A proposta ‘inaceitável’ dos EUA para perdoar a taxa do Brasil

Planalto recusa pedido de Donald Trump para zerar impostos de empresas americanas. Acordo exigia intervenção no PIX e foi classificado como indigno.
Redação NC News
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O governo brasileiro foi surpreendido por uma série de exigências agressivas vindas dos Estados Unidos. Para que a administração de Donald Trump sequer considerasse a possibilidade de aliviar o novo “tarifaço” imposto contra os produtos nacionais, o Brasil teria que abrir mão de sua soberania econômica em setores absolutamente vitais para o desenvolvimento interno.

As autoridades americanas deixaram claro que qualquer redução das barreiras comerciais estaria rigorosamente condicionada a uma contrapartida que beneficiaria de forma quase exclusiva as grandes empresas dos EUA. Essa manobra revelou um pacote de exigências que acendeu um alerta vermelho imediato em Brasília, gerando indignação e a recusa sumária por parte dos negociadores do país.

 As exigências na mesa de negociação

Durante as recentes rodadas de conversa, os enviados de Washington apresentaram uma lista pesada de concessões que o governo brasileiro precisaria engolir para selar um acordo. O ponto central era a isenção total de tarifas para que gigantes americanos pudessem atuar sem freios no mercado nacional.

A pressão da Casa Branca mirou diretamente os seguintes pontos estratégicos:

* Exigência de tarifa zero imediata para empresas dos setores químico, automotivo, aeroespacial e de bens industriais;
* Fim completo e irrestrito das taxas sobre a importação do etanol americano;
* Garantia formal de que o Brasil não irá regulamentar as grandes plataformas digitais, as chamadas Big Techs;
* A inclusão do PIX — o sistema de pagamentos mais popular e bem-sucedido do país — na pauta de exigências comerciais.

Uma proposta “indigna”

A resposta do Palácio do Planalto foi categórica e rápida. Integrantes do alto escalão do governo avaliaram a proposta dos americanos como uma verdadeira afronta institucional e financeira. Nos bastidores de Brasília, o pacote de condições foi tratado abertamente como algo “indigno” e completamente “inaceitável” para os interesses e a proteção da economia nacional.

> “A aceitação dessas exigências causaria um impacto devastador na economia brasileira, com prejuízos muito maiores do que os causados pelas próprias taxas de exportação impostas por Trump.”

Segundo os cálculos iniciais divulgados pela equipe econômica, o tarifaço americano vai atingir diretamente cerca de 18% de tudo o que o Brasil exporta hoje para os Estados Unidos. No entanto, mesmo com esse grande prejuízo já precificado, os analistas do governo entenderam que ceder à pressão causaria um colapso irreversível na competitividade da indústria do Brasil.

Disputa política e o futuro do acordo

A nova taxação americana entra em vigor oficialmente no dia 22 de julho. Desde que a medida punitiva foi anunciada, a diplomacia tentou reverter o cenário de todas as formas. Já foram realizados mais de 30 contatos oficiais, englobando videoconferências, ligações telefônicas e encontros presenciais de alto nível envolvendo ministros, técnicos e a própria presidência.

No cenário interno, a decisão gerou fortes atritos. A oposição aponta que houve falhas graves na condução diplomática e responsabiliza o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela crise instalada. Em contrapartida, os defensores do governo afirmam que a retaliação possui um claro caráter “ideológico” e “político”.

A avaliação final é que o Departamento de Estado dos EUA está utilizando a balança comercial como ferramenta de retaliação, dificultando o avanço das conversas em um ano de fortes disputas eleitorais no Brasil.

A estratégia traçada agora pelo Planalto é manter a frieza e o pragmatismo. O governo tentará segurar os canais de diálogo abertos, com o foco exclusivo em mitigar os impactos para os exportadores afetados. A ordem interna é não permitir que a emoção domine as negociações e acompanhar de perto os movimentos dos atores americanos, que, segundo negociadores brasileiros, buscam apenas pretextos para fragilizar o país no mercado internacional.

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