Flávio Bolsonaro volta a falar sobre urnas, e TSE rebate declarações sobre sistema eleitoral

Durante encontro com diplomatas, pré-candidato à Presidência mencionou suposta ligação entre o sistema eleitoral brasileiro e a empresa venezuelana. Justiça Eleitoral afirma que a informação é falsa e campanha diz que fala foi descontextualizada.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a fazer declarações sobre a segurança das urnas eletrônicas durante um encontro com representantes diplomáticos realizado em Brasília, nesta terça-feira (21).

Na ocasião, o parlamentar afirmou que as urnas brasileiras teriam relação com a empresa venezuelana Smartmatic e citou um suposto relatório da CIA sobre vulnerabilidade em sistemas eletrônicos de votação. As alegações, no entanto, já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O evento reuniu representantes de quase 50 países e organizações internacionais na série “Debatendo o Brasil”, promovida pelo Novo Selo de Comunicação em parceria com o The Brazilian Report. Durante a apresentação, Flávio pediu que as próximas eleições brasileiras contem com um número maior de observadores internacionais e especialistas em tecnologia para acompanhar o processo eleitoral.

O que disse Flávio Bolsonaro

Durante a reunião, o senador afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teriam origem na mesma empresa responsável pelos equipamentos usados na Venezuela e mencionou um relatório da agência de inteligência americana (CIA) sobre supostas vulnerabilidades em processos eleitorais eletrônicos no país.

Apesar das declarações, Flávio afirmou aos diplomatas que não estava questionando o sistema de votação brasileiro. Segundo ele, o objetivo era defender o envio de mais observadores internacionais para acompanhar as eleições de 2026 e contribuir para ampliar a transparência do processo eleitoral.

Ao comentar a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador voltou a afirmar que o pai apenas manifestou preocupações sobre a segurança do sistema eleitoral durante a reunião com embaixadores realizada em 2022.

TSE rebate alegações

As declarações sobre a Smartmatic contrariam as informações já divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Em nota, o TSE afirma que é falsa a informação de que a empresa forneça urnas eletrônicas ou softwares utilizados nas eleições brasileiras. Segundo o tribunal, todo o projeto da urna eletrônica e do sistema eletrônico de votação foi desenvolvido e é administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral.

O tribunal esclarece ainda que a Smartmatic nunca forneceu urnas nem participou da programação dos equipamentos utilizados no Brasil. A atuação da empresa limitou-se ao treinamento de profissionais responsáveis pelo suporte técnico e operacional das eleições.

O TSE também informou anteriormente que o sistema eletrônico brasileiro utiliza meios próprios e criptografados para transmissão de dados, sem conexão com a internet durante a votação, e que, em mais de duas décadas de utilização, não houve registro de fraude ou manipulação comprovada do resultado das eleições.

Além disso, a Corte explicou que a Smartmatic chegou a participar da licitação para fabricação das urnas eletrônicas em 2020, mas foi derrotada pela Positivo. Em outros momentos, a empresa prestou apenas serviços de conexão de dados e voz ao tribunal.

Campanha diz que fala foi descontextualizada

Após a repercussão das declarações, a equipe de pré-campanha de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que o senador “não questionou a integridade do sistema de votações no Brasil”.

Segundo o comunicado, o pré-candidato apenas mencionou o contexto que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro e defendeu o fortalecimento das missões internacionais de observação eleitoral.

A nota afirma ainda que a fala foi retirada de contexto e sustenta que a intenção do senador era contribuir para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência e a confiança pública nas eleições.

Assinado pelo próprio Flávio Bolsonaro, pelo coordenador da pré-campanha, Rogério Marinho, e pela coordenadora jurídica, Maria Claudia Bucchianeri, o texto reafirma a confiança da campanha no sistema eleitoral braisleiro e defende a participação de observadores internacionais no pleito.

Caso remete à condenação de Jair Bolsonaro

As declarações ocorrem quatro anos após a reunião promovida pelo então presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, em julho de 2022, quando apresentou, sem provas, suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Na ocasião, Bolsonaro utilizou a estrutura do Palácio da Alvorada para repetir alegações que já haviam sido contestadas por órgãos oficiais. O episódio levou o TSE a condená-lo por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível até 2030.

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