O apito da final da Copa do Mundo de 2026 está nas mãos de um dos nomes mais polêmicos do cenário esportivo mundial. O experiente árbitro esloveno Slavko Vincic, de 46 anos, escalado pela Fifa para comandar a tensa decisão entre Espanha e Argentina neste domingo (19), virou o centro das atenções globais por motivos que extrapolam — e muito — as quatro linhas do gramado.
Alvo de duras críticas por sua atuação conivente com as faltas e por ter anulado um gol da seleção espanhola durante o tempo regulamentar do jogo, Vincic carrega um histórico pesado. A sua trajetória até o MetLife Stadium, em Nova York, é marcada por graves escândalos policiais na Europa e decisões questionáveis que já revoltaram gigantes do futebol mundial, como a Seleção Brasileira e o Real Madrid.
A prisão em cabana na Bósnia
O episódio mais obscuro da vida do árbitro ocorreu em maio de 2020, durante o auge da pandemia. Vincic foi detido por forças policiais em Bijeljina, na Bósnia, sob a forte suspeita de integrar uma rede criminosa internacional focada no tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo e agenciamento de prostituição.
No momento da batida policial, o juiz da Fifa foi flagrado em uma propriedade rural isolada. O cenário encontrado pelas autoridades era de flagrante delito. As apreensões na cabana incluíram:
- Dez pistolas de grosso calibre prontas para uso;
- Diversas porções de cocaína e medicamentos controlados;
- Cerca de 10 mil euros em dinheiro vivo (equivalente a R$ 16 mil na época);
- A presença de 26 homens e nove mulheres na propriedade rústica.
Vincic foi levado imediatamente à delegacia, interrogado pelas autoridades, mas acabou liberado após as investigações iniciais concluírem que ele não era membro oficial da organização. Em sua defesa, o esloveno alegou que estava no local errado por pura ingenuidade.
“Estava neste rancho por acaso. Fui à Bósnia para uma reunião de negócios. Aceitei um convite para almoçar, o que acabou sendo meu maior erro. Não tenho nada a ver com o grupo que foi preso”, justificou o árbitro ao jornal esloveno Vecer logo após ser solto.
O terror do Real Madrid e a “Lei Vini Jr.”
Se fora de campo o histórico assusta os torcedores, dentro dos gramados as decisões de Slavko Vincic também costumam terminar em confusão generalizada. Na edição passada da Champions League, o esloveno tirou os jogadores do Real Madrid do sério durante a eliminação do clube espanhol contra o Bayern de Munique. Ele expulsou o volante Camavinga aplicando dois cartões amarelos em um curtíssimo intervalo de apenas oito minutos. A postura inflexível gerou protestos públicos de astros como Vini Jr., Fede Valverde e Jude Bellingham ainda no gramado.
Na atual Copa do Mundo da América do Norte, a grande final é apenas o seu quarto jogo apitado, mas a sua passagem já deixou marcas severas de indisciplina. O currículo de Vincic no torneio inclui:
- Brasil 1×1 Marrocos: Apitou a tensa estreia brasileira, irritando os jogadores e distribuindo cartões amargos para Ibañez e Casemiro;
- Jordânia 1×2 Argélia: Comando burocrático da partida na fase de grupos;
- México 2×0 Equador: Única partida em que sacou o cartão vermelho, expulsando o equatoriano Hincapié com base na nova “Lei Vini Jr.”, que pune atletas por cobrirem a boca com a mão durante discussões para esconder insultos.
Apesar da ficha extensa de controvérsias e da pressão colossal das comissões técnicas da Europa e da América do Sul, a Fifa bancou a sua escalação na final. No gramado de Nova York, o árbitro tenta impor a ordem contando com o auxílio direto de seus compatriotas Tomaz Klancnik e Andraz Kovacic nas bandeiras, além do comando de vídeo do alemão Bastian Dankert na cabine do VAR.