Piqué troca os gramados pelo poker e redefine seu pós-carreira

Gerard Piqué inicia nova fase ao se dedicar ao poker após encerrar sua trajetória no futebol.
Redação NC News
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Gerard Piqué encerra oficialmente a carreira em novembro de 2022 e, menos de quatro anos depois, volta ao noticiário esportivo por outro motivo: o poker. O ex-zagueiro campeão mundial pela Espanha ocupa hoje uma zona híbrida entre ídolo aposentado, empreendedor do entretenimento e personagem constante do universo pop.

De zagueiro campeão a aposentado precoce

Piqué atravessa quase duas décadas na elite do futebol europeu até decidir parar aos 35 anos. Cria das categorias de base da seleção espanhola, ele se destaca no Europeu Sub-19 de 2006 e no Mundial Sub-20 de 2007 antes de chegar à equipe principal.

A estreia pela seleção adulta acontece em março de 2009, com gol da vitória sobre a Turquia nas Eliminatórias para o Mundial seguinte. A partir dali, ele se consolida como titular do time dirigido por Vicente del Bosque. Em 2010, é peça central da defesa campeã no Mundial de Seleções na África do Sul. Dois anos depois, ajuda a Espanha a conquistar também a Eurocopa de 2012.

A trajetória, porém, não segue em linha reta. Depois do fracasso no Mundial de 2014, com eliminação na fase de grupos, Piqué passa a conviver com vaias e desconfiança em jogos da seleção. As críticas misturam desempenho esportivo, postura em campo e, sobretudo, sua identificação pública com a Catalunha.

Em 2016, ele avisa que deixará a equipe nacional após o Mundial de 2018, na Rússia. Cumpre a palavra dois anos depois. “A despedida foi confirmada depois da eliminação da Espanha para a Rússia nas oitavas de final do Mundial de 2018, nos pênaltis”, lembra o portal Sporting News. Ao todo, soma 102 jogos com a camisa da Espanha.

O adeus definitivo ao futebol chega em 2022. “Piqué se aposentou dos gramados em novembro de 2022, aos 35 anos. A última partida da carreira foi entre Barcelona e Almería, pelo Campeonato Espanhol”, registra o Sporting News. O clube catalão perde um símbolo recente, capitão em diversas temporadas e voz influente no vestiário.

Do gramado ao feltro: a aposta no poker

Longe dos treinos e das concentrações, Piqué busca outra forma de adrenalina. O caminho escolhido passa longe de chuteiras e perto de baralhos. Ele passa a se dedicar com frequência crescente ao poker, esporte mental que já frequentava durante a carreira.

O interesse não é casual. Em torneios internacionais, o ex-zagueiro se comporta como profissional, estuda o jogo e participa de mesas caras. A transição ganha novo peso quando ele entra no Dia 1B do Main Event da World Series of Poker (WSOP), o festival mais tradicional do circuito.

Na estreia, o espanhol protagoniza uma jogada destacada contra o brasileiro Felipe Ketzer, jogador profissional respeitado no cenário mundial. No Brasil, o portal especializado SuperPoker resume a impressão deixada pelo ex-defensor: “Gerard Piqué, campeão da Copa do Mundo de 2010 pela Espanha, já mostrou em diversas ocasiões que domina o poker”.

A presença de uma estrela do futebol num torneio desse porte agrada ao circuito. Profissionais veem com curiosidade e certa dose de respeito o movimento de Piqué. Para o poker, acostumado a disputar espaço com esportes tradicionais, um nome com milhões de seguidores amplia audiência e patrocínios potenciais. Para o futebol, é um lembrete de que carreiras de alto nível já não terminam necessariamente em cargos de dirigente ou comentário em TV a cabo.

Renovação na Espanha e vazio no Barcelona

O impacto da saída de Piqué ainda reverbera. Na seleção espanhola, a defesa passa por renovação forçada. A vaga deixada por um zagueiro com 102 partidas internacionais acelera a ascensão de jovens que hoje disputam espaço em grandes clubes europeus.

No Barcelona, o buraco é mais emocional do que tático. Piqué encarna o jogador identificado com o clube, formado na base, campeão de tudo e porta-voz em crises esportivas e políticas. A ausência dele obriga o elenco a buscar novos líderes e o torcedor a se apegar a outros símbolos.

Enquanto isso, a Espanha encara novos desafios em grandes torneios sem o antigo camisa 3. A partida contra a Áustria, marcada para 2 de julho de 2026, às 16h (horário de Brasília), no Mundial de Seleções, acontece com Piqué já do lado de fora, como torcedor atento e comentarista esporádico em redes sociais.

Amor, Mundial e exposição: o capítulo Shakira

A história de Piqué no futebol se mistura, em vários momentos, à da cantora colombiana Shakira. “Shakira e Gerard Piqué se conheceram em 2010, após as filmagens do videoclipe de ‘Waka Waka’”, lembra O Globo, em referência à música oficial do Mundial de Seleções de 2010, na África do Sul.

O relacionamento nasce sob luzes fortes. Ele, zagueiro em ascensão no Barcelona e na seleção espanhola. Ela, já consagrada como estrela global do pop latino. O romance atravessa o título mundial da Espanha e se consolida ao longo de 12 anos, com o nascimento de dois filhos, Milan, em 2013, e Sasha, em 2015.

O casal se torna presença constante na cobertura de grandes torneios, de camarotes em partidas decisivas a aparições em premiações. A intimidade, porém, começa a ruir antes da separação anunciada em junho de 2022. Pouco depois, a imprensa espanhola revela o envolvimento de Piqué com Clara Chía Marti, então com 23 anos.

Em 5 de julho de 2026, um artigo sobre casais em Mundiais, publicado por O Globo em parceria com o jornal argentino La Nación, organiza essa narrativa sob o rótulo de “maldição” dos romances esportivos. “Durante as Copas do Mundo, vários casais famosos surgem, mas nem todos resistem ao tempo”, pontua o texto, citando também Neymar e Bruna Marquezine, e Iker Casillas e Sara Carbonero.

Os casos expõem um padrão: relacionamentos intensos, embalados pela atmosfera de grandes torneios, sofrem com a pressão do calendário, da distância e da exposição contínua. Quando chegam ao fim, abastecem não só páginas de esportes, mas também editorias de celebridades e cultura pop.

Entre o mito esportivo e o personagem midiático

A figura de Piqué hoje ocupa esse cruzamento. Aposentado dos gramados desde 2022, campeão do Mundial de Seleções em 2010 e da Eurocopa em 2012, ele continua presente no noticiário por caminhos laterais. De um lado, é exemplo de transição para esportes mentais, ao lado de outros atletas que se aproximam do poker e de jogos de estratégia. De outro, segue atrelado a uma história de amor e ruptura que alimenta músicas de sucesso, debates em redes sociais e análises de comportamento.

O futuro imediato parece dividido entre as mesas da WSOP, novos empreendimentos no entretenimento esportivo e uma relação distante, mas ainda influente, com o futebol espanhol. A seleção e o Barcelona, por sua vez, tentam reescrever suas histórias sem um dos zagueiros mais emblemáticos do século. A dúvida que permanece é se o Piqué das próximas décadas será lembrado mais pelos títulos, pelas cartas ou pelas canções que giram em torno de seu nome.

 

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