Granada é lançada por drone em telhado de creche durante guerra de facções no Rio; aulas são mantidas

Artefato foi jogado durante intenso confronto entre criminosos do Comando Vermelho e do TCP na comunidade do Dique, na Zona Norte; esquadrão antibombas explodiu o artefato e carro foi destruído.
Redação NC News
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Uma cena de guerra assustou os moradores do Jardim América, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e colocou em risco a vida de dezenas de crianças. Uma granada de mão foi encontrada no telhado da Creche Municipal Barbosa Lima Sobrinho. O caso aconteceu após um intenso tiroteio entre criminosos de facções rivais na comunidade do Dique.

Mesmo após o susto e o rastro de destruição deixado na entrada da unidade de ensino, as aulas foram mantidas. A Secretaria Municipal de Educação confirmou que a creche está funcionando normalmente e recebendo os alunos. A decisão dividiu opiniões entre os pais, que relatam medo de mandar os filhos para a escola diante da ousadia dos criminosos.

O que aconteceu na comunidade do Dique?

De acordo com os relatos de moradores da região, o clima esquentou na comunidade após o início de um confronto armado entre as facções Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV). Os dois grupos disputam o controle dos pontos de venda de drogas na localidade.

Durante o tiroteio, os criminosos utilizaram uma tática que tem se tornado cada vez mais comum no crime organizado fluminense: o uso de tecnologia. Testemunhas afirmaram que a granada foi transportada e lançada por um drone. O objetivo era atingir os rivais, mas o artefato acabou parando diretamente no telhado da creche municipal.

Como o explosivo foi retirado do local?

Assim que as autoridades foram acionadas, a Polícia Militar isolou completamente o perímetro para garantir a segurança de quem passava pela região. O Esquadrão Antibombas da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil foi chamado com urgência para lidar com o perigo.

Os policiais especializados subiram no telhado e realizaram a remoção do artefato. Logo em seguida, foi feita uma detonação controlada do explosivo. O impacto da ação, somado aos episódios do confronto, deixou marcas: um carro que estava estacionado bem na entrada da creche ficou completamente destruído.

Qual o impacto para a população e o que dizem as autoridades?

A rotina das famílias que dependem da unidade de ensino foi profundamente afetada pelo sentimento de insegurança. Muitas mães e pais relatam que, embora a secretaria tenha mantido os portões abertos, o coração aperta ao deixar os pequenos na sala de aula. “A gente não sabe se o próximo drone vai cair na hora do recreio”, desabafou uma moradora que preferiu não se identificar.

Em nota oficial enviada à nossa reportagem, a Secretaria Municipal de Educação lamentou profundamente o episódio. O órgão reforçou o posicionamento de que a escola deve ser, obrigatoriamente, um espaço de acolhimento, aprendizado e total segurança para as crianças e profissionais, e jamais se tornar mais uma vítima da violência urbana que atinge o estado.

Entenda o contexto

O uso de drones modificados por facções criminosas no Rio de Janeiro deixou de ser cena de filme e virou uma dura realidade para quem vive nas periferias e comunidades. Os grupos utilizam os aparelhos voadores tanto para monitorar a chegada da polícia e de rivais quanto para lançar explosivos de fabricação caseira ou industrial contra territórios inimigos.

O caso na comunidade do Dique acende um alerta vermelho nas forças de segurança pública sobre a vulnerabilidade de prédios públicos, como escolas e hospitais, em meio a essa nova modalidade de guerra do tráfico. As investigações agora buscam identificar os operadores dos drones e os líderes das facções envolvidas no confronto do último fim de semana.

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