O núcleo feminino do Partido Liberal (PL) encontrou uma forma inusitada de demonstrar apoio à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após sua renúncia à presidência do PL Mulher. Nesta quarta-feira (1º), o perfil oficial do grupo publicou uma foto em que integrantes aparecem ao lado de um “totem” de papelão em tamanho real de Michelle.
Na imagem, as correligionárias posam fazendo o sinal de “eu te amo” em Libras, acompanhada da legenda: “A alegria de ter uma líder de verdade”. A publicação ocorreu logo após Michelle divulgar uma nota oficializando sua saída do cargo, sob a justificativa de que passaria a se dedicar integralmente aos cuidados com a filha e com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar do afastamento, a imagem dela segue sendo utilizada em materiais publicitários do partido.
O racha com Flávio Bolsonaro e o futuro político
A saída de Michelle ocorre em um momento de grave crise interna e divisão familiar. Na semana passada, ela publicou vídeos relatando ter sido “humilhada” por seu enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O estopim do atrito foram as divergências sobre as articulações políticas do PL no estado do Ceará para as eleições.
O desgaste chegou ao ápice após o silêncio de Flávio diante de ataques machistas proferidos online por seus apoiadores contra Michelle e outras aliadas, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Como forma de protesto, Damares, Michelle e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) esvaziaram um encontro recente da pré-campanha do senador voltado para mulheres.
Presidente do PL vê situação como grave
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou a gravidade da situação. Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quinta-feira (2), após uma reunião de duas horas com a ex-primeira-dama, Valdemar admitiu que Michelle pode abandonar a campanha de Flávio e até mesmo desistir de sua candidatura nas eleições.
“Ela me disse que queria sair da presidência do partido. Não tenho o que fazer. E disse que talvez não fosse candidata a senadora”, relatou Valdemar, que elogiou o carisma de Michelle, afirmando não saber “se outra mulher teria condições de fazer” o que ela fez no PL Mulher.
Apesar do tom de incerteza de Valdemar, aliadas próximas tentam contornar a crise. A governadora do DF, Celina Leão (PP), e a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) apostam na manutenção da candidatura de Michelle ao Senado, argumentando que ela já se consolidou como um forte quadro político da direita, independentemente da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.