Bomba no governo Tarcísio: escolha para Fundação ABC vira alvo de investigação do MP

Governador afirma que escolha de médico para comandar a Fundação ABC atendeu a pedido de prefeitos do ABC Paulista, enquanto Ministério Público questiona contratação ligada ao Hospital Emílio Ribas e pede o fim do contrato.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou que seu governo foi responsável por indicar o médico Aldemir Humberto Soares para a presidência da Fundação ABC (FUABC), entidade que atualmente é alvo de uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A apuração está relacionada à contratação da fundação para administrar a terceirização de profissionais de saúde no Hospital Emílio Ribas, um dos principais hospitais estaduais.

A declaração do governador chama atenção porque um dos principais pontos analisados pelo Ministério Público envolve justamente a atuação de Soares antes de assumir o comando da fundação. Segundo a investigação, ele participou da abertura do chamamento público que, meses depois, resultou na contratação da própria FUABC para prestar os serviços.

O que motivou a investigação?

A ação do Ministério Público questiona a legalidade da contratação da Fundação ABC para assumir a gestão de profissionais de UTI e enfermaria do Hospital Emílio Ribas.

Segundo a investigação, em dezembro de 2025, quando ainda ocupava o cargo de coordenador na Secretaria Estadual da Saúde, Aldemir Humberto Soares autorizou a abertura do chamamento público para selecionar a entidade responsável pela terceirização.

Pouco tempo depois, ele deixou a função no governo e assumiu a presidência da Fundação ABC, que acabou sendo escolhida para administrar o contrato em março de 2026. Para o Ministério Público, essa sequência de acontecimentos merece apuração para verificar se houve violação aos princípios da impessoalidade, da moralidade administrativa e do interesse público.

 

O que disse Tarcísio?

Ao comentar o caso, Tarcísio afirmou que sua participação ocorreu apenas para solucionar um impasse político envolvendo os municípios que controlam a Fundação ABC.

Segundo o governador, os prefeitos de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul pediram ao governo estadual a indicação de um nome com experiência em gestão hospitalar.

De acordo com ele, Aldemir Humberto Soares foi escolhido justamente por possuir experiência na administração da rede estadual de saúde.

A declaração marca a primeira confirmação pública de que a indicação partiu da gestão estadual.

Por que o caso ganhou repercussão?

O principal questionamento do Ministério Público não está apenas na indicação de Soares para a presidência da fundação.

A investigação procura esclarecer se existiu conflito de interesses, já que o médico participou do processo administrativo que abriu caminho para a contratação da entidade antes de assumir seu comando.

Além disso, a ação aponta que havia concursos públicos homologados para contratação de profissionais da saúde quando o governo optou pela terceirização dos serviços. Por esse motivo, o MPSP pede à Justiça o encerramento do contrato firmado entre o Estado e a Fundação ABC.

O que acontece agora?

O processo ainda está em andamento e não há decisão definitiva da Justiça.

A investigação busca esclarecer se houve irregularidades na condução do procedimento administrativo e na contratação da fundação.

Até o momento, não há condenação relacionada ao caso. Os fatos seguem sob análise do Ministério Público e serão apreciados pela Justiça, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa dos envolvidos.

Entenda o contexto

A Fundação ABC é uma entidade tradicional na gestão de serviços públicos de saúde no ABC Paulista e também administra contratos em outras regiões do estado.

O caso ganhou destaque porque envolve uma sequência de decisões administrativas que, segundo o Ministério Público, pode ter comprometido princípios da administração pública. A promotoria sustenta que a contratação da fundação precisa ser reavaliada e pede o encerramento do contrato firmado com o governo paulista.

Já o governador Tarcísio de Freitas afirma que a indicação do presidente da entidade ocorreu a pedido dos prefeitos da região e teve como critério a experiência do médico na administração hospitalar.

A Justiça ainda deverá analisar os argumentos apresentados por todas as partes antes de decidir se houve ou não irregularidade no caso.

Carregar Comentários