Dormir com o cachorro na cama, receber lambidas ou dividir o sofá com o gato faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Mas um estudo recente voltou a chamar atenção para um tema pouco discutido: a possibilidade de transmissão de bactérias entre animais de estimação e seres humanos.
Os pesquisadores identificaram que cães, gatos e seus tutores podem compartilhar algumas bactérias, inclusive cepas resistentes a antibióticos. Apesar disso, especialistas destacam que o risco para pessoas saudáveis é considerado baixo e não há motivo para afastar os pets do convívio familiar. O principal alerta é para reforçar medidas simples de higiene e uso responsável de antibióticos.

Como ocorre a transmissão?
As bactérias podem ser compartilhadas por meio do contato próximo entre animais e pessoas.
Situações comuns, como permitir que o pet lamba o rosto, dormir na mesma cama ou compartilhar ambientes por longos períodos, facilitam a troca da microbiota — conjunto de microrganismos naturalmente presentes na pele, na boca e em outras partes do corpo.
Isso, porém, não significa que a pessoa ficará doente. Na maioria dos casos, essas bactérias convivem de forma natural com o organismo e não provocam problemas de saúde.
Quem corre mais risco?
Segundo especialistas, a maior preocupação envolve pessoas com o sistema imunológico comprometido, como:
idosos;
recém-nascidos;
pacientes em tratamento contra o câncer;
transplantados;
pessoas com doenças que reduzem a imunidade.
Nesses casos, bactérias oportunistas podem causar infecções com maior facilidade, especialmente se forem resistentes aos antibióticos disponíveis.
É preciso evitar contato com os animais?
Não.
Os especialistas são categóricos ao afirmar que não há recomendação para afastar cães e gatos da família.
Os benefícios da convivência com os animais — incluindo melhora da saúde mental, redução do estresse e incentivo à atividade física — continuam sendo muito superiores aos riscos para a maioria das pessoas.
O cuidado deve estar na prevenção.
Como reduzir o risco?
Algumas medidas ajudam a diminuir a possibilidade de transmissão de bactérias:
lavar as mãos após recolher fezes ou limpar a caixa de areia;
manter a vacinação e a vermifugação dos pets em dia;
realizar consultas veterinárias periódicas;
evitar automedicação de animais com antibióticos;
procurar atendimento médico ou veterinário em caso de infecções recorrentes.
Essas ações fazem parte do conceito de Saúde Única (One Health), que considera a saúde humana, animal e ambiental como interligadas.
ENTENDA O CONTEXTO
Pesquisas têm mostrado que humanos e animais de estimação podem compartilhar microrganismos devido ao convívio diário. Isso inclui algumas bactérias que apresentam resistência a antibióticos, um dos principais desafios da saúde pública mundial.
Especialistas, no entanto, ressaltam que esse compartilhamento não significa que as pessoas desenvolverão doenças. Para a maioria da população, a convivência com cães e gatos continua sendo segura, desde que sejam mantidos hábitos de higiene, acompanhamento veterinário e uso responsável de medicamentos.