Os bioestimuladores de colágeno se tornaram cada vez mais populares nos consultórios e nas redes sociais, impulsionados pela promessa de melhorar a firmeza e a qualidade da pele. Mas, apesar da popularidade, o procedimento exige cuidados e pode provocar complicações quando realizado com técnica inadequada ou produtos irregulares.
O tema foi abordado nesta segunda-feira (7) no quadro Fala Doutor, do NC News Acontece. A biomédica, doutora e mestre pela USP Carmen Vinagre explicou como os bioestimuladores funcionam, quem pode realizar o procedimento, quais são as diferenças em relação aos preenchimentos e o que o paciente precisa observar antes de receber qualquer substância injetável.
Entenda como funcionam os bioestimuladores
Segundo Carmen Vinagre, os bioestimuladores são substâncias capazes de estimular a produção de colágeno pelas próprias células da pele, conhecidas como fibroblastos.
A especialista explicou que o mecanismo provoca uma resposta inflamatória controlada no organismo, estimulando as células responsáveis pela produção de colágeno. Com o passar do tempo, o resultado esperado é o aumento da firmeza e da sustentação da pele.
Diferentemente de procedimentos que apresentam resultado imediato, os bioestimuladores têm efeito progressivo. A produção de colágeno acontece gradualmente após a aplicação.
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Quem pode fazer o procedimento?
De acordo com Carmen Vinagre, a indicação precisa considerar as condições individuais de cada paciente. As contraindicações, segundo ela, estão mais relacionadas ao estado de saúde do que ao tipo de pele.
Pessoas grávidas ou com determinadas doenças e condições clínicas, como histórico de trombose, precisam passar por avaliação antes de realizar procedimentos minimamente invasivos.
Em relação à idade, a especialista afirmou que não existe uma idade mínima única para todos os casos. No entanto, o procedimento costuma ser procurado a partir dos 30 anos, período em que a produção natural de colágeno começa a diminuir.
Bioestimulador e preenchimento têm funções diferentes
Uma das principais dúvidas sobre procedimentos estéticos envolve a diferença entre os bioestimuladores de colágeno e os preenchimentos.
Segundo Carmen Vinagre, os preenchimentos mais utilizados atualmente são feitos com ácido hialurônico e têm como principal objetivo preencher espaços, criar volume e projetar determinadas regiões do rosto.
Já os bioestimuladores não têm como objetivo principal aumentar o volume de uma área específica. A proposta é estimular a produção de colágeno e, consequentemente, contribuir para uma pele mais firme e com maior sustentação.
Outra diferença está no tempo de resposta. Enquanto o preenchimento pode apresentar resultado imediato, os efeitos dos bioestimuladores tendem a surgir progressivamente, ao longo dos meses seguintes à aplicação.
Aplicação inadequada pode provocar complicações
Durante o Fala Doutor, Carmen Vinagre chamou atenção para os riscos envolvidos quando a técnica, a diluição ou o produto utilizado não são adequados.
Entre as reações consideradas mais leves estão hematomas, inchaço e edema. Em situações mais graves, porém, podem ocorrer formação de nódulos, obstrução vascular e até necrose.
Segundo a especialista, os riscos estão diretamente relacionados à qualificação do profissional, à técnica utilizada durante a aplicação, à diluição do produto e aos cuidados de assepsia.
O alerta é especialmente importante em um momento de expansão do mercado de procedimentos estéticos, em que tratamentos antes restritos a clínicas especializadas passaram a ganhar grande exposição nas redes sociais. Carmen reforçou que popularidade não deve substituir avaliação individual e segurança.
Paciente deve saber o que será aplicado
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de o paciente buscar informações sobre o produto antes de realizar qualquer procedimento.
Carmen Vinagre orientou que o consumidor observe a embalagem, verifique a data de validade e procure saber qual substância será utilizada. Também é necessário confirmar se o produto possui a regularização sanitária exigida.
“Observem o que estão injetando em você”, alertou a especialista ao falar sobre a importância de conhecer o material utilizado durante o procedimento.
A preocupação com produtos irregulares não se limita aos procedimentos estéticos. Recentemente, a Anvisa determinou o recolhimento de cosméticos comercializados sem a devida regularização sanitária, reforçando a importância da fiscalização sobre produtos utilizados diretamente no corpo.
Produtos falsificados aumentam preocupação
A existência de produtos falsificados também foi abordada no programa. Segundo Carmen Vinagre, nem sempre é simples para o paciente identificar sozinho se uma substância é original ou irregular.
Por isso, a escolha do profissional se torna um dos principais pontos de segurança. A especialista explicou que produtos utilizados em procedimentos devem ser adquiridos por canais confiáveis, como fabricantes ou distribuidores reconhecidos.
O paciente também deve desconfiar de promessas excessivas, preços muito abaixo do mercado e procedimentos realizados sem explicações claras sobre a substância que será aplicada.
O tema ganha relevância diante de operações e fiscalizações recentes envolvendo produtos falsificados no mercado de beleza e estética. O NC News noticiou, por exemplo, uma operação que desmontou uma fábrica clandestina de cosméticos falsificados em São Paulo.
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Entenda o contexto
A popularização dos procedimentos estéticos mudou o comportamento de consumidores e ampliou o acesso a tratamentos que prometem alterações na aparência sem a necessidade de cirurgia. Ao mesmo tempo, o crescimento do setor trouxe discussões sobre qualificação profissional, fiscalização e segurança dos produtos utilizados.
No caso dos bioestimuladores de colágeno, o interesse cresce principalmente pela proposta de estimular mecanismos naturais da própria pele. O resultado, porém, depende de uma avaliação adequada e da escolha correta do procedimento para cada paciente.
Durante o Fala Doutor, Carmen Vinagre reforçou que nenhum procedimento injetável deve ser tratado apenas como uma tendência estética. Conhecer o produto, entender os possíveis riscos e procurar um profissional habilitado são etapas fundamentais antes da aplicação.
O alerta também vale para qualquer procedimento que envolva substâncias introduzidas no organismo: a promessa de um resultado rápido não pode ser mais importante do que a segurança. A escolha do profissional e a origem do produto fazem parte do próprio tratamento.
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