A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que autorize o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro na condição de advogado. O pedido foi encaminhado nesta terça-feira (14), após a entidade receber uma representação apresentada por Flávio, que argumenta exercer a defesa técnica do pai.
No documento, a OAB sustenta que a proibição de visitas imposta por Moraes não deveria impedir, de forma absoluta, a comunicação entre advogado e cliente quando o objetivo for exclusivamente o exercício da atividade profissional. A entidade afirma que o pedido tem caráter institucional e busca preservar prerrogativas da advocacia, sem discutir o mérito das decisões judiciais já adotadas no processo.
O que aconteceu?
O pedido da OAB ocorre depois que Alexandre de Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai pelo período de 90 dias.
Além da restrição, o ministro concedeu prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente esclareça a divulgação de uma carta manuscrita atribuída a Jair Bolsonaro, publicada nas redes sociais pelo senador no último fim de semana.
Segundo a decisão, a divulgação do documento pode representar descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
Por que a OAB entrou no caso?
No ofício enviado ao Supremo, a OAB argumenta que Flávio Bolsonaro não atua apenas como filho do ex-presidente, mas também como advogado constituído em sua defesa.
Na avaliação da entidade, essa condição jurídica exige proteção às prerrogativas profissionais garantidas aos advogados, permitindo comunicação pessoal e reservada com o cliente para tratar de assuntos relacionados ao processo.
O documento ressalta que eventual autorização pode ser acompanhada de medidas de cautela definidas pelo próprio ministro Alexandre de Moraes, sem comprometer as demais restrições já determinadas.
A OAB também enfatiza que sua manifestação não representa posicionamento sobre o mérito da investigação ou das medidas cautelares, limitando-se à defesa das garantias previstas para o exercício da advocacia.
O que diz a decisão de Alexandre de Moraes?
Ao analisar o caso, Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai durante 90 dias. A decisão foi tomada após a divulgação de uma carta manuscrita assinada por Jair Bolsonaro. Conforme entendimento do ministro, o conteúdo divulgado poderá ser analisado para verificar eventual descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
Entre essas determinações está a proibição de utilização de redes sociais, seja diretamente ou por intermédio de terceiros.
Segundo a decisão, a defesa deverá apresentar explicações sobre a divulgação do documento dentro do prazo estabelecido pelo Supremo.
O que defende a OAB?
No ofício encaminhado ao STF, a Ordem afirma que:
Flávio Bolsonaro possui atuação formal como advogado do ex-presidente;
a comunicação entre advogado e cliente é uma prerrogativa prevista na legislação;
eventual restrição pessoal não deve impedir completamente o exercício da defesa;
o encontro poderia ocorrer exclusivamente para tratar de assuntos profissionais, sob as condições que o Supremo considerar necessárias.
A entidade reforça ainda que atua em defesa das prerrogativas da advocacia sempre que é provocada por profissionais que alegam restrições ao exercício da profissão, independentemente da identidade das partes envolvidas.
O que acontece agora?
O pedido será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes. Caberá ao relator decidir se mantém integralmente a restrição de visitas ou se admite uma exceção para encontros estritamente profissionais entre advogado e cliente.
Enquanto isso, permanece em vigor a determinação que impede Flávio Bolsonaro de visitar o pai, além do prazo concedido para manifestação da defesa sobre a divulgação da carta.
Entenda o contexto
O caso faz parte das medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal a Jair Bolsonaro no âmbito de investigações em andamento. Entre as determinações está a restrição ao uso de redes sociais, direta ou indiretamente.
A divulgação de uma carta manuscrita pelo senador Flávio Bolsonaro levou o ministro Alexandre de Moraes a determinar a suspensão das visitas e solicitar esclarecimentos da defesa.
Agora, o Supremo deverá decidir se o exercício da advocacia por Flávio Bolsonaro justifica uma exceção à restrição de visitas, conciliando as prerrogativas profissionais dos advogados com as medidas cautelares impostas no processo. Até que haja nova decisão, permanecem válidas as determinações já estabelecidas.