A Justiça de São Paulo determina, em 14 de julho, que o filho de 10 anos da advogada Karina de Paula Kufa passe a morar com o pai, Amilton Augusto da Silva Júnior. A decisão reverte provisoriamente a guarda após o casamento de Karina com o empresário Thiago Antonio Brennand Tavares da Silva Fernandes Vieira, condenado por crimes graves contra mulheres.
Decisão sob o argumento de proteção
O juiz responsável afirma, na liminar, que a convivência da criança com Brennand representa risco ao bem-estar do menino. A decisão destaca a folha de antecedentes do empresário, com condenações e acusações consideradas “extremamente graves” e marcadas por “requintes de crueldade”, inclusive em relação a um dos próprios filhos.
Esse histórico, somado à repercussão pública das denúncias de violência contra mulheres, pesa na avaliação de que o ambiente criado após o casamento de Karina não oferece segurança suficiente à criança. O tribunal aplica o princípio do melhor interesse do menor, que orienta decisões de família quando há risco apontado por um dos responsáveis.
Na prática, o menino deixa a casa da mãe e segue para a residência do pai, em São Paulo. A mudança vale inclusive depois do período de férias escolares, o que reforça o caráter de proteção imediata. A guarda é provisória, mas altera de forma brusca a rotina e o vínculo cotidiano da criança com Karina.
Reação do pai: ‘Isso não é normal’
Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta sábado, 18 de julho, Amilton Augusto da Silva Júnior rompe o silêncio e justifica o pedido de guarda. Ao lado da atual mulher, a empresária Val Marchiori, ele diz que não poderia ignorar o novo casamento da ex-mulher com Brennand, que está preso.
“Me senti na obrigação de falar uma coisa: a minha ex-mulher decidiu se casar com um sujeito que está preso, condenado por vários crimes, entre eles o crime horrendo de estupro. Eu, enquanto pai, não poderia fingir que nada está acontecendo. Eu não poderia dormir tranquilo sabendo que meu filho está no meio dessa situação”, afirma.
Amilton diz que seguirá na Justiça para proteger o menino e contesta a normalidade do cenário criado após o casamento. “Vou tomar todas as medidas possíveis dentro da legalidade para protegê-lo. Eu não seria coerente nem comigo nem com ele se achasse que isso é algo normal. Isso não é algo normal. Uma criança não precisa passar por isso”, declara.
O pai sustenta que a união de Karina com Brennand é incompatível com a segurança e a estabilidade emocional do filho. O vídeo, publicado após a decisão vir a público, reforça que ele pretende manter a disputa judicial mesmo depois de obter a guarda provisória.
Karina fala em ‘violência’ e politização
Karina Kufa, conhecida por ter integrado equipes jurídicas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e por defender nomes da direita, reage com dureza. Em declaração à imprensa, ela classifica a decisão de São Paulo como “uma violência” e associa o episódio à forma como sua vida privada é tratada.
“É uma violência e um ataque misógino por uma escolha privada que fiz de casar e que não vai interferir na minha atuação como mãe. Estou trabalhando para conseguir recuperar a guarda do meu filho”, afirma.
A advogada é também responsável pela defesa criminal de Thiago Brennand. A relação profissional antecede o casamento, que vira o gatilho para o pedido de mudança de guarda. A união, revelada recentemente, ganha dimensão política porque Karina se projeta nacionalmente ao atuar em causas de grande repercussão, como a defesa de integrantes da família Bolsonaro.
Nas redes sociais, ela já definiu o deputado Eduardo Bolsonaro como “um amigo leal e verdadeiro”, com “capacidade de diálogo” e de “apaziguar conflitos” que o tornava um “verdadeiro líder”. Em 2024, funda o grupo Os Garantistas, que reúne advogados, defensores públicos, procuradores, delegados e outros operadores do direito identificados com pautas conservadoras. De orientação evangélica, costuma compartilhar a fé e a rotina com os filhos com frequência.
Condenações de Brennand entram no centro do caso
O nome de Thiago Brennand já está associado, há meses, a denúncias de agressões físicas, psicológicas e sexuais contra mulheres. As acusações chegam aos tribunais, resultam em condenações e o levam à prisão, após grande exposição na imprensa.
O juiz da Vara de Família cita a gravidade desse histórico para justificar a retirada da guarda de Karina, ainda que em caráter liminar. O magistrado registra que as agressões contra mulheres com quem Brennand se relacionou tiveram “ampla divulgação na mídia” e menciona episódios descritos como especialmente cruéis. O conjunto de elementos leva à conclusão de que a convivência entre o empresário e o menino, dentro do mesmo núcleo familiar, não é compatível com o melhor interesse da criança.
Organizações que atuam na proteção da infância acompanham de perto o caso. Nos bastidores, juristas apontam que o processo pode se tornar referência para situações em que o novo parceiro de um dos pais tem condenações por violência doméstica ou sexual. A discussão central é se esse histórico, por si só, justifica restringir ou reordenar a guarda dos filhos.
Impacto sobre a criança e debate jurídico
A mudança de guarda afeta primeiro a vida do menino. Aos 10 anos, ele precisa reorganizar a rotina escolar, o círculo de amizades e o convívio com irmãos e parentes, agora sob a guarda direta do pai. Psicólogos especializados em direito de família, ouvidos reservadamente por entidades da área, apontam que o desafio é proteger a criança sem romper, de forma abrupta e permanente, o vínculo com a mãe.
No plano jurídico, a decisão reforça a leitura de que o passado criminal de um novo cônjuge pode pesar de maneira decisiva em disputas de guarda. A mensagem é que o direito de reorganizar a vida afetiva de um dos pais encontra limites na proteção integral dos filhos, sobretudo quando há condenações por violência contra mulheres.
Para Karina, o efeito é duplo: perde temporariamente a guarda e enfrenta desgaste público, justamente em um momento em que sua imagem se ancora na defesa de garantias individuais e em pautas conservadoras. Para Amilton, a decisão representa um respaldo institucional à narrativa de que age para blindar o filho de um ambiente considerado instável e perigoso.
A disputa, porém, está longe do fim. A equipe de Karina prepara recursos para reverter a liminar e tenta mostrar que o convívio do filho com Brennand pode ser controlado ou mediado. Amilton, por sua vez, promete novas medidas judiciais, inclusive pedidos adicionais de proteção, caso considere que o menino corra qualquer risco.
Próximos passos e sinais para outros casos
Os próximos capítulos dependem das instâncias superiores da Justiça paulista, que podem manter, reformar ou modular a decisão sobre a guarda. Perícias psicológicas, estudos sociais e relatórios de órgãos de proteção à infância devem ganhar peso nas próximas fases do processo.
Em paralelo, o caso já alimenta debates em escritórios de advocacia, varas de família e conselhos tutelares. A discussão sobre qual é o limite entre a vida privada dos pais e o dever do Estado de intervir quando há risco à criança tende a se intensificar.
A visibilidade do processo, somada à figura pública de Karina Kufa e ao histórico de Thiago Brennand, indica que o litígio não ficará restrito aos autos. A forma como os tribunais consolidarem esse entendimento pode influenciar futuras decisões sobre guarda em famílias marcadas por antecedentes de violência contra mulheres e por disputas políticas cada vez mais polarizadas.
Quem é Karina Kufa e qual sua relação com Thiago Brennand?
Karina Kufa é advogada ligada a figuras da direita e fundadora do grupo Os Garantistas. Ela defende Thiago Brennand em processos criminais e recentemente se casou com ele.
Por que Karina Kufa perdeu a guarda do filho após se casar com Thiago Brennand?
A Justiça de São Paulo entendeu que o histórico de condenações de Brennand por crimes graves contra mulheres cria risco ao bem-estar do menino, e concedeu a guarda provisória ao pai.
Quem é Thiago Brennand, marido de Karina Kufa?
Thiago Brennand é empresário condenado por crimes graves contra mulheres, alvo de diversas acusações de agressões e estupro, que ganharam ampla repercussão na imprensa.
Como ficou a guarda do filho de Karina Kufa após o casamento com Brennand?
Em decisão liminar de 14 de julho, o juiz determinou que o menino de 10 anos passasse a morar provisoriamente com o pai, Amilton Augusto da Silva Júnior, em São Paulo.
O que disse o pai do filho de Karina Kufa sobre a guarda da criança?
Amilton afirmou em vídeo que a situação “não é normal” e que tomará “todas as medidas possíveis dentro da legalidade” para proteger o filho da convivência com Brennand.
Qual foi a decisão da Justiça sobre a guarda do filho de Karina Kufa?
A Justiça retirou provisoriamente a guarda de Karina e determinou que a criança fique com o pai, sob o argumento de proteger o melhor interesse do menor diante do histórico de Brennand.