Sumiço de obras de arte em palácio de MG poderá ser investigado pela Polícia Federal

Após vistoria encontrar dezenas de bens históricos fora da antiga residência oficial dos governadores, deputados ampliam investigação. Caso já foi levado ao Tribunal de Contas e também deve chegar ao Ministério Público.
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A investigação sobre o desaparecimento de parte do acervo histórico do Palácio das Mangabeiras ganhou um novo desdobramento. A Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) anunciou que vai denunciar o caso à Polícia Federal (PF), ampliando as frentes de apuração sobre o paradeiro de móveis, obras de arte e outros bens públicos que pertenciam à antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais.

O anúncio foi feito pela deputada estadual Lohanna França (PV), integrante da Comissão de Cultura, dois dias após uma fiscalização realizada no Palácio constatar a ausência de dezenas de peças históricas.

“Precisamos entender onde está cada item do acervo para depois a gente entender também como será a responsabilização”, afirmou a parlamentar.

O que motivou a denúncia à Polícia Federal?
A decisão foi tomada após a vistoria realizada na última quinta-feira (2), quando deputados estaduais percorreram os cômodos do Palácio das Mangabeiras e encontraram diversos ambientes praticamente vazios.

Segundo a Comissão de Cultura, desapareceram utensílios, tapetes, mais de 40 quadros, móveis históricos, pratarias, louças, eletrodomésticos da antiga cozinha, itens da biblioteca, cerca de 1.080 livros restaurados durante o governo de Antônio Anastasia e peças adquiridas pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek para equipar a sala de cinema da residência.

Durante a fiscalização, os parlamentares encontraram apenas alguns móveis originais, como um sofá, uma mesa de centro, um guarda-roupas, poltronas e um piano.

Caso já mobiliza três órgãos de investigação
A denúncia à Polícia Federal amplia a lista de órgãos que devem analisar o caso.

Logo após a fiscalização, o deputado estadual Leleco Pimentel (PT), presidente da Comissão de Cultura, protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). O parlamentar também informou que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Agora, com o anúncio de que a Polícia Federal também será acionada, a expectativa é que a apuração sobre o destino do patrimônio histórico ganhe uma nova dimensão.

Segundo Leleco Pimentel, é necessário localizar todos os bens retirados do Palácio e identificar eventuais responsabilidades pela destinação do acervo.

Como o caso começou?
O Palácio das Mangabeiras deixou de ser residência oficial dos governadores em 2019, após decisão do governador Romeu Zema (Novo). Na época, o governo informou que a medida reduziria gastos públicos e encerraria privilégios relacionados ao uso do imóvel.

Desde então, o espaço passou a receber eventos culturais, exposições e visitas.

A fiscalização da Assembleia foi motivada por declarações do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, durante uma sessão da ALMG realizada em 17 de junho.

Na ocasião, o secretário afirmou ter localizado parte do acervo histórico armazenado em instalações da Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo ele, entre os itens estavam quadros atribuídos aos artistas Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, que apresentavam sinais de deterioração, como rachaduras na pintura, conhecidas como “craquelamento”.

O que diz o Governo de Minas?
Em nota, o Governo de Minas informou que todos os bens do Palácio das Mangabeiras foram devidamente inventariados após a mudança de função do imóvel e permanecem pertencendo ao Estado.

Segundo o Executivo, parte do acervo foi redistribuída para órgãos estaduais e outra parte permanece armazenada em locais apropriados, sob responsabilidade de instituições públicas. O governo afirma que as movimentações representam apenas transferências internas e que não houve perda do patrimônio público.

Além disso, a administração estadual informou que os bens continuam registrados em inventário patrimonial e que a documentação poderá comprovar a localização das peças.

Comissão cobra explicações sobre doação de 63 itens
Outro ponto que chamou a atenção dos parlamentares envolve um extrato de doação publicado no Diário Oficial do Executivo, em dezembro de 2020.

Segundo a Comissão de Cultura, o documento registra a transferência de 63 bens para a Secretaria-Geral do Estado, mas não identifica quais objetos foram doados. Para os deputados, a ausência dessa descrição dificulta o rastreamento do patrimônio e reforça a necessidade de um inventário detalhado que permita localizar cada peça retirada do Palácio.

Repercussão nacional
O caso ganhou repercussão em todo o país após a atriz Luana Piovani compartilhar, em seus Stories no Instagram, uma reportagem sobre o desaparecimento de parte do acervo histórico do Palácio das Mangabeiras. A publicação ampliou a visibilidade da investigação e levou o assunto para milhões de seguidores nas redes sociais.

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