MPDFT processa Virginia e Blaze em R$ 120 milhões por publicidade enganosa; Neymar também é alvo de inquérito

Ação civil pública acusa influenciadora de atuar como 'braço operacional' de esquema de publicidade enganosa. Investigação paralela mira mais de 42 mil queixas de retenção de dinheiro na plataforma.
Redação NC News
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O cerco judicial às plataformas de apostas esportivas e cassinos virtuais ganhou um novo e milionário capítulo no Brasil. O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora digital Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze, operada pela Foggo Entertainment Ltda. O processo, apresentado à 7ª Vara Cível de Brasília na última quarta-feira (8/7), exige o pagamento solidário de uma indenização não inferior a R$ 120 milhões por danos morais coletivos.

Assinada pelo promotor de Justiça Paulo Roberto Binicheski, a petição inicial adota um tom contundente ao classificar Virginia como o “braço operacional da captação” da empresa. Segundo o MP, a influenciadora utiliza sua enorme credibilidade digital para veicular mensagens enganosas, induzindo milhões de seguidores à aposta.

Liminar exige remoção de posts e cita jogo da Argentina

O MPDFT solicitou à Justiça, em caráter de urgência, que Virginia seja obrigada a remover imediatamente de suas redes sociais todo conteúdo publicitário de apostas que prometa lucros irreais, utilize dark patterns (padrões obscuros de navegação) ou promova publicidade disfarçada.

O documento cita nominalmente campanhas consideradas abusivas, como o induzimento de apostas em eventos específicos, a exemplo do jogo entre Argentina e Cabo Verde. O Ministério Público defende que, caso haja condenação, os R$ 120 milhões sejam revertidos para o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD) ou para programas sociais e de saúde mental voltados ao tratamento de apostadores compulsivos.

A conexão com Neymar e o inquérito da Prodecon

A investida judicial atinge outras estrelas da publicidade nacional. Paralelamente à ação cível, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) abriu um inquérito para investigar a conduta da Blaze, motivada por um relatório técnico que aponta mais de 42 mil reclamações contra a plataforma.

O Ministério Público do Distrito Federal exigiu que a Blaze apresente cópias dos contratos firmados com Virginia, Neymar,,Lucas Lira e Bruna Sunaika. Foto: CBF

O alvo principal da Prodecon é o uso perigoso da expressão “renda extra” nas campanhas de marketing. Para mapear o esquema, o órgão exigiu que a Blaze apresente cópias dos contratos firmados não apenas com Virginia, mas com o jogador Neymar e os influenciadores Lucas Lira e Bruna Sunaika. O objetivo é verificar se a remuneração e as diretrizes publicitárias violam o Código de Defesa do Consumidor.

O inquérito também joga luz sobre o que chamou de “retenção sistemática de fundos”. Usuários denunciam bloqueios arbitrários de contas e exigências desproporcionais (rollover) para o resgate de valores. A Blaze recebeu um prazo de 15 dias para apresentar os relatórios do portal Reclame Aqui e fornecer explicações detalhadas sobre suas políticas de suspensão de contas, mecanismos de “jogo responsável” e regras de prevenção à lavagem de dinheiro (AML). A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) também foi acionada e tem 20 dias para apresentar os processos abertos contra a plataforma em todo o país.

Procuradas as assessorias de imprensa da Virginia, Neymar ,Lucas Lira e Bruna Sunaika ainda não responderam.

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