Proeis se expande e muda rotina da segurança no RJ

Ampliação do Proeis reforça prevenção e acolhimento em áreas estratégicas do Rio de Janeiro.
Redação NC News
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Em março de 2024, o Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) ganha novo peso em três cidades fluminenses. Angra dos Reis, Belford Roxo e Rio das Ostras ampliam bases, patrulhamento e ações sociais em bairros, escolas, unidades de saúde e áreas usadas por pessoas em situação de rua.

O avanço muda a rotina de quem estuda, trabalha ou vive nas regiões atendidas. A promessa das prefeituras é combinar presença policial ostensiva com acolhimento social, numa estratégia que mira tanto a redução da criminalidade quanto a sensação de segurança.

Escolas e postos de saúde no foco em Angra

Em Angra dos Reis, a Prefeitura reforça a escala do Proeis em escolas e unidades de saúde. Policiais militares, em serviço voluntário pelo programa, dividem espaço com guardas municipais e equipes da Secretaria de Segurança Pública.

Nos colégios, a presença fardada já entra no cotidiano das crianças, que passam a reconhecer os agentes pelo nome. A gestão municipal trata o movimento como aposta em prevenção e aproximação.

“O Proeis é uma ferramenta fundamental para garantir mais segurança nos equipamentos públicos e aproximar as forças de segurança da população. Quando levamos essa presença para dentro das escolas e unidades de saúde, estamos cuidando das pessoas e investindo na prevenção”, afirma o secretário de Segurança Pública, Douglas Barbosa.

O superintendente de Segurança, Leonardo Barra, diz que o efeito vai além da patrulha. “A presença dos nossos agentes nesses locais vai além da segurança ostensiva. É uma forma de construir vínculos, principalmente com os jovens, que passam a enxergar nos profissionais uma referência de disciplina, respeito e compromisso com a sociedade.”

A experiência em Angra dialoga com um movimento mais amplo no estado: usar o Proeis para reforçar equipamentos públicos e, ao mesmo tempo, construir canais de confiança entre moradores e policiais.

Belford Roxo aposta em bases e tecnologia

Em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, a estratégia é visível em concreto, fardas e câmeras. No dia 25 de março de 2024, o prefeito Márcio Canella inaugura duas novas estruturas: uma base da Polícia Militar no Morro do Flamengo, no Gogó da Ema, e uma base operacional do Proeis em São Vicente.

No alto do morro, 23 policiais e duas viaturas passam a atuar a partir de uma instalação que o prefeito descreve como “visão privilegiada de todo o terreno”. A ideia é vigiar Gogó da Ema e bairros vizinhos, alvo histórico de disputas e de queixas de moradores.

“Eu prometi na minha campanha para prefeito que iria trabalhar ao lado das forças de Segurança do Governo do Estado para combater a criminalidade e os marginais que perturbam a população de Belford Roxo”, afirma Canella, ao lado do comando do 39º BPM.

Na parte baixa, em São Vicente, a nova base do Proeis entra em operação com 8 policiais militares, 8 guardas municipais e duas viaturas. A estrutura fica na altura da Avenida Joaquim da Costa Lima com a Boulevard Paulo Cesar, eixo comercial do bairro.

“Tenho certeza que essa Base do Proeis de São Vicente traz a Polícia de proximidade. Reforçando a segurança, ajudamos o comércio local, que pode funcionar até mais tarde, contratar mais pessoas e gerar mais empregos”, diz o prefeito.

O comerciante João Ferreira, dono de uma sorveteria, sente o impacto imediato. “Parabéns ao prefeito Canella pelo excelente trabalho em todo o município, principalmente na área da Segurança. Está muito seguro pra nós comerciantes aqui do São Vicente, com essa base do Proeis. A cidade vive novos tempos”, afirma.

Durante a gestão de Canella, o município inaugura quatro bases do Proeis: Heliópolis, Parque São José, Nova Piam e agora São Vicente. O reforço de efetivo vem acompanhado de tecnologia. Um novo Centro de Controle Operacional, instalado na Secretaria Municipal de Segurança Pública, monitora a cidade por meio de 300 câmeras, 24 horas por dia.

Programas como a Ronda da Madrugada, o Barricada Zero e o canal “Linha Direta com Canella” — telefone 21 99022-4444 — completam o pacote. A combinação de bases fixas, patrulhas móveis e vigilância eletrônica busca fechar brechas para crimes e aumentar o tempo de resposta da polícia.

Acolhimento e ordenamento em Rio das Ostras

Na Região dos Lagos, Rio das Ostras expande o uso do Proeis em outra frente: o atendimento a pessoas em situação de rua. Em 27 de março de 2024, equipes da Secretaria de Assistência Social, do Programa Segurança Presente, do Proeis e da Secretaria de Meio Ambiente percorrem áreas como Jardim Campomar, o viaduto do Serramar e a Concha Acústica, na Boca da Barra.

Agentes abordam moradores de rua, oferecem acolhimento e encaminhamento para a Casa Sorriso, abrigo municipal no bairro Nova Aliança. O equipamento funciona 24 horas por dia desde 31 de dezembro de 2023, com camas, alimentação, banho, higienização de roupas, atividades socioeducativas e atendimento de psicólogos e assistentes sociais.

O objetivo é garantir abrigo, tratamento digno e, na sequência, encaminhamento para capacitação e oportunidades de emprego, numa tentativa de reinserção social. Ao mesmo tempo, as operações também recolhem materiais considerados de risco.

“Continuaremos realizando ações de ordenamento social em nossa cidade. Rio das Ostras tem leis e ordenamento, garantindo segurança para que o munícipe possa caminhar tranquilamente pelas ruas”, diz o secretário de Assistência Social, Carlos Correia.

Ele relata o que encontra nas abordagens. “Durante as operações, já encontramos objetos como cachimbos para uso de drogas e armas brancas, incluindo facas de diferentes tamanhos. Isso coloca em risco a segurança da população.”

Moradores como Sérgio Machado veem as ações como sinal de presença do poder público. Para ele, o ordenamento nas ruas aumenta a sensação de segurança e a confiança na gestão municipal.

Mais presença, mais controle e novos desafios

A expansão do Proeis nos três municípios marca um momento em que a integração entre polícia, guardas municipais, programas estaduais e assistência social entra no centro da política de segurança.

Na prática, estudantes, pacientes e comerciantes percebem mais fardas e viaturas em circulação, enquanto pessoas em situação de rua passam a ser abordadas com maior frequência por equipes conjuntas. O reforço ostensivo tende a inibir delitos e facilitar prisões em flagrante. Também permite que escolas e unidades de saúde funcionem com menos interrupções causadas por conflitos no entorno.

Comércio e serviços locais, como em São Vicente, podem estender horário de funcionamento e contratar mais funcionários, aproveitando o movimento em horários antes considerados arriscados. Em Angra, a presença em colégios ajuda a construir vínculos com adolescentes que crescem sob influência de disputas territoriais. Em Rio das Ostras, o foco recai na travessia complexa entre acolher e impor regras de convivência.

A mesma política, porém, traz dilemas. A intensificação de abordagens, sobretudo sobre moradores de rua, exige capacitação constante das equipes para evitar abusos e estigmatização. O uso de tecnologias de monitoramento, como as 300 câmeras em Belford Roxo, alimenta debates sobre privacidade e o risco de vigilância excessiva em áreas pobres.

Prefeituras e Estado apostam que a combinação de Proeis, bases fixas, programas como Segurança Presente, rondas noturnas e equipamentos de acolhimento, como a Casa Sorriso, pode reduzir índices de violência e ampliar a cidadania. O sucesso, porém, depende de transparência nos dados, avaliação permanente de resultados e diálogo aberto com a população.

Nos próximos meses, a tendência é de novas bases operacionais e ajustes finos na integração entre segurança e assistência social. O modelo que hoje se consolida em Angra dos Reis, Belford Roxo e Rio das Ostras pode virar referência para outras cidades fluminenses — ou expor, com números concretos, os limites de uma política que tenta equilibrar repressão ao crime, respeito a direitos e reconstrução de laços comunitários.

O que é o Proeis PMERJ?

É o Programa Estadual de Integração na Segurança, que permite a policiais militares trabalharem voluntariamente, em folga, remunerados por prefeituras e órgãos públicos para reforçar o policiamento.

O que significa proeis?

É a sigla de Programa Estadual de Integração na Segurança, iniciativa do governo do Rio de Janeiro que integra policiais militares a ações de patrulhamento em parceria com municípios.

O que significa RAS na Polícia Militar?

RAS é a Remuneração Adicional de Serviço, pagamento extra ao policial militar por atuar em horas de trabalho além da escala regular, em programas como o próprio Proeis.

O que é proes?

Proes costuma ser erro de grafia ou digitação de Proeis. No contexto da segurança pública do Rio, a sigla correta é Proeis, com “i”, referente ao Programa Estadual de Integração na Segurança.

 

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