O atacante Rafael Bilu, de 27 anos, é anunciado nesta semana pelo Ratchaburi, da Tailândia, após rescindir com o Avaí. No mesmo movimento de mercado, o argentino Lautaro Díaz deixa o Santos e acerta empréstimo de uma temporada com o Racing, da Argentina, confirmado em 3 de julho de 2026.
Brasileiro tenta renascer na Tailândia
Rafael Bilu deixa para trás uma carreira marcada por promessas na base e pouco espaço no profissional. O Ratchaburi oferece a ele a primeira experiência fora do Brasil e um calendário cheio, com a Thai League 1, as copas nacionais e a AFC Champions League Two, torneio continental para clubes da Ásia.
O clube tailandês se classifica para a competição da confederação asiática ao terminar o último campeonato nacional em terceiro lugar. Bilu chega com status de reforço para o setor ofensivo, de olho também na vitrine regional que o torneio oferece.
Na apresentação, o atacante demonstra entusiasmo com o salto internacional após rodar o futebol brasileiro. “Estou muito feliz por esse novo desafio. É a minha primeira experiência fora do Brasil e chego muito motivado para aproveitar essa oportunidade”, afirma.
Ele cita o peso da temporada no novo clube e a possibilidade de disputar um torneio continental. “Sei da grandeza do Ratchaburi e da importância da temporada, com competições nacionais e também um torneio continental. Vou trabalhar muito para conquistar meu espaço, ajudar meus companheiros e retribuir toda a confiança que o clube depositou em mim”, diz.
Do Terrão do Corinthians ao futebol asiático
Formado no Terrão, o campo de terra que molda gerações no Corinthians, Bilu entra no clube aos sete anos pelo projeto Chute Inicial. Três anos depois, supera uma peneira com mais de dois mil garotos e consolida a presença nas categorias de base.
Naquele ambiente, coleciona títulos expressivos. Participa de campanhas vitoriosas no Mundial Sub-17 e na Taça BH Sub-17, dois dos torneios mais valorizados da base corintiana. Também ganha destaque técnico como atacante veloz, capaz de atuar pelos lados.
A transição para o profissional, porém, não acompanha o brilho da base. Bilu faz apenas uma partida no time principal do Corinthians e entra na ciranda de empréstimos. Passa por América-MG, CSA e Mirassol em busca de minutos e sequência.
Em 2021, encerra o vínculo com o clube paulista e parte em definitivo para o Juventude. Depois, constrói uma trajetória nômade, com passagens por Cruzeiro, Criciúma, CRB, Guarani e, por fim, Avaí.
No time catarinense, vive um recorte recente mais produtivo. Em 2026, disputa 12 partidas e marca 3 gols, distribuídos entre Campeonato Catarinense, Copa do Brasil e Série B. Ainda assim, jogador e clube decidem por uma rescisão amigável, abrindo espaço para a ida à Tailândia.
O movimento se encaixa na estratégia de atletas brasileiros em fase intermediária de carreira que buscam mercados emergentes, com salários competitivos e chance de protagonismo. Para o Ratchaburi, a aposta é em um atacante brasileiro com experiência em diferentes contextos táticos e pressão por resultado.
Lautaro Díaz deixa Vila Belmiro após queda de espaço
Enquanto Bilu cruza o planeta rumo à Ásia, Lautaro Díaz faz o caminho de volta à América do Sul. O atacante de 23 anos, que pertence ao Cruzeiro, deixa o Santos e acerta com o Racing por empréstimo de uma temporada, com opção de compra fixada em 3 milhões de dólares, cerca de R$ 15,6 milhões.
A saída é confirmada em 3 de julho de 2026 e traduz uma avaliação interna no clube da Vila Belmiro. Lautaro chega ao Santos em setembro de 2025, cedido pelo Cruzeiro, com contrato de empréstimo até julho de 2026 e cláusula de compra definitiva.
No gramado, entrega abaixo do esperado para um atacante contratado para disputar vaga entre os titulares. Fecha a passagem pelo Santos com 34 partidas, 4 gols e 2 assistências, desempenho considerado discreto pela comissão técnica.
Desses números, três gols e duas assistências saem no Brasileirão da temporada passada, em fase mais promissora. Em 2026, marca apenas uma vez, contra o Flamengo, e perde espaço no elenco. A leitura interna pesa na decisão de não investir na compra.
“A avaliação técnica e financeira da diretoria pesou para a sua liberação sem custos adicionais”, resume texto do portal Gávea News ao detalhar a saída do jogador. O clube alivia a folha salarial, abre vaga no setor ofensivo e mantém flexibilidade para outras contratações.
Cruzeiro preserva ativo, Racing aposta em retomada
O Cruzeiro, que compra 70% dos direitos econômicos de Lautaro em julho de 2024 por 3 milhões de dólares, opta por não reintegrá-lo neste momento. Prefere testar o mercado argentino com uma operação que combina vitrine e potencial retorno financeiro.
O acordo com o Racing prevê a opção de compra ao fim do empréstimo, no mesmo valor desembolsado pela Raposa há dois anos. Se o clube de Avellaneda exercer o direito, o Cruzeiro recupera o investimento com possível lucro futuro em caso de revenda e mantém 30% dos direitos.
A intermediação da transferência fica a cargo da agência OTB Sports, dos empresários Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb. O acerto também ganha velocidade graças ao técnico do Racing, Juan Pablo Vojvoda, que conhece Lautaro de trabalhos anteriores e avaliza a contratação.
O atacante, natural de Buenos Aires, volta ao país natal carregando um currículo que pesa na mesa de negociações. No Independiente del Valle, do Equador, conquista a Copa Sul-Americana em 2022, a Recopa Sul-Americana e a Super Taça Equador em 2023, com atuações decisivas.
Antes, passa por Estudiantes de Caseros e Villa Dálmine, em circuitos menores do futebol argentino. O salto para o Equador leva à vitrine internacional e, na sequência, ao investimento do Cruzeiro e à experiência no futebol brasileiro.
No Racing, terá de recuperar confiança e espaço em um clube com pressão alta por resultados, estádio cheio e rivalidade intensa. A aposta é que a adaptação ao país, ao idioma e ao estilo de jogo familiar encurtem o tempo de resposta em campo.
Mercado em rede e carreiras em encruzilhada
As transferências de Rafael Bilu e Lautaro Díaz expõem duas estratégias distintas no mercado de atacantes. Bilu busca reinvenção em um centro menos tradicional, mas com calendário robusto e competição continental. Lautaro tenta reencontrar a melhor versão em um mercado mais competitivo, porém mais próximo de suas origens.
Para os clubes brasileiros, os movimentos sinalizam um uso mais pragmático do elenco. O Santos libera um jogador sem custo extra, reduz despesas e ganha margem para testar outros nomes no ataque. O Cruzeiro, controlador dos direitos de Lautaro, protege o investimento com cláusula de compra definida.
No eixo internacional, Ratchaburi e Racing assumem riscos calculados. O time tailandês aposta em um atacante brasileiro em idade produtiva, capaz de elevar o nível ofensivo em ligas e copas locais. O Racing recebe um jogador com histórico recente de conquistas continentais, por um custo inicial menor e possibilidade de compra futura.
A trajetória de ambos, a partir de agora, tende a influenciar futuros negócios entre Brasil, Ásia e América do Sul. Se Bilu se firmar na Thai League 1 e em torneios da AFC, pode abrir portas para outros atacantes brasileiros em busca de minutos e salários estáveis. Se Lautaro se destacar no Racing, valoriza o ativo do Cruzeiro e reforça a rota de ida e volta de jogadores entre Brasil e Argentina.
As primeiras semanas nos novos clubes devem mostrar se as escolhas foram acertadas. Bilu encara adaptação cultural e de estilo de jogo na Tailândia. Lautaro volta ao futebol argentino sob comando de um técnico que o conhece. Em comum, os dois atacantes cruzam fronteiras para tentar transformar minutos em campo em novas oportunidades de carreira.
Quais são os detalhes da chegada do atacante revelado pelo Corinthians ao clube da Tailândia?
Rafael Bilu, 27, rescinde em comum acordo com o Avaí e assina com o Ratchaburi. Vai disputar Thai League 1, copas nacionais e a AFC Champions League Two na temporada.