O açaí produzido no Amapá acaba de conquistar um dos mercados mais disputados do mundo. Uma cooperativa de produtores agroextrativistas do estado assinou um contrato para exportar 15 mil toneladas do fruto à China até 2031, em um acordo que pode impulsionar a economia regional e ampliar a presença da bioeconomia amazônica no comércio internacional.
A parceria foi fechada pela Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Bailique e Beira Amazonas (Amazonbai) durante a Sial China, considerada a maior feira de alimentos da Ásia. O contrato prevê o fornecimento de toda a produção da cooperativa pelos próximos cinco anos para a segunda maior rede de distribuição de alimentos do país asiático.
Como o acordo foi fechado
A negociação ocorreu em Xangai, onde dezenas de empresas brasileiras participaram da feira internacional em busca de novos mercados. A Amazonbai integrou a missão brasileira com apoio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), dentro da estratégia Rotas de Integração Nacional, que busca fortalecer cadeias produtivas da Amazônia.
O contrato é visto como um dos mais importantes já firmados pela cooperativa, garantindo demanda para a produção até 2031 e ampliando as perspectivas de renda para centenas de famílias que vivem do extrativismo do açaí no estado.
Exportações ainda dependem de certificação
Apesar da assinatura do contrato, os embarques comerciais ainda dependem da obtenção da certificação GACC, licença exigida pelo governo chinês para autorizar a entrada de alimentos produzidos no exterior. Somente após essa etapa as exportações poderão começar efetivamente.

O que muda para o Amapá
O acordo fortalece a posição do Amapá como um dos principais produtores de açaí do Brasil e pode abrir portas para novos negócios envolvendo produtos da sociobiodiversidade amazônica.
Além de ampliar o mercado internacional para o fruto, a expectativa é de geração de renda, valorização da produção extrativista e fortalecimento das cooperativas locais, incentivando o desenvolvimento sustentável da região.
Entenda o contexto
A China é um dos maiores consumidores de alimentos do mundo e vem ampliando o interesse por produtos naturais e sustentáveis. O contrato firmado pela Amazonbai representa um passo importante para a internacionalização do açaí amapaense e reforça o potencial da bioeconomia da Amazônia no mercado global. Caso a certificação necessária seja concluída, a cooperativa terá mercado garantido para sua produção pelos próximos anos, consolidando um dos maiores acordos internacionais já fechados pelo setor no estado.