Datafolha 2026: Lula lidera disputa pelo presidente do Brasil por 5 pontos

Pesquisa Datafolha revela cenário equilibrado entre Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno presidencial.
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a dianteira na corrida presidencial de 2026. Pesquisa Datafolha indica 48% das intenções de voto em um segundo turno contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL), em um cenário marcado por estabilidade e alta rejeição a ambos.

Disputa apertada, rejeição alta

Os números reforçam uma polarização consolidada entre governo e bolsonarismo, apesar da sucessão de crises na campanha do senador pelo Rio. Em votos totais, a distância de 5 pontos coloca Lula em posição de vantagem, mas mantém a eleição em aberto, com espaço para oscilações entre indecisos e brancos e nulos.

No primeiro turno, em um quadro com 12 pré-candidatos, Lula aparece com 40% e Flávio, com 32%. Os demais nomes seguem distantes. Ronaldo Caiado (PSD) marca 4%, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) têm 3% cada. Augusto Cury (Avante) aparece com 2%, enquanto Samara Martins (UP), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Rui Costa Pimenta (PCO) registram 1% cada. Heitor Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB) e Leonardo Avalanche (PRTB) não pontuam. Eleitores indecisos somam 3%, e 8% declaram voto nulo, em branco ou em ninguém.

O estudo foi feito com 2.004 eleitores em 139 municípios, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01166/2026. “O cenário é de estabilidade ante junho, mostrando baixo impacto em intenção de voto da crise política da campanha do senador pelo Rio”, afirma Igor Gielow, diretor do Datafolha.

Crises no campo bolsonarista

A pesquisa mede o efeito de um conjunto de problemas na campanha de Flávio Bolsonaro. O senador enfrenta desgaste pela revelação de relações próximas com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, envolvido no financiamento de um filme elogioso a Jair Bolsonaro. O caso abre nova frente de investigação sobre a origem e o destino dos recursos.

Ao mesmo tempo, conflitos familiares expõem fraturas no núcleo político bolsonarista. Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, grava vídeo em que se queixa duramente do enteado e põe em dúvida sua relação com o clã. Ela deixa a chefia do PL Mulher e coloca em xeque a própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

Flávio reage mal no primeiro momento, nega tratar mal mulheres e reforça a crítica justamente diante de um eleitorado que lhe é hostil. “O senador viu sua vantagem numérica sobre Lula se inverter, e o petista ganhou algum fôlego”, resume Gielow. A reconciliação pública entre enteado e madrasta vem depois, com pedido de desculpas e resposta em vídeo de Michelle, mas o estrago político ainda não está claro.

A montagem da chapa de Flávio se torna mais difícil. Aliados potenciais evitam se associar a uma campanha sob ataque simultâneo de denúncias financeiras, crise familiar e problemas jurídicos herdados do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado e ainda figura central do bolsonarismo.

Tarifaço americano e fake news ampliam desgaste

No intervalo entre as pesquisas, o Brasil volta a ser alvo de um tarifaço imposto pelos Estados Unidos, retomando medidas punitivas associadas ao entorno político de Bolsonaro. Integrantes do clã apoiam a primeira rodada das sobretaxas, apostando em pressão externa para influenciar decisões do Judiciário. O cálculo falha, e Lula explora o tema sob o slogan da soberania nacional.

Flávio tenta se reposicionar, critica o tarifaço e afirma que as medidas favorecem o atual presidente. A narrativa não cola com a mesma força. O episódio reativa memórias de alinhamento automático da família Bolsonaro à agenda de Donald Trump, que parte do eleitorado vê como submissão.

A crise se aprofunda quando o senador repete, diante de diplomatas estrangeiros, acusações falsas contra as urnas eletrônicas. A cena remete ao comportamento do pai, cuja campanha sistemática de desinformação sobre o sistema eleitoral resulta em inelegibilidade e posterior prisão. O Datafolha vai a campo no dia seguinte à fala, e o efeito imediato nas intenções de voto é quase nulo, o que reforça a ideia de um eleitorado já cristalizado.

Força de Lula entre mulheres e no Nordeste

Em meio ao empate técnico ampliado pela margem de erro, Lula encontra uma âncora essencial em segmentos específicos. “50% das mulheres, que compõem 52% da amostra, preferem Lula num segundo turno, ante 40% que declaram voto no senador”, diz Gielow. O recorte de gênero amplia a vantagem do petista num grupo que costuma definir eleições majoritárias.

No mapa regional, o presidente se apoia sobretudo no Nordeste, onde mantém desempenho superior à média nacional, e entre eleitores de menor renda e escolaridade. Entre católicos, também aparece à frente. Flávio concentra força na classe média que ganha entre 2 e 5 salários mínimos, no Sul e entre evangélicos, bloco que segue sendo o principal pilar eleitoral do bolsonarismo.

A rejeição, porém, pesa sobre os dois lados. Segundo o Datafolha, 48% dos eleitores dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio, enquanto 46% afirmam o mesmo em relação a Lula. Nenhum dos outros pré-candidatos ultrapassa 13% de rejeição. O dado indica que há pouco espaço para crescimento orgânico dos líderes sem movimentos calculados para furar bolhas e dialogar com o eleitor moderado.

Estabilidade aparente, eleição em aberto

Do ponto de vista estatístico, pouco muda desde o início da pré-campanha. A consolidação de Flávio como principal adversário de Lula aparece também na pergunta espontânea: sem apresentação de nomes, 30% citam o presidente, e 17% lembram do senador. O embate direto se torna a régua da disputa.

Em simulações de segundo turno, Lula também venceria hoje Caiado, por 47% a 40%, e Zema, por 48% a 40%. Na leitura do Datafolha, a fotografia reforça a vantagem do presidente, mas não permite projeções definitivas. “É preciso 50% mais um voto para vencer, mas o dado precisa ser lido com cautela, pois os 8% de nulo/branco/ninguém apontados agora tendem a cair perto do pleito”, afirma Gielow.

Mercado político e econômico acompanham a pesquisa como termômetro de risco. A possibilidade de manutenção do atual governo sinaliza continuidade de políticas e prioridades, enquanto uma vitória de Flávio representaria retomada da agenda do bolsonarismo, com incertezas sobre relação com instituições, política externa e regras fiscais. A estabilidade dos números, mesmo sob bombardeio de crises, sugere que o eleitorado já conhece bem os dois projetos e reage menos a fatos novos.

Nos comitês de campanha, a ordem é reforçar bases e disputar o centro. Petistas contam com o desempenho econômico e a pauta social para reduzir rejeição e ampliar vantagem entre mulheres e no Nordeste. O PL procura conter danos das crises, profissionalizar a comunicação e evitar novas frentes de atrito com o sistema eleitoral e o Judiciário.

Até o dia da votação, o cenário tende a seguir pressionado por fatores externos, como a política comercial dos Estados Unidos, e internos, como eventuais delações, novas investigações e o comportamento de Jair Bolsonaro em meio aos processos que enfrenta. A fotografia de hoje mostra estabilidade, mas o filme da campanha ainda reserva margem para sobressaltos, sobretudo se algum dos lados errar o cálculo na disputa pelo eleitor que, por enquanto, prefere se manter à distância da briga.

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