Marcola, Fernandinho Beira Mar, Marcinho VP: veja quanto custa para PF mantê-los presos

Sistema de segurança máxima abriga 461 presos ligados ao crime organizado, incluindo 159 chefes de facções; custo médio por detento bate recorde histórico
Redação NC News
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Manter líderes de facções criminosas e presos considerados de alta periculosidade nas penitenciárias federais de segurança máxima custa cada vez mais aos cofres públicos. Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostram que o Sistema Penitenciário Federal (SPF) consumiu R$ 279,3 milhões em 2025, o maior gasto da série recente.

O levantamento revela ainda que o custo médio anual por preso chegou a R$ 46.462,44, o maior valor registrado desde 2020. Atualmente, o sistema abriga 461 detentos ligados a organizações criminosas, dos quais 159 são apontados como líderes de facções em nível regional ou nacional.

Quanto custa manter um preso no sistema federal?

Os dados da Senappen mostram uma alta gradual no custo médio por detento ao longo dos últimos anos.

Confira a evolução:

  • 2020 (julho a dezembro): R$ 25.256,83
  • 2021: R$ 31.294,71
  • 2022: R$ 39.724,26
  • 2023: R$ 43.783,41
  • 2024: R$ 41.861,52
  • 2025: R$ 46.462,44

Nos dois primeiros meses de 2026, o custo anualizado informado pelo órgão ficou em R$ 46.208,88, indicando manutenção do patamar elevado.

Gastos do sistema cresceram quase R$ 90 milhões

Além do aumento do custo por preso, as despesas totais do Sistema Penitenciário Federal também cresceram de forma significativa.

Segundo a Senappen, os gastos passaram de R$ 191,9 milhões em 2021 para R$ 279,3 milhões em 2025.

Veja a evolução:

  • 2021: R$ 191,9 milhões
  • 2022: R$ 225 milhões
  • 2023: R$ 256,2 milhões
  • 2024: R$ 239,3 milhões
  • 2025: R$ 279,3 milhões

Somente entre janeiro e fevereiro de 2026, as despesas já alcançaram R$ 51,9 milhões.

Quem está preso nas penitenciárias federais?

O Sistema Penitenciário Federal conta com cinco presídios de segurança máxima, localizados em:

Brasília (DF);
Catanduvas (PR);
Campo Grande (MS);
Mossoró (RN);
Porto Velho (RO).

Segundo a Senappen, essas unidades recebem principalmente líderes de organizações criminosas e presos considerados de alta periculosidade.

Atualmente, há integrantes de 37 organizações criminosas custodiados no sistema, incluindo grupos como Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Família do Norte (FDN), Guardiões do Estado (GDE), Bonde do Maluco, Sindicato do Crime, Terceiro Comando Puro (TCP) e diferentes organizações milicianas.

Como funciona a separação dos presos?

De acordo com a Senappen, todos os detentos são distribuídos conforme critérios previstos na Lei de Execução Penal, incluindo a separação por facções criminosas.

O objetivo é reduzir conflitos internos e preservar a segurança das unidades.

Segundo o órgão, nunca foram registrados homicídios ou rebeliões provocados por disputas entre facções nas penitenciárias federais de segurança máxima.

A secretaria atribui esse resultado ao modelo de segregação adotado e aos protocolos de segurança aplicados nas unidades.

O que não foi divulgado?

A Senappen informou que parte das informações solicitadas por meio da Lei de Acesso à Informação não foi divulgada por envolver atividades de inteligência penitenciária e segurança pública.

Entre os dados classificados como restritos estão detalhes sobre protocolos operacionais, distribuição histórica de presos por facção e informações relacionadas a conflitos internos.

Entenda o contexto

Criado para isolar lideranças do crime organizado e presos de alta periculosidade, o Sistema Penitenciário Federal reúne atualmente 461 detentos ligados a organizações criminosas. Ao longo dos últimos anos, o custo para manter essas unidades aumentou de forma contínua, refletindo investimentos em segurança, infraestrutura e controle dos presos. Enquanto o governo destaca que o modelo evita rebeliões e confrontos entre facções, o crescimento das despesas reacende o debate sobre os custos do combate ao crime organizado e da manutenção do sistema prisional de segurança máxima.

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