus apoiadores quanto entre adversários, que apontam risco de desmonte de investigações e punições.

O que está em jogo para Justiça e política

Enquanto a ex-deputada permanece em lugar incerto, a execução de suas penas no Brasil está paralisada. A Justiça brasileira não consegue cumprir decisões que exigem sua presença em território nacional, e a cooperação internacional perde eficácia. A ausência física vira uma forma de escudo, amparada por uma brecha surgida na arena jurídica italiana.

Para o STF, o episódio é duplamente incômodo. A corte vê sua autoridade contestada por um tribunal estrangeiro e, ao mesmo tempo, lida com o desgaste interno alimentado pela acusação de parcialidade. A figura de Alexandre de Moraes, protagonista nos processos ligados ao bolsonarismo, volta ao centro de um debate sobre limites entre rigor judicial e politização dos julgamentos.

Na Itália, o caso Zambelli passa a integrar uma lista de processos sensíveis envolvendo extradição de figuras acusadas de crimes políticos ou conexos. As decisões de Roma são observadas por outros países europeus e podem funcionar como precedente em futuros pedidos vindos do Brasil, especialmente quando a discussão envolver imparcialidade de juízes ou contaminação política de processos penais.

Até aqui, nenhum órgão oficial italiano confirma diligências específicas para localizar a ex-deputada. A Interpol, que já atuou em sua prisão anterior, volta a ser citada, mas sem confirmação de novas operações. A tendência, segundo juristas ouvidos em bastidores, é de uma longa batalha processual, em que cada passo das cortes italianas poderá ser usado como munição política em Brasília.

O próximo grande marco é outubro, quando os brasileiros vão às urnas escolher o novo presidente. Se a aposta de Zambelli em uma anistia ligada à vitória de Flávio Bolsonaro se concretiza, o processo pode ganhar um atalho político. Se não, a ex-deputada permanece diante de duas opções duras: seguir oculta na Europa, sob risco permanente de nova prisão, ou negociar seu retorno a um país onde a Justiça a espera com duas condenações somadas de 16 anos e 11 meses de prisão.

O que aconteceu com Carla Zambelli na Itália?

Ela foi presa pela Interpol após chegar ao país, teve a extradição inicialmente autorizada e, depois que a Corte de Cassação de Roma revoga essa decisão, é solta e desaparece. Desde então, seu paradeiro é desconhecido.

Por que a Justiça italiana anulou a extradição de Carla Zambelli?

A Corte de Cassação de Roma cancela a extradição ligada ao caso da invasão hacker ao CNJ por entender que o ministro Alexandre de Moraes, vítima no processo, não atua com a imparcialidade exigida para conduzir o julgamento.

Qual é a situação atual de Carla Zambelli após a decisão da Justiça italiana?

Ela está em liberdade na Itália, com o processo de extradição reiniciado em instância inferior, mas encontra-se desaparecida. As autoridades não informam seu paradeiro, e pedidos do Brasil seguem sem solução definitiva.

Por que o deputado italiano diz que Carla Zambelli sumiu?

Angelo Bonelli afirma que, depois de informar o endereço de Zambelli e vê-la presa, hoje não há qualquer informação oficial sobre onde ela está. Segundo ele, “atualmente, ninguém sabe onde ela está”.

A Justiça italiana considerou que houve perseguição política contra Carla Zambelli?

Não. A Corte de Cassação de Roma afirma expressamente que “não houve perseguição política” contra a ex-deputada. O questionamento se restringe à imparcialidade do ministro que conduz o caso da invasão hacker no Brasil.

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