O mercado financeiro calibrou suas expectativas para a aviação latino-americana nesta semana. O BTG Pactual reforçou sua recomendação de compra para as ações (ADRs) da Latam Airlines Brasil negociadas em Nova York, elevando o preço-alvo de US$ 52,56 para US$ 72.
A projeção técnica do banco indica um potencial de valorização de 37% nos próximos 12 meses. Somando-se a estimativa de dividendos de 1,9%, o retorno total ao investidor pode encostar na marca de 38,9%. O otimismo dos analistas está ancorado em uma drástica mudança na operação da companhia: o abandono de uma expansão dispersa em favor de uma estratégia altamente seletiva.
O Novo Mapa de Prioridades
A direção da Latam decidiu realocar aviões, tripulações e capacidade operacional para terminais que concentram conexões estratégicas e bilhetes de maior valor agregado. A empresa deixou de se preocupar em marcar presença em todos os aeroportos para focar exclusivamente na rentabilidade de seus principais centros de distribuição.
Confira como o redesenho afeta a operação nos principais terminais do país no segundo trimestre:
Guarulhos (SP)
- Capacidade (assentos): crescimento de 17%.
- Fluxo de passageiros: avanço de 11%.
- Cenário estratégico: consolida-se como o maior hub de conexões internacionais.
Brasília (DF)
- Capacidade (assentos): crescimento de 14%.
- Fluxo de passageiros: avanço de 10%.
- Cenário estratégico: assume o papel de hub regional preferencial e ponto de distribuição nacional.
Congonhas (SP)
- Capacidade (assentos): crescimento de 5%.
- Fluxo de passageiros: queda de 2%.
- Cenário estratégico: perde prioridade para voos corporativos de curta distância.
Santos Dumont (RJ)
- Capacidade (assentos): estável.
- Fluxo de passageiros: queda de 2%.
- Cenário estratégico: registra redução relativa da operação, com forte perda de espaço.
A estratégia reflete diretamente a lógica aplicada no Chile, onde a companhia expandiu agressivamente sua capacidade doméstica (10%), alcançando 67% de participação nas rotas internas, enquanto recuou 5% no fluxo de passageiros no aeroporto internacional de Santiago.
Pressão do Querosene e a Disputa Regional
Apesar do cenário favorável desenhado para a Bolsa de Valores, a tese de investimento não ignora as turbulências no horizonte do setor aéreo.
- Custos em Alta: A administração da companhia projeta que as despesas adicionais com o querosene de aviação possam ultrapassar a marca de US$ 700 milhões ao longo do ano, pressionadas pelas tensões geopolíticas globais;
- Teto Tarifário: O repasse integral da alta do combustível para as passagens esbarra no limite do consumidor. Com a tarifa média doméstica girando em torno de R$ 641 até maio, novos aumentos agressivos podem afugentar a demanda;
- Céus Abertos: O recente acordo de integração aérea entre Brasil, Argentina, Chile e Paraguai traz novas oportunidades de voos, mas também acirra a concorrência;
- Disputa de Gigantes: O fortalecimento do Grupo Abra (controlador da concorrente Gol e da Avianca), com a encomenda de novas aeronaves, promete intensificar a disputa comercial por rotas regionais e de menor demanda.
Nos próximos meses, os investidores acompanharão de perto a evolução do preço do petróleo e os desdobramentos da concorrência nos grandes hubs para confirmar se a decolagem financeira da Latam sairá do papel.