Uma manhã comum terminou em tragédia na Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), entre Campinas e Jaguariúna. Um motorista morreu após perder o controle do carro e atingir em alta velocidade a estrutura de uma praça de pedágio, provocando o desabamento parcial da cobertura e assustando quem passava pelo local.
O acidente aconteceu por volta das 9h50 de domingo, no km 123 da rodovia. Além da morte do condutor, a colisão atingiu outros veículos e reacendeu o debate sobre a segurança de um pedágio que já acumula o maior número de acidentes fatais entre as rodovias concedidas do estado de São Paulo.
Como o acidente aconteceu?
Segundo informações da concessionária Renovias, o motorista dirigia um Fiat Punto quando atravessou uma área zebrada da praça de pedágio, onde não há passagem autorizada para veículos.
O carro bateu contra uma barreira de concreto, foi lançado para o alto e atingiu uma placa de sinalização suspensa antes de colidir contra uma das vigas que sustentam a cobertura da praça.
A força do impacto derrubou parte da estrutura sobre as cabines de atendimento. Telhas, concreto e outros destroços atingiram dois veículos que passavam pelo local.
Apesar da gravidade da cena, as sete pessoas que estavam nesses automóveis não ficaram feridas.
O motorista do Fiat Punto foi socorrido em estado grave e levado ao Hospital Municipal de Jaguariúna, mas não resistiu aos ferimentos.

Pedágio já é o mais perigoso do estado
A tragédia não aconteceu em um ponto qualquer da rodovia. Dados da Artesp mostram que a praça de pedágio localizada entre Campinas e Jaguariúna lidera o ranking de mortes entre todas as praças de pedágio das rodovias estaduais paulistas.
O histórico impressiona:
4 mortes;
135 acidentes;
46 pessoas feridas.
Somente no primeiro semestre deste ano já foram registrados dez acidentes no local, número que representa mais da metade de todas as ocorrências contabilizadas durante o ano passado.
Os dados reforçam a preocupação de especialistas e motoristas que utilizam diariamente a SP-340.
O que torna esse pedágio tão perigoso?
Especialistas apontam que diversos fatores contribuem para o elevado número de acidentes. Entre eles estão:
curva antes da praça de pedágio;
trecho em declive;
necessidade de reduzir a velocidade rapidamente;
sinalização considerada insuficiente;
distração dos motoristas;
uso de celular ao volante;
fadiga durante a condução.
A combinação desses fatores reduz o tempo de reação do condutor e aumenta o risco de colisões de grande impacto.
Pressão por mudanças aumenta
Após o acidente, parte da praça de pedágio precisou ser interditada para avaliações estruturais. A concessionária mantém apenas algumas cabines em funcionamento enquanto engenheiros analisam os danos provocados pela batida.
O acidente também aumenta a pressão sobre a Renovias e a Artesp para que sejam adotadas medidas capazes de reduzir novos acidentes.
Entre as propostas defendidas por especialistas estão:
- reforço da sinalização muito antes da chegada ao pedágio;
- instalação de sonorizadores na pista;
- revisão dos limites de velocidade;
- melhorias na geometria da via;
- novos dispositivos para obrigar a redução gradual da velocidade.
O que muda para quem passa pela SP-340?
Quem utiliza a rodovia já enfrenta reflexos do acidente. A redução no número de cabines abertas provoca filas e exige atenção redobrada na aproximação do pedágio.
Além disso, a tragédia deve acelerar estudos para mudanças na estrutura da praça, considerada há anos um dos pontos mais críticos da malha rodoviária paulista.
Entenda o contexto
O acidente volta a colocar em discussão a segurança das praças de pedágio em rodovias brasileiras.
Embora o excesso de velocidade e a desatenção estejam entre as principais causas de colisões, especialistas defendem que características da infraestrutura também podem aumentar o risco de acidentes graves.
No caso da SP-340, o histórico de ocorrências faz crescer a cobrança por intervenções que reduzam a velocidade dos veículos antes da chegada ao pedágio e ofereçam mais tempo de reação aos motoristas.
Enquanto mudanças não são implementadas, o local continua sendo apontado como a praça de pedágio mais perigosa do estado de São Paulo.