Frio derruba temperaturas no Sul e Sudeste e RS se prepara para temporais

Frente fria provoca queda acentuada nas temperaturas e alerta para temporais no Rio Grande do Sul.
Redação NC News
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Uma massa de ar frio derruba as temperaturas no Sul e no Sudeste nesta terça-feira, 14, com mínima próxima de 0°C e risco de geada em áreas serranas. No Rio Grande do Sul, o frio abre caminho para temporais a partir de quinta (16), com rajadas de vento acima de 90 km/h e chuva forte.

Ar polar espalha frio e geada pelo Sul e Sudeste

O dia começa gelado em boa parte do país. No Sul, os termômetros marcam entre 0°C e 4°C em diversas áreas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em baixadas e pontos mais elevados das serras gaúcha e catarinense, a sensação térmica é ainda menor.

“Uma massa de ar frio derruba as temperaturas no Sul e no Sudeste nesta terça-feira (14)”, resume o meteorologista Roberto Peixoto, do g1. O Inmet reforça o alerta para produtores e moradores de regiões rurais. De acordo com o órgão, “prevê condições para geada em uma faixa que inclui o centro-sul do Paraná, grande parte de Santa Catarina e áreas do norte, do centro e da Campanha do Rio Grande do Sul”.

Nas capitais, o cenário não é de neve, mas o frio é persistente. Em Porto Alegre, a madrugada tem nevoeiro e máxima prevista de 19°C à tarde, com sol ajudando a aliviar a sensação de frio intenso. Em Curitiba, o amanhecer também é nublado e úmido, e a temperatura não deve passar de 15°C.

O Sudeste entra na mesma onda fria. Em grande parte de São Paulo e Minas Gerais, as mínimas ficam abaixo de 10°C, especialmente em áreas afastadas do litoral e em regiões serranas. No sul mineiro, cidades como Maria da Fé, Poços de Caldas e Pouso Alegre, além de Campos do Jordão (SP), têm chance de geada isolada nas primeiras horas da manhã.

Na capital paulista, o céu fica carregado ao amanhecer, com muitas nuvens e possibilidade de garoa. O sol aparece pouco, e a máxima prevista é de 18°C, o que mantém a sensação de frio ao longo do dia. No Rio de Janeiro, a umidade que vem do oceano traz chuva fraca intercalada com aberturas de sol, e a temperatura chega a cerca de 22°C. Belo Horizonte também registra tempo firme, com sol entre poucas nuvens e máxima em torno de 22°C.

Contrastes climáticos do Norte ao Nordeste

Enquanto o Sul e o Sudeste se encolhem no frio, o restante do país vive outra realidade. No Centro-Oeste, o tempo firme domina e o frio da madrugada perde força rapidamente. As mínimas ainda ficam perto de 10°C em áreas de Mato Grosso do Sul e do sul de Goiás, mas as tardes esquentam, com temperaturas superando facilmente os 25°C e se aproximando dos 30°C em Cuiabá e no norte de Mato Grosso e de Goiás.

O Nordeste sente os reflexos de uma frente fria em alto-mar, que ajuda a canalizar umidade para a faixa costeira. A chuva se concentra entre Salvador e Porto Seguro, com pancadas por vezes moderadas ou fortes ao longo do dia. Trechos entre o Rio Grande do Norte e Pernambuco, além de pontos do Maranhão, do Piauí e do Ceará, também registram instabilidade, com ventos mais fortes em áreas do litoral.

No Norte, o cenário é de calor e tempo abafado, com umidade elevada. Pancadas de chuva se espalham principalmente entre a tarde e a noite, com maior intensidade no Amazonas e em Roraima, onde há risco de temporais localizados. Em boa parte da região, as mínimas giram em torno de 20°C, enquanto as máximas chegam aos 32°C. Em cidades como Belém, a população sente forte contraste entre o calor e as chuvas rápidas, o que aumenta a sensação de abafamento.

Do frio aos temporais: alerta máximo no Rio Grande do Sul

A queda nas temperaturas não é o único motivo de atenção. A partir de quinta-feira (16/07), o Rio Grande do Sul entra em um novo capítulo da mesma sequência de fenômenos. Com o ar mais frio se afastando, o calor e a umidade voltam a ganhar força sobre o estado, criando ambiente para tempo severo.

“A partir de quinta-feira (16), o calor e a umidade aumentam no Rio Grande do Sul. A mudança favorece a ocorrência de temporais com rajadas acima de 90 km/h”, projeta o Inmet. A previsão inclui risco de granizo e chuva intensa, com possibilidade de alagamentos, queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia em áreas urbanas e rurais.

Entre sábado (18) e segunda-feira (20), o cenário tende a piorar com a manutenção da instabilidade. Um bloqueio atmosférico — quando um sistema de alta pressão impede o avanço de frentes frias e reorganiza os ventos em grande escala — deve segurar as áreas de chuva sobre o estado por vários dias. O Inmet estima acumulados pontuais de até 50 milímetros no período, suficientes para encharcar o solo e aumentar o risco de enxurradas.

Na prática, a Defesa Civil e prefeituras gaúchas precisam conciliar duas frentes de atenção em sequência: a proteção da população mais vulnerável ao frio intenso e, na virada para o fim de semana, a preparação para temporais prolongados. Equipes de manutenção de energia, transporte e limpeza urbana entram em estado de prontidão para eventuais quedas de árvores, deslizamentos em encostas e bloqueios de vias.

Agricultura, saúde e energia sentem os efeitos

O frio forte na madrugada e ao amanhecer preocupa especialmente o campo. Geadas entre 0°C e 4°C em áreas do Sul podem queimar folhas de culturas sensíveis como hortaliças, milho safrinha e frutas em formação, principalmente em baixadas e vales. Pequenos e médios produtores tendem a recorrer a técnicas emergenciais, como irrigação antes do amanhecer e cobertura temporária de canteiros, para tentar reduzir perdas.

Na cidade, o impacto aparece nas contas de luz e na saúde pública. Em capitais como São Paulo, onde o frio se combina com tempo úmido e máxima de apenas 18°C, cresce o uso de aquecedores, chuveiros em temperatura máxima e aparelhos de ar-condicionado no modo aquecimento. Esse comportamento pressiona o sistema elétrico e pode levar a picos de consumo no começo da manhã e à noite.

Os serviços de saúde também ficam em alerta para o aumento de casos de doenças respiratórias, típicas de períodos frios e secos. Idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas enfrentam mais dificuldade para lidar com variações bruscas de temperatura entre ambientes aquecidos e ruas geladas.

No comércio, o frio repentino tende a aquecer as vendas de roupas de inverno, cobertores e aquecedores, especialmente em grandes centros que vinham de semanas mais amenas. Já a perspectiva de temporais fortes no Sul, com rajadas acima de 90 km/h e acumulados de até 50 milímetros, coloca construtoras, concessionárias de energia e empresas de logística em estado de observação, diante do risco de danos a redes elétricas, telhados, armazéns e estradas.

Próximos dias terão alívio do frio e manutenção do risco

A expectativa dos meteorologistas é que o frio mais intenso comece a perder força no Sul já na quarta-feira (15). As madrugadas ainda devem ser geladas, mas as máximas voltam a superar os 20°C em várias áreas, reduzindo o risco de geada. No Sudeste, o resfriamento persiste por mais tempo, mas a tendência também é de elevação gradual das temperaturas ao longo da semana.

No Rio Grande do Sul, a atenção se desloca do termômetro para o radar meteorológico. Com o bloqueio atmosférico previsto e a sequência de temporais entre quinta (16) e o início da semana seguinte, as autoridades locais devem reforçar campanhas de orientação para a população, verificar pontos crônicos de alagamento e revisar planos de contingência.

Os contrastes climáticos desta terça — frio intenso no Sul e no Sudeste, calor úmido e chuva no Norte, instabilidade no litoral do Nordeste — evidenciam o desafio de coordenar respostas rápidas em diferentes realidades. Os próximos dias vão testar a capacidade de estrutura urbana, redes de energia e serviços de saúde de enfrentar, quase ao mesmo tempo, o frio rigoroso e a volta dos temporais.

 

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