Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro teria pedido ao empresário Thiago Miranda um levantamento de informações sobre o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, e sua esposa, Camila Moretti Maluhy. Segundo os investigadores, o pedido ocorreu em meio a uma série de ações atribuídas a uma estrutura investigada por suposta tentativa de influenciar a opinião pública e atingir instituições.
Nas conversas citadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Vorcaro afirma que Milton Maluhy estaria “causando muito problema” e pede ajuda a Miranda para obter informações sobre o executivo.
“Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy”, escreveu Vorcaro, segundo a decisão. Na sequência, ele acrescenta: “Está me causando muito problema” e pergunta: “Me ajuda nisso?”.
Pouco depois, Thiago Miranda responde: “Deixa comigo”.
O que as mensagens revelam sobre a relação entre Vorcaro e Thiago Miranda
De acordo com a investigação, em outra conversa, Thiago Miranda teria informado a Vorcaro que já estava com informações reunidas sobre Milton Maluhy, mas avaliava uma estratégia para divulgação do conteúdo.
“Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo”, diz uma das mensagens atribuídas a Miranda.
A decisão judicial que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero menciona que, entre os dados buscados, estavam informações de identificação civil, como CPF, além de dados pessoais.
O documento não informa a data exata em que as mensagens foram trocadas.
Documento com dados pessoais de Milton Maluhy e esposa foi encontrado, diz decisão
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, a investigação identificou um documento contendo informações pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy e Camila Moretti Maluhy.
O material teria apresentado uma identidade visual associada a uma das empresas ligadas a Thiago Miranda.
Para o ministro, a circunstância “sugere que o documento tenha sido produzido, editado ou, ao menos, circulado no âmbito da referida estrutura empresarial”.
Ainda segundo os investigadores, o arquivo continha a indicação de que se tratava de “informações confidenciais”.
Quem é Thiago Miranda, alvo da nova fase da Operação Compliance Zero
Thiago Miranda foi alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (9), em Brasília.
Segundo a PF, ele é apontado como uma figura central em uma estrutura que teria atuado na contratação de profissionais, influenciadores digitais e jornalistas para ações coordenadas nas redes sociais.
A investigação também apura suspeitas de intimidação de jornalistas, monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e tentativa de obtenção indevida de informações sigilosas.
Conforme a decisão judicial, Miranda teria participado de uma estratégia chamada pelos investigadores de “Projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro.
A PF afirma que o grupo buscava proteger interesses ligados ao ex-banqueiro e teria estruturado ações para questionar publicamente decisões de instituições, incluindo medidas relacionadas ao Banco Central.
Investigação apura pagamentos milionários e contratos com confidencialidade
Segundo os investigadores, Thiago Miranda teria participado do recrutamento de influenciadores digitais e profissionais de imprensa por meio de ofertas financeiras que poderiam chegar a R$ 2 milhões.
A suspeita é de que contratos com cláusulas de confidencialidade tenham sido utilizados para organizar ações coordenadas de comunicação.
A Polícia Federal investiga se essas iniciativas faziam parte de uma estratégia mais ampla para influenciar debates públicos, pressionar instituições e atacar a reputação de determinados alvos.
O que é a Operação Compliance Zero
A 10ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de ações coordenadas em redes sociais que teriam como objetivo comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e teve como alvo Thiago Miranda, ligado a Daniel Vorcaro.
Entre os pontos investigados estão:
possível manipulação de informações nas redes sociais;
contratação de influenciadores;
tentativa de influenciar profissionais de imprensa;
monitoramento de pessoas ligadas a autoridades;
possível obtenção irregular de informações protegidas.
A PF afirma que as investigações continuam para esclarecer a extensão da estrutura e identificar todos os envolvidos.
Entenda o contexto
A investigação envolvendo Daniel Vorcaro e pessoas próximas ganhou novos capítulos com a análise de mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal.
O caso envolve suspeitas de criação de estratégias de comunicação e influência digital para defender interesses ligados ao ex-banqueiro e atingir críticos ou instituições envolvidas em decisões que afetavam o Banco Master.
As mensagens citadas na decisão judicial agora passam a integrar uma nova etapa da apuração, que busca entender como funcionava a estrutura, quais eram seus alvos e qual teria sido o alcance das ações.
Até o momento, os investigados são alvo de apurações e eventuais responsabilidades dependerão do avanço das investigações e das decisões da Justiça.