Contraiu poliomielite na infância e viveu mais de 70 anos em um pulmão de aço; história emociona o mundo

Martha Ann Lillard dependia do equipamento desde os 5 anos de idade e morreu aos 78 anos após complicações da covid longa, encerrando um dos capítulos mais marcantes da história da medicina.
Redação NC News
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Durante mais de sete décadas, um enorme equipamento metálico foi essencial para manter Martha Ann Lillard viva. A norte-americana, considerada a última pessoa conhecida nos Estados Unidos a depender de um pulmão de aço, morreu aos 78 anos após complicações da covid longa, encerrando uma história de superação que atravessou gerações e relembrou um período em que a poliomielite assustava famílias em todo o mundo.

Martha contraiu poliomielite em 1953, quando tinha apenas cinco anos de idade, dois anos antes do início da vacinação em massa contra a doença nos Estados Unidos. A infecção comprometeu os músculos responsáveis pela respiração, tornando indispensável o uso do chamado pulmão de aço pelo restante da vida.

O que é um pulmão de aço?
O pulmão de aço foi um dos equipamentos médicos mais importantes antes da criação das vacinas contra a poliomielite.

Trata-se de um grande cilindro metálico onde o paciente permanecia com quase todo o corpo dentro da máquina, deixando apenas a cabeça para fora.

O equipamento criava alterações de pressão que expandiam e contraíam o tórax, permitindo que pessoas com paralisia respiratória conseguissem respirar.

Uma rotina que durou mais de 70 anos
Nos primeiros anos após contrair a doença, Martha passava praticamente o dia inteiro dentro da máquina.

Com o tempo, conseguiu utilizar um ventilador portátil durante parte do dia, mas continuou dependendo do pulmão de aço para dormir e para diversos períodos de descanso.

Apesar das limitações físicas, familiares afirmam que ela levava uma vida relativamente independente, preparando refeições e realizando várias atividades sozinha.

O equipamento também envelheceu
Além dos desafios provocados pela poliomielite, Martha enfrentava outro problema: manter funcionando um equipamento fabricado há décadas.

Segundo familiares, as peças de reposição praticamente desapareceram do mercado, e havia cada vez menos profissionais capacitados para realizar a manutenção do respirador.

Em uma ocasião, um tornado interrompeu o fornecimento de energia elétrica, aumentando a preocupação da família com o funcionamento da máquina.

A covid longa agravou seu estado de saúde
Nos últimos anos, Martha enfrentou duas infecções por covid-19.

Segundo familiares, ela desenvolveu sintomas persistentes da chamada covid longa, além de outros problemas de saúde, que contribuíram para o agravamento de seu quadro clínico.

Ela morreu em 26 de junho de 2026, aos 78 anos.

A doença que mudou a medicina
Antes da vacinação, epidemias de poliomielite deixavam milhares de crianças com sequelas permanentes todos os anos.

Em casos graves, o vírus comprometia os músculos responsáveis pela respiração, tornando indispensável o uso do pulmão de aço.

Com o avanço da vacinação e o desenvolvimento de respiradores modernos, esse equipamento praticamente desapareceu dos hospitais. Hoje, ele é encontrado principalmente em museus ou coleções históricas da medicina.

O que fica dessa história?
A trajetória de Martha Ann Lillard simboliza uma geração que enfrentou uma das doenças mais temidas do século XX antes da existência das vacinas.

Sua história também reforça a importância da imunização, responsável por reduzir drasticamente os casos de poliomielite em grande parte do mundo e evitar que milhares de pessoas enfrentassem as mesmas sequelas.

ENTENDA O CONTEXTO
A poliomielite é uma doença causada por um vírus que pode afetar o sistema nervoso e provocar paralisia permanente. Antes da vacinação em massa, surtos eram frequentes em diversos países e milhares de crianças precisavam de aparelhos como o pulmão de aço para sobreviver. Com a introdução das vacinas na década de 1950, os casos diminuíram drasticamente e muitos países eliminaram a circulação do vírus. Ainda assim, autoridades de saúde reforçam a importância de manter a vacinação em dia para evitar o retorno da doença.

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