A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) ganhou uma dimensão política e fiscal após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, responsabilizar o governo do Distrito Federal, controlador da instituição, pela situação provocada por operações bilionárias com o Banco Master.
Segundo Durigan, os negócios que envolveram cerca de R$ 30 bilhões entre as duas instituições representam um grave problema de governança e podem ter causado prejuízos bilionários ao banco público.
O ministro afirmou que a União não deve assumir a responsabilidade pelo impacto financeiro e defendeu que a solução passe pelo próprio Distrito Federal, acionista controlador do BRB.
O que aconteceu com o BRB?
A crise teve origem em uma série de operações realizadas entre o BRB e o Banco Master entre 2024 e 2025. Nesse período, o banco público brasiliense adquiriu carteiras de crédito e ativos financeiros que passaram a ser questionados durante investigações.
O BRB estima que, dentro do volume total de negócios realizados, cerca de R$ 8,8 bilhões envolvam créditos considerados problemáticos, sem recuperação garantida ou sob suspeita de irregularidades.
O caso passou a chamar atenção de órgãos de controle e autoridades após a avaliação de que parte das operações poderia comprometer a saúde financeira da instituição.
Por que Dario Durigan responsabiliza o governo do DF?
O ministro da Fazenda afirma que o BRB pertence ao governo do Distrito Federal, que é o principal acionista da instituição. Segundo Durigan, eventuais prejuízos decorrentes da gestão do banco não devem ser transferidos automaticamente para o governo federal.
“O BRB é um banco cujo acionista principal é o governo do DF, que dilapidou o patrimônio, seja do DF seja do banco”, afirmou o ministro.
A declaração abriu uma disputa política entre governo federal e administração distrital sobre quem deve responder pelos efeitos financeiros da crise.
O que representa o socorro de R$ 6,6 bilhões?
Para tentar estabilizar o BRB, o Distrito Federal busca uma operação de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação recebeu autorização judicial e depende da estruturação do plano de recuperação da instituição.
O valor representa uma parcela significativa da capacidade financeira do Distrito Federal e pode comprometer parte da Receita Corrente Líquida do governo local. O impacto preocupa porque o BRB tem funções estratégicas no DF, incluindo:
- pagamento de servidores públicos;
- participação em programas sociais;
- financiamento habitacional;
- oferta de crédito para empresas e consumidores.
O caso dos R$ 12 milhões e a acusação de “crime”
Um dos episódios citados por Dario Durigan envolve uma operação de aproximadamente R$ 12 milhões. Segundo o ministro, o BRB teria transferido o valor ao Banco Master e recebido em troca documentos que não apresentavam valor econômico correspondente.
Durigan usou a expressão “guardanapo” para ilustrar o que classificou como uma operação sem respaldo. A afirmação faz parte da avaliação política do governo federal sobre o caso. A confirmação de eventuais irregularidades depende das investigações conduzidas pelos órgãos responsáveis.
Polícia Federal investiga operações entre BRB e Banco Master
A crise também entrou no campo policial. A Polícia Federal abriu investigação para apurar possíveis fraudes envolvendo operações financeiras entre instituições. A operação, chamada Compliance Zero, investiga suspeitas relacionadas a negócios realizados no sistema financeiro.
Como consequência das apurações, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso em uma etapa da investigação. A PF apura se houve falhas de governança, descumprimento de regras internas ou participação de gestores em operações consideradas irregulares.
Até o momento, os investigados têm direito à defesa e a conclusão depende do avanço das investigações.
Quem é Dario Durigan?
Dario Durigan é o ministro da Fazenda do governo federal e participa da condução da política econômica brasileira. No caso do BRB, ele atua como representante do governo federal no debate sobre os impactos fiscais da crise e defende que a responsabilidade principal pela instituição é do governo do Distrito Federal.
Suas declarações aumentaram a pressão política sobre a administração distrital e colocaram a governança de bancos públicos regionais no centro do debate.
Por que a crise do BRB preocupa o governo do DF?
O BRB não é apenas uma instituição financeira. O banco tem papel importante na estrutura administrativa do Distrito Federal. Uma eventual deterioração da instituição poderia afetar:
- serviços bancários para servidores;
- programas administrados pelo governo local;
- crédito imobiliário;
- financiamento de empresas;
- confiança de investidores.
Por isso, a crise deixou de ser apenas um problema bancário e passou a representar também um desafio fiscal e político.
O impacto para o contribuinte do Distrito Federal
A principal preocupação envolve os efeitos de longo prazo do socorro financeiro. Caso o plano de recuperação tenha sucesso, o BRB poderá continuar operando com uma estrutura fortalecida e controles mais rígidos.
Por outro lado, se a recuperação dos ativos problemáticos ficar abaixo do esperado, o Distrito Federal poderá enfrentar maior pressão sobre o orçamento público.
O debate envolve recursos que poderiam ser destinados a áreas como:
- saúde;
- educação;
- segurança;
- investimentos públicos.
O que acontece agora?
A recuperação do BRB depende de uma série de etapas:
- análise do plano pelo Fundo Garantidor de Créditos;
- conclusão das investigações da Polícia Federal;
- avaliação dos ativos considerados problemáticos;
- definição de responsabilidades administrativas e judiciais.
O futuro da instituição dependerá da capacidade de recuperar recursos, fortalecer controles internos e restabelecer a confiança do mercado.
Entenda o contexto
O caso BRB mostra como problemas de governança em bancos públicos podem ultrapassar o setor financeiro e atingir diretamente a administração pública.
Diferentemente de bancos privados, instituições controladas por governos estaduais ou distritais possuem uma relação direta com políticas públicas e orçamento dos seus acionistas.
A crise atual coloca em discussão os mecanismos de controle, a escolha de dirigentes, a fiscalização de operações de alto valor e o limite entre decisões estratégicas e riscos financeiros.
O desfecho dependerá das investigações e da capacidade do BRB de recuperar sua estabilidade sem ampliar o impacto sobre as contas públicas do Distrito Federal.