Peppino di Capri, um dos nomes centrais da canção romântica italiana, morre na manhã deste sábado (11) aos 86 anos, na ilha de Capri, onde nasce e vive. A família confirma a morte e marca o funeral para este domingo (12), às 17h, na antiga Catedral de Santo Stefano, na Piazzetta de Capri.
A causa não é informada, mas o cantor, pianista e compositor enfrenta problemas de saúde e está afastado dos palcos. A notícia dispara uma onda de homenagens na Itália, no Brasil e em outros países onde suas canções embalam histórias de amor por mais de seis décadas.
Despedida em Capri e silêncio sobre a causa
O anúncio oficial vem das redes sociais do artista. Uma foto em preto e branco aparece acompanhada de uma legenda simples, em italiano: “tchau, Peppino”. A família confirma o falecimento à imprensa, mantém reserva sobre as circunstâncias e pede privacidade.
O velório e o sepultamento acontecem neste domingo, às 17h (horário local), na antiga Catedral de Santo Stefano, no coração da Piazzetta de Capri. O templo histórico, ponto de encontro de moradores e turistas, se transforma em palco de uma despedida que mistura luto e celebração da obra.
Peppino completaria 87 anos em 27 de julho de 2026. Deixa três filhos, Arrigo, conhecido como Igor, do casamento com Roberta Stoppa, e Edoardo e Dario, da união com Giuliana Gagliardi, sua companheira por mais de 40 anos.
Do garoto prodígio ao astro popular
Nascido Giuseppe Faiella em 27 de julho de 1939, Peppino cresce cercado por música. O avô comanda uma banda na ilha, o pai é músico e dono de loja de discos. O menino de quatro anos já toca piano e se apresenta para soldados aliados instalados em Capri durante a Segunda Guerra Mundial.
Na adolescência, forma o Duo Caprese com o baterista Ettore Falconieri e canta em boates locais. Em 1957, o projeto evolui para o grupo Capri Boys, inspirado no rock americano. Com Pino Amenta, Mario Cenci e Gabriele Varano, ele mistura o novo ritmo com a tradição melódica italiana e napolitana.
Contratado pela gravadora milanesa Carish, o conjunto passa a se chamar Peppino di Capri e i Suoi Rockers e emplaca canções como “Malatia”, “Let Me Cry” e “Nun È Peccato”, que o público brasileiro mais tarde aprende a escrever como “Peppino di Capri nun e peccato” nas pesquisas de internet.
Em dezembro de 1961, ele lança a versão italiana de “Let’s Twist Again”. O twist, dança nascida do rock, cai no gosto popular. O disco vende 1 milhão de cópias e leva Peppino ao topo das paradas, abrindo caminho para turnês na Alemanha e nos Estados Unidos.
O cantor encarna o estereótipo do romântico italiano, mas com um pé no futuro. Mantém a imagem de “namorado ideal” e, ao mesmo tempo, flerta com o rock, sem perder a elegância. Em 1965, abre os shows dos Beatles na turnê italiana e ajuda a introduzir o gosto pelo rock no país.
Sanremo, canção napolitana e clássicos românticos
Com o fim da banda, Peppino segue carreira solo e se torna figura recorrente do Festival de Sanremo, principal vitrine da música popular italiana. Participa de 15 edições e vence duas vezes: em 1973, com “Un Grande Amore e Niente Più”, e em 1976, com “Non lo Faccio Più”.
Antes, em 1970, triunfa no Festival da Canção Napolitana com “Me Chiamme Ammore”, reafirmando o vínculo com a tradição da sua região. Em 1991, leva esse dialeto ao Eurovision com “Comme è Ddoce ‘o Mare”, balada melancólica que termina em sétimo lugar e entra para a história como a primeira canção italiana no concurso que não é cantada em italiano padrão.
Em 1973, Peppino lança “Champagne”, composta por Mimmo di Francia, Depsa e Sergio Iodice. O refrão sobre um brinde solitário, símbolo de festa e ruína amorosa, começa tímido nas vendas. Aos poucos, ganha as noites de bares com piano e se torna presença obrigatória em casamentos, réveillons e programas de auditório.
Naquele ano, ao comentar o sucesso tardio de suas canções, ele resume a própria aposta estética. “Sentia que o melhor ainda estava por vir. Talvez seja justo que aconteça dessa forma para canções que têm um estilo clássico não ligado a uma dança ou a uma moda, algo que nos diverte só por um verão e depois irrita”, afirma.
Outra pedra fundamental do repertório é “Roberta”, dedicada à primeira esposa, Roberta Stoppa. A canção, que no Brasil corre como “Peppino di Capri roberta” entre buscas por letras e gravações, ajuda a popularizar o nome no país de origem. Roberta também interfere no figurino do marido, sugerindo as jaquetas com acabamento metálico que viram marca registrada.
Vida pessoal, Brasil e redescoberta tardia
A biografia do artista se mistura aos romances. Depois da separação de Roberta Stoppa, ele começa a relação com Giuliana Gagliardi, que acompanha o renascimento profissional e permanece ao seu lado por mais de quatro décadas. Para ela, dedica “Un Grande Amore e Niente Più”, balada que sintetiza a virada sentimental e rende o primeiro lugar em Sanremo.
Entre os anos 1960 e 2000, Peppino constrói uma relação estreita com o público brasileiro. Realiza dezenas de shows em capitais, frequenta programas de TV e vê suas canções entrarem em trilhas sonoras de novelas e em repertórios de bares, festas e karaokês. Termos como “músicas de Peppino di Capri” e “Peppino di Capri champagne” se tornam recorrentes em buscadores, eco de uma popularidade persistente.
O catálogo impressiona pelos números: cerca de 35 milhões de discos vendidos e aproximadamente 500 canções gravadas. A mistura de rock, bolero, balada italiana e canção napolitana cria uma assinatura sonora que atravessa gerações.
Em 2023, no Festival de Sanremo, ele recebe um Prêmio de Carreira. Aos 83 anos, sobe ao palco visivelmente emocionado. “Fazia tempo que esperava este momento. Melhor tarde do que nunca”, diz, diante de uma plateia em pé.
Seu último grande gesto público acontece em maio de 2026, na comemoração dos 90 anos da irmã Margherita, em Capri. A saúde já inspira preocupação, alimentando entre fãs a pergunta “Peppino di Capri está doente?”. Mesmo frágil, o cantor se senta ao piano e oferece mais uma vez “Champagne”, em apresentação íntima que circula em vídeos nas redes.
Legado para a Itália, Capri e além
A morte de Peppino di Capri fecha um ciclo de mais de 60 anos de atuação contínua na música. Na Itália, críticos o situam como elo entre a tradição napolitana, o romantismo de salão e a emergência do rock, em um percurso que ajuda a modernizar a canção popular sem romper com suas raízes.
Para a ilha de Capri, sua figura se confunde com a própria identidade turística e cultural. Cartazes, fotos, discos e histórias de shows improvisados em hotéis e clubes compõem o imaginário local. A notícia da morte mobiliza comerciantes, músicos e moradores, que organizam vigílias espontâneas e prometem tributos após o funeral.
Na indústria fonográfica, gravadoras já discutem relançamentos de álbuns, boxes comemorativos e novas compilações, em um provável movimento de redescoberta. A cinebiografia “Champagne”, lançada recentemente, ganha nova leitura com a morte do protagonista retratado por Francesco Del Gaudio, que recorda o choro do músico nas cenas sobre a guerra de infância.
O impacto também passa por universidades e pesquisadores que estudam a história da canção italiana. A participação no Festival de Sanremo, no Eurovision e em programas de TV de vários países rende um material vasto para reavaliar sua influência na formação de um repertório romântico global.
Sem detalhes sobre a causa da morte, o foco recai sobre o que permanece: as gravações, os registros audiovisuais, a memória afetiva de casais que se conheceram ao som de “Champagne” e “Roberta”. A partir deste fim de semana, o nome de Peppino di Capri tende a voltar com força às listas de reprodução, às rádios especializadas e aos palcos de homenagem, tanto na Itália quanto no Brasil.
Quem foi Peppino di Capri?
Foi o cantor, pianista e compositor italiano Giuseppe Faiella, nascido em 1939 em Capri, ícone da canção romântica e da música napolitana, ativo por mais de seis décadas.
Qual a idade de Peppino di Capri quando morreu?
Ele morre em 11 de julho de 2026, aos 86 anos, poucas semanas antes de completar 87 em 27 de julho.
Quais são os principais sucessos de Peppino di Capri?
Entre as músicas mais conhecidas estão “Champagne”, “Roberta”, “Un Grande Amore e Niente Più”, “Non lo Faccio Più”, “Nun È Peccato”, “Malatia” e “Comme è Ddoce ‘o Mare”.
Quem compôs a música ‘Champagne’ de Peppino di Capri?
“Champagne” é escrita pelos compositores italianos Mimmo di Francia, Depsa e Sergio Iodice e eternizada na voz de Peppino di Capri.
Qual a importância de Peppino di Capri para a música italiana?
Ele ajuda a popularizar o rock na Itália, renova a canção romântica, leva o dialeto napolitano a festivais internacionais e constrói um repertório clássico de alcance mundial.