Ditador Nicolás Maduro fala à Justiça dos EUA hoje em Nova York

Acordo preliminar entre a acusação e a defesa foi apresentado antes da audiência em Manhattan. O ex-ditador venezuelano alega ser "prisioneiro de guerra".
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O processo criminal de maior repercussão da história recente da Justiça norte-americana começou a ter seus primeiros prazos desenhados. Em petição conjunta enviada ao tribunal federal de Manhattan nesta quarta-feira, 23, os promotores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a equipe de defesa do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro propuseram que o julgamento pelas acusações de narcotráfico tenha início em junho de 2027.

O documento estabelece um cronograma preliminar para as próximas fases da batalha judicial, que incluirá pedidos formais de arquivamento por parte da defesa antes da abertura dos debates finais no júri. A palavra final sobre o calendário do processo caberá ao juiz distrital Alvin Hellerstein.

Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão presos desde janeiro de 2026 em um presídio federal no Brooklyn, Nova York. Foto: ReproduçãoO Cronograma de Recursos e a Tese de Imunidade

O acordo entre acusação e defesa prevê uma série de etapas burocráticas e jurídicas nos próximos meses para organizar a análise de provas e petições:

  • 2 de setembro de 2026: Prazo para a defesa apresentar a primeira rodada de recursos jurídicos tentando arquivar o caso, sob a tese principal de que Maduro deveria gozar de imunidade diplomática por ser chefe de um Estado soberano;
  • Análise de provas sigilosas: Os promotores deverão entregar os elementos de convicção e documentos confidenciais para revisão dos advogados do réu;
    11 de janeiro de 2027: Data limite para a apresentação da segunda rodada de recursos da defesa antes do julgamento final.

Captura em Caracas e Prisão no Brooklyn

Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos desde janeiro deste ano em um presídio federal no Brooklyn, Nova York. O casal foi capturado em janeiro de 2026 durante uma operação noturna secreta conduzida por Forças Especiais dos EUA em Caracas e transportado imediatamente para território americano. Ambos se declararam inocentes de todas as acusações.

Durante sua primeira audiência em solo americano, em 5 de janeiro, Maduro classificou a si mesmo como um “prisioneiro de guerra” e acusou Washington de orquestrar sua deposição para assumir o controle das vastas reservas de petróleo da Venezuela.

Por outro lado, o governo dos Estados Unidos — que deixou de reconhecer a legitimidade do regime de Maduro em 2019 — classifica o venezuelano como um ditador corrupto responsável pela ruína econômica do país e por fraudes maciças nas eleições de 2018 e 2024. O caso segue sob custódia rigorosa enquanto as autoridades norte-americanas preparam as provas que fundamentam a acusação de tráfico internacional de drogas.

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