Apesar de liderar as últimas pesquisas para o Governo do Distrito Federal (GDF), a governadora Celina Leão (PP) vê sua pré-campanha ameaçada por 60% de indecisos. O caos fatal nos hospitais, a crise no BRB e uma polêmica sociedade agropecuária com o ‘rei dos ônibus’ podem custar o Palácio do Buriti em 2026.
A disputa pelo comando da capital federal segue aberta e sem um favorito consolidado. Segundo a mais recente pesquisa do Instituto França, o dado mais alarmante para os candidatos não é quem está na frente, mas o silêncio das urnas: 60,3% dos eleitores não fazem ideia em quem vão votar na pesquisa espontânea.
Em cenários estimulados, a atual governadora Celina Leão lidera com 26,4%, seguida de perto pelo ex-governador José Roberto Arruda (20,2%) e por Leandro Grass (13,7%). Contudo, três graves crises simultâneas na gestão pesam como uma âncora na tentativa de reeleição da governadora e explicam a forte hesitação do eleitorado.
Colapso nos hospitais e a empilhadeira milionária
A saúde pública distrital tornou-se a principal fraqueza do governo. Nas últimas semanas, a tragédia virou rotina no Hospital Regional de Samambaia (HRSAM). Duas mulheres saudáveis morreram após complicações severas no parto.
Casos de negligência e imposição forçada de parto normal chocaram o DF, assim como a morte de um bebê de apenas cinco meses, acidentalmente extubado durante uma transferência hospitalar.
Pressionada pelo desespero das famílias e pela repercussão nas redes, a própria governadora foi obrigada a admitir as falhas publicamente:
“A gente não vai tolerar esse tipo de atendimento nos nossos hospitais. […] Há sim um sucateamento na falta de médicos na rede pública”, afirmou Celina Leão.
O contraste da crise gerou ainda mais indignação. Enquanto as unidades sofrem com a falta de insumos e a “fila da morte”, a Secretaria de Saúde do DF publicou uma licitação controversa para comprar uma empilhadeira elétrica por absurdos R$ 1.054.668,00, sem justificar a cifra astronômica.

O bezerro de meio milhão e o conflito de interesses
Fora das alas de emergência, o Palácio do Buriti tenta apagar incêndios no campo ético. Celina Leão silenciou após a imprensa revelar sua sociedade com Edmundo Pinheiro, empresário dono da Urbi, uma das cinco concessionárias de ônibus que dominam o transporte do DF.
Os dois arremataram juntos, em um leilão de elite, metade de um embrião de gado Nelore avaliado em quase R$ 500 mil. O problema central dessa parceria comercial é a flagrante dependência financeira:
- Subordinação tarifária: A Urbi sobrevive da “tarifa técnica”, um subsídio pago diretamente pelos cofres do GDF para bancar as viações de ônibus.
- Cifras bilionárias: Estima-se que os contratos de transporte público no Distrito Federal movimentem a quantia de R$ 200 milhões todos os meses.
- Silêncio oficial: Abordada por jornalistas, a governadora se recusou a explicar o conflito de interesses, justificando que não trataria do assunto no “período eleitoral”.
O advogado Marco Vicenzo protocolou, na última terça-feira (14), uma representação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) solicitando a abertura de investigação para apurar eventual conflito de interesses envolvendo o caso.
Segundo Vicenzo, a intenção do pedido é que o Ministério Público apure se houve eventual conflito de interesses e verifique se foram respeitados os princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade administrativa e a eventual participação da governadora em decisões relacionadas ao grupo empresarial.
BRB e o alerta nas urnas
Como se não bastasse, os escândalos envolvendo o Banco de Brasília (BRB) também corroem a imagem da gestão. O levantamento do Instituto França revelou que 61,2% dos eleitores afirmam que a crise no banco afeta diretamente a sua decisão de voto, mantendo a polêmica ativa no radar popular.
Embora o instituto Exata OP aponte que Celina venceria simulações de segundo turno contra Arruda (42,7% a 34%) e Grass (45,7% a 36%), o volume massivo de indecisos indica um cenário frágil. Se o governo não estancar o derramamento de crises na saúde e explicar suas alianças milionárias, a dianteira nas pesquisas pode desabar muito antes do dia da eleição.