Redes de aliciamento de menores na internet adotam estrutura semelhante a facções criminosas; entenda como agem

Investigações apontam grupos com líderes, divisão de tarefas e atuação em diferentes plataformas para atrair crianças e adolescentes, aplicar chantagens e espalhar conteúdos ilegais.
Redação NC News
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Grupos criminosos que atuam no ambiente digital passaram a adotar uma organização parecida com a de facções tradicionais, com hierarquia, funções definidas e comando interno para aliciar e extorquir crianças e adolescentes pela internet. A informação faz parte de investigações da Polícia Civil de São Paulo, que identificaram estruturas com líderes, administradores, moderadores e outros integrantes responsáveis por diferentes etapas das ações criminosas.

Segundo os investigadores, o aliciamento não começa necessariamente em aplicativos de conversa usados pelos grupos, mas muitas vezes acontece antes, em ambientes frequentados por crianças e adolescentes, como jogos online e redes sociais. Após conquistar a confiança das vítimas, criminosos podem usar ameaças e chantagens para obter imagens íntimas e manter o controle sobre elas.

Como funcionam essas redes digitais?
A Polícia Civil aponta que esses grupos possuem uma divisão de tarefas semelhante à de organizações criminosas: alguns integrantes atuam na administração das comunidades, outros fazem a moderação, recrutamento ou controle das interações.

As investigações indicam que plataformas como jogos online, aplicativos de mensagens e comunidades digitais podem ser usadas como portas de entrada para o contato inicial com menores. O Discord, por exemplo, aparece como um ambiente usado para organização interna dos grupos, enquanto outros aplicativos são utilizados para comunicação e troca de conteúdos.

A delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, chefe do Núcleo de Operações e Articulações Digitais (NOAD), afirmou que os investigadores identificaram uma cadeia de comando organizada, com funções específicas para cada participante.

O que é a sextorsão e como as vítimas são pressionadas?
Depois de criar uma relação de confiança, criminosos podem tentar obter fotos, vídeos ou informações pessoais das vítimas.

Com esse material em mãos, começam ameaças de divulgação e cobranças para que adolescentes enviem novos conteúdos ou realizem ações determinadas pelos criminosos. Esse tipo de crime é conhecido como sextorsão.

As investigações analisadas apontam casos envolvendo vítimas de diferentes estados brasileiros, mostrando que o problema não está restrito a uma única região do país.

Por que os criminosos usam jogos e redes sociais?
Aplicativos e jogos populares entre crianças e adolescentes oferecem ambientes com grande circulação de usuários e facilidade de interação.

Segundo especialistas e autoridades, criminosos aproveitam justamente essa proximidade para criar vínculos, se passar por outras pessoas e ganhar a confiança das vítimas antes de avançar para ameaças e extorsões.

Por isso, especialistas alertam que pais e responsáveis devem acompanhar mudanças de comportamento, conversas online e o uso de plataformas digitais pelos menores.

Existe uma estrutura financeira por trás dos grupos?
Além da violência contra as vítimas, as investigações apontam uma possível estrutura de obtenção de dinheiro envolvendo moedas virtuais, criptomoedas e comercialização ilegal de dados e conteúdos criminosos.

A apuração indica que alguns grupos buscavam transformar a exploração em uma atividade organizada, com comunidades fechadas e mecanismos de troca de materiais ilegais.

O que as autoridades estão fazendo?
A Polícia Civil de São Paulo afirma que operações contra essas redes já identificaram centenas de alvos e prisões relacionadas a crimes cometidos no ambiente digital.

O desafio, segundo investigadores, é acompanhar uma estrutura que muda rapidamente de plataforma e utiliza diferentes ferramentas para dificultar a identificação dos responsáveis.

ENTENDA O CONTEXTO
O avanço da tecnologia criou novas formas de comunicação, mas também abriu espaço para criminosos explorarem a vulnerabilidade de crianças e adolescentes.

As investigações mostram que esses grupos deixaram de atuar apenas como indivíduos isolados e passaram a montar estruturas organizadas, com divisão de funções e estratégias para alcançar novas vítimas.

O alerta das autoridades é que o combate precisa envolver investigação especializada, cooperação das plataformas digitais e acompanhamento constante de pais e responsáveis sobre a presença de menores na internet.

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