Joaquim Barbosa desiste de disputar a Presidência e expõe racha em partido

Ex-presidente do STF comunicou ao Democracia Cristã (DC) que não será candidato ao Palácio do Planalto por considerar que a legenda não reúne a estrutura necessária para sustentar uma campanha presidencial.
Redação NC News
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O ex-presidente do STF abriu mão de concorrer ao Palácio do Planalto após concluir que o Democracia Cristã (DC) não tem estrutura para bancar uma campanha nacional. A saída precoce do ex-ministro ocorre em meio a uma guerra interna e encerra de vez as especulações sobre a sua participação na disputa eleitoral deste ano.

A corrida presidencial de 2026 sofreu uma baixa de peso nos bastidores do poder. O ex-ministro Joaquim Barbosa comunicou oficialmente à cúpula do Democracia Cristã (DC) que está fora da disputa pelo comando do país.

A decisão, revelada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, foi motivada por um banho de realidade na estrutura da legenda. Barbosa havia se filiado ao partido em abril deste ano com a promessa de ser o grande nome da terceira via, mas concluiu que a sigla é pequena demais e não possui o oxigênio político, o tempo de TV e o fundo eleitoral necessários para sustentar uma candidatura presidencial competitiva.

Exigências frustradas e guerra interna

A passagem relâmpago do ex-magistrado pelo partido foi marcada por tensões e falsas expectativas. Ao assinar a ficha de filiação, o ex-presidente do Supremo havia imposto condições rígidas para colocar o seu bloco na rua: exigia a construção de uma aliança forte, palanques estaduais consolidados e uma campanha estruturada. Nada disso saiu do papel.

Para piorar o cenário, a chegada de Barbosa provocou um verdadeiro racha dentro do Democracia Cristã, gerando ciúme e resistência em alas tradicionais. O lançamento do seu nome revoltou o antigo pré-candidato da sigla, Aldo Rebelo, que se sentiu traído pela direção e ameaçou travar uma batalha judicial interna caso fosse escanteado para dar lugar ao ex-ministro.

O histórico de recuos do xerife do Mensalão

Esta não é a primeira vez que Joaquim Barbosa flerta com as urnas e desiste antes mesmo do apito inicial. O jurista, que se tornou uma das figuras mais populares do país, carrega um histórico de hesitação na política:

  • Projeção nacional: Ganhou fama de “xerife” do país ao relatar com mão de ferro o processo do Mensalão (Ação Penal 470) e presidir o STF entre 2012 e 2014.
  • O recuo de 2018: Foi fortemente cotado para disputar o Planalto pelo PSB, aparecendo com destaque nas pesquisas da época, mas desistiu alegando motivos pessoais.
  • O fantasma de 2026: Repete o roteiro exatos oito anos depois, deixando o partido sem rumo e sem o seu principal puxador de votos.

Com o desembarque definitivo de Joaquim Barbosa, o Democracia Cristã mergulha em uma crise de identidade profunda. O partido perde a sua única chance de ter protagonismo nos debates nacionais e agora corre contra o tempo para tentar colar os pedaços do racha interno, sem saber se terá forças para lançar qualquer outro nome na disputa presidencial.

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