O quarto dia do funeral do aiatolá Ali Khamenei leva milhões às ruas de Teerã nesta segunda (6), em uma procissão de 12 horas marcada por gritos de “morte a Trump”. Enquanto o Irã transforma o luto em ato político contra Estados Unidos e Israel, um novo remédio oral contra a calvície avança em testes nos EUA e uma pesquisa eleitoral em Alagoas confirma uma disputa apertada pelo governo do Estado em 2026.
Luto em Teerã vira palco de vingança
O cortejo de Khamenei, morto em 28 de fevereiro de 2026 em um ataque aéreo conjunto dos EUA e de Israel, se estende de 4 a 9 de julho pelas principais avenidas da capital iraniana. O caixão, coberto pela bandeira do país, segue em caminhão cercado por multidões vestidas de preto e cartazes com ameaças ao ex-presidente Donald Trump e ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Imagens da TV estatal mostram uma maré humana se espremendo ao longo da Praça Azadi e das avenidas adjacentes, em uma mobilização que autoridades iranianas tratam como demonstração de força. Ruas e espaço aéreo são interditados. A vida cotidiana praticamente para em Teerã.
O general Hasan Hasanzadeh, da Guarda Revolucionária, supervisiona a procissão até o aeroporto de Mehrabad, em um trajeto calculado para durar 12 horas. O corpo do líder será levado depois a Mashhad, no nordeste do país, para sepultamento no santuário do Imã Reza em 9 de julho.
Entre os presentes, o discurso de despedida se mistura a uma retórica de vingança. “Hoje, que estamos aqui para o funeral do nosso líder, é um dia muito difícil”, afirma Fátima Hassan. “Não estamos aqui para nos despedirmos dele, estamos aqui para nos vingarmos. E nos vingaremos.”
A cada parada do caminhão, surgem faixas pedindo a morte de Trump e de Netanyahu, além de desenhos em que o ex-presidente dos EUA aparece enforcado. O alvo é apontado sem rodeios pelos enlutados. “Estamos aqui para mostrar que seu caminho continuará, e cada uma dessas pessoas seguirá seu caminho com os punhos cerrados e em breve certamente vingaremos sua morte contra os EUA e Israel”, diz Sahar Zaraatgar.
O cortejo também expõe a dimensão geracional do luto. “Esta é a última vez que o vejo”, chora Maryam Alizadeh. “Nossa geração conviveu com ele por décadas.”
O governo iraniano apresenta a mobilização como prova de coesão interna após o ataque que matou Khamenei e parte de sua família. Na prática, o tom de vingança amplia o clima de hostilidade com Washington e Tel Aviv, alimenta discursos de retaliação e pressiona aliados e rivais na região a recalibrar estratégias de segurança e energia.
Novo remédio oral reacende disputa contra a calvície
Longe do cenário de tensão no Oriente Médio, outro tipo de disputa se desenha em laboratórios nos Estados Unidos. Em abril, a biofarmacêutica Veradermics divulga resultados preliminares de um estudo com 519 homens sobre o VDPHL01, um comprimido experimental contra a calvície comum, a alopecia androgenética.
O VDPHL01 não nasce do zero. A aposta da empresa é uma formulação oral de minoxidil de liberação prolongada, em dose de 8,5 mg, desenhada para manter níveis estáveis da substância no sangue por mais tempo e reduzir efeitos cardiovasculares indesejados. O minoxidil, criado nos anos 1970 como remédio para pressão alta, passou a ser usado em queda de cabelo depois que o aumento de pelos foi observado como efeito colateral.
Hoje, dermatologistas já prescrevem minoxidil oral, mas de forma off-label, isto é, fora da indicação original em bula. O desafio é equilibrar ganho capilar e segurança. “A expectativa é combinar eficácia com um menor risco de efeitos colaterais, mas isso ainda precisa ser confirmado por estudos completos e com acompanhamento de longo prazo”, afirma a dermatologista Fernanda Lagares Xavier Peres, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
No couro cabeludo, o minoxidil atua sobre as células ao redor da raiz do fio, melhora a circulação local e prolonga a fase de crescimento do cabelo. Diferencia-se de medicações como finasterida e dutasterida, que bloqueiam o hormônio DHT e podem provocar efeitos sexuais indesejáveis em alguns pacientes.
A dermatologista Andressa Vargas vê no VDPHL01 um possível ganho especialmente para pacientes mulheres, historicamente com menos alternativas orais seguras. “Por ser uma terapia não hormonal, o VDPHL01 pode ser especialmente interessante para mulheres, que têm menos opções aprovadas e muitas limitações com antiandrógenos, sobretudo em idade fértil, durante a gestação ou quando há contraindicações”, explica.
Ela lembra que, na prática clínica, as doses atuais de minoxidil oral são bem menores que as testadas no estudo, o que exige atenção redobrada nos testes de segurança. “Em geral, usamos cerca de 0,25 mg a 2,5 mg por dia em mulheres e 1 mg a 5 mg por dia em homens, sempre individualizando conforme risco, tolerância e resposta. Por isso, a segurança cardiovascular precisa ser avaliada”, diz.
Para a médica, a formulação de liberação prolongada pode ajudar a reduzir justamente os picos de concentração associados a desconfortos. “Na prática, a promessa é manter níveis terapêuticos por mais tempo, possivelmente com melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos relacionados aos picos de concentração, como palpitação, taquicardia, edema ou queda de pressão.”
Os dados apresentados até agora mostram aumento da densidade capilar em comparação ao placebo, mas ainda não garantem aprovação automática. O remédio deve passar por novas fases de testes, com inclusão de mulheres e acompanhamento de longo prazo, antes de qualquer decisão de agências regulatórias.
Alagoas entra em clima de eleição acirrada
No Brasil, o termômetro político sobe em outra frente. Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada em 4 de julho, registrada no TSE sob o número AL-04491/2026, aponta um cenário apertado para o governo de Alagoas nas eleições de 2026.
O ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC, do PSDB, aparece com 45,9% das intenções de voto. O ex-ministro dos Transportes no governo Lula, Renan Filho, do MDB, surge logo atrás, com 41%. A diferença, inferior a 5 pontos percentuais, coloca a disputa na margem que costuma ser considerada de empate técnico em levantamentos eleitorais.
Os números indicam um estado dividido entre dois projetos já conhecidos do eleitor. De um lado, JHC tenta nacionalizar o debate, apresentando-se como nome ligado à renovação de capitais do Nordeste. De outro, Renan Filho carrega o peso de uma família tradicional na política alagoana e a associação direta ao campo lulista.
A fotografia de julho não define o resultado, mas orienta movimentos de bastidor. As campanhas tendem a intensificar a presença no interior, onde redes municipais e alianças históricas costumam ser decisivas. A disputa por apoios locais, tempo de TV e espaço em redes sociais se torna ainda mais agressiva diante da diferença enxuta.
Os próximos meses devem consolidar o favoritismo de um dos dois ou abrir espaço para rearranjos de última hora. O desempenho no primeiro turno e a capacidade de construção de alianças podem impactar a governabilidade a partir de 2027 e influenciar o peso político de Alagoas no xadrez nacional.
Entre o luto militante em Teerã, a corrida por um comprimido mais seguro contra a calvície e a disputa voto a voto em um estado do Nordeste brasileiro, a semana expõe como decisões políticas, avanços científicos e humores do eleitorado seguem entrelaçados — e com potencial de redesenhar, cada um à sua maneira, os mapas de poder, saúde e economia nos próximos anos.