O Republicanos decidiu suspender a filiação do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, conhecido nacionalmente pela forte presença nas redes sociais. A decisão foi tomada após o partido apontar uma possível infidelidade partidária relacionada à participação do prefeito em ações envolvendo o União Brasil.
Com a suspensão, Manga terá cinco dias para apresentar sua defesa ao Comitê de Ética da legenda. O caso ocorre em um momento delicado para o prefeito, que também segue sendo investigado pela Polícia Federal por supostas irregularidades em contratos da área da saúde.
O que aconteceu?
O processo disciplinar foi aberto depois que Rodrigo Manga publicou um vídeo mostrando a nova sede do União Brasil em Sorocaba. Nas imagens, aparecem fotografias do prefeito e de sua esposa, Sirlange Maganhato, estampadas na fachada do imóvel.
Sirlange é presidente do União Mulher no município e vem sendo apresentada como pré-candidata a deputada federal pela legenda.
Para o Republicanos, a participação do prefeito em atos públicos ligados a outro partido pode configurar infidelidade partidária, motivo que levou à suspensão temporária de sua filiação até a conclusão do processo interno.
Agora, o Comitê de Ética deverá analisar a defesa antes de decidir se a punição será mantida, revista ou até ampliada.
Por que Rodrigo Manga ficou conhecido nacionalmente?
Rodrigo Manga ganhou projeção muito além de Sorocaba graças aos vídeos publicados nas redes sociais.
Misturando humor, desafios, memes e anúncios da administração municipal, o prefeito acumulou milhões de visualizações e passou a ser chamado por muitos internautas de “prefeito tiktoker”. A estratégia de comunicação fez seu nome ultrapassar as fronteiras do interior paulista e transformou Manga em uma das figuras políticas mais conhecidas das redes sociais no Brasil.
O que diz o prefeito?
Até a publicação desta reportagem, Rodrigo Manga informou, por meio de sua assessoria, que pretende se manifestar oficialmente sobre a decisão do Republicanos ainda nesta quarta-feira.
A expectativa é de que o prefeito apresente sua versão dos fatos antes do encerramento do prazo concedido pelo Comitê de Ética.
Investigação da Polícia Federal continua em andamento
A suspensão partidária acontece enquanto Rodrigo Manga continua sendo alvo de uma investigação conduzida pela Polícia Federal. A apuração busca esclarecer suspeitas de fraudes em contratos da área da saúde e possíveis desvios de recursos públicos no município de Sorocaba.
Em novembro de 2025, o prefeito chegou a ser afastado do cargo por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu haver risco de interferência nas investigações.
Posteriormente, a defesa recorreu ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Nunes Marques considerou que não havia elementos suficientes para manter o afastamento, entendimento que foi acompanhado pela maioria da Corte. Com isso, Manga permanece no comando da Prefeitura de Sorocaba enquanto o processo segue em tramitação.
É importante destacar que as investigações ainda estão em andamento e não há condenação definitiva contra o prefeito.
O que pode acontecer agora?
Nos próximos dias, o Comitê de Ética do Republicanos analisará os argumentos apresentados por Rodrigo Manga. Ao fim da análise, o partido poderá arquivar o caso, manter a suspensão ou aplicar outras medidas previstas no estatuto da legenda.
O desfecho também pode influenciar os planos políticos do prefeito e de seu grupo para as eleições de 2026, especialmente diante da pré-candidatura de sua esposa ao Congresso Nacional.
Entenda o contexto
Rodrigo Manga foi eleito prefeito de Sorocaba em 2020 e ganhou notoriedade nacional pelo uso intenso das redes sociais para divulgar ações da prefeitura. Nos últimos meses, porém, passou a enfrentar desafios políticos e jurídicos, incluindo uma investigação da Polícia Federal sobre contratos públicos e, agora, um processo disciplinar dentro do próprio partido.
A decisão do Republicanos ainda é interna e dependerá da análise da defesa do prefeito. Paralelamente, a investigação criminal segue seu curso nas instâncias competentes, sem decisão definitiva sobre as acusações.