A pressão sobre a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, acaba de ultrapassar as barreiras da política e chegar à esfera judicial. A polêmica parceria comercial com um dos empresários mais influentes do setor de transporte coletivo local virou alvo de uma representação formal.
O pedido de investigação foi protocolado pelo advogado e jornalista Dr. Marco Vicenzo, logo após a imprensa revelar a sociedade firmada na compra de gado de elite. A denúncia também foi encaminhada ao Ministério Público de Contas para que todos os repasses financeiros e atos administrativos da gestão passem por um pente-fino rigoroso.
A raiz da suspeita: contratos milionários
O centro da controvérsia reside no fato de que o grupo econômico ligado ao sócio da governadora continuou operando normalmente e recebendo quantias volumosas dos cofres públicos. Segundo documentos societários e dados do Portal da Transparência anexados à petição, os pagamentos variam entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões mensais.
“Nós temos uma governadora do DF que é sócia de um empresário que tem contrato no governo do qual ela é chefe. E não são pagamentos pequenos. O montante total chega a quase R$ 200 milhões. Ter sócio com contrato no governo já é, no mínimo, estranho”, argumentou o autor da representação.
Aliados têm argumentado nos bastidores que a sociedade foi firmada quando Celina ainda era vice-governadora. No entanto, o advogado rebate a tese, enfatizando que agora, com a caneta na mão e o comando do governo, o poder de decisão e influência sobre esses repasses mudou completamente de patamar.
O que o MP vai investigar?
A denúncia não acusa a governadora diretamente de corrupção de forma antecipada, mas exige que a Justiça esclareça a natureza legal dessa relação. Os promotores foram acionados para investigar pontos cruciais:
- Atos decisórios: Avaliar se a governadora assinou, chancelou ou influenciou repasses que beneficiaram as empresas do seu sócio.
- Movimentações contratuais: Auditar possíveis aditivos, reequilíbrios econômicos ou pagamentos extraordinários concedidos ao grupo.
- Omissão de impedimento: Verificar se, ao assumir o comando do governo, Celina declarou suspeição em decisões envolvendo o transporte público, como prevê a legislação.
- Quebra de sigilo: O pedido sugere o levantamento do sigilo da governadora para rastrear se houve qualquer tipo de benefício financeiro, direto ou indireto, derivado dessa relação mista.
“Quem não deve, não teme”
O autor da denúncia reforça que o caso exige total transparência perante a sociedade e que não pode ser abafado pelo período eleitoral. Para Vicenzo, suspeitas graves na cúpula do Executivo não se resolvem apenas com silêncio.
“Se existe uma relação entre um agente público e um agente privado, e esse agente privado é beneficiado no governo por conta disso, é muito claro que é corrupção. Tráfico de influência não se descarta por nota oficial, tem que ser comprovado. Quem não deve, não teme”, concluiu o advogado.
O Ministério Público agora analisará os indícios e a viabilidade jurídica para decidir se instaura um inquérito civil oficial, apertando o cerco em torno da gestão no Palácio do Buriti.
A assessoria de imprensa da governadora foi procurada, mas ainda não respondeu à reportagem.