Pesquisa da Unicamp pode mudar o tratamento da calvície; técnica também abre caminho para ajudar pacientes com câncer

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros multiplica folículos capilares em laboratório usando células do próprio paciente e pode ampliar as opções para quem hoje não pode fazer transplante capilar.
Redação NC News
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Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pode representar um avanço importante no tratamento da calvície e na recuperação capilar de pacientes submetidos à quimioterapia. A tecnologia permite multiplicar folículos capilares em laboratório a partir de uma pequena amostra retirada do próprio paciente, aumentando a quantidade de fios disponíveis para futuros procedimentos.

Embora os resultados iniciais sejam considerados promissores, a técnica ainda está em fase de desenvolvimento. Os pesquisadores trabalham na etapa pré-clínica e estimam concluir essa fase em cerca de 18 meses, antes de iniciar os testes em seres humanos.

Como funciona a nova técnica?

O procedimento começa com a retirada de uma pequena quantidade de folículos capilares do paciente — normalmente entre 50 e 120 unidades.

Em seguida, essas células são levadas ao laboratório, onde passam por um processo de multiplicação. Depois, os pesquisadores organizam essas células em estruturas capazes de dar origem a novos folículos e, consequentemente, a novos fios de cabelo.

Por utilizar material biológico do próprio paciente, a técnica reduz significativamente o risco de rejeição imunológica.

Por que a descoberta pode ser um marco?

Hoje, o transplante capilar tradicional depende da existência de uma área doadora com quantidade suficiente de folículos saudáveis.

Em casos de calvície muito avançada, muitos pacientes deixam de ser candidatos ao procedimento justamente por não possuírem essa reserva de cabelos.

Com a nova tecnologia, uma pequena quantidade de folículos poderia ser multiplicada em laboratório, aumentando o número de fios disponíveis para transplante e ampliando as possibilidades de tratamento.

Tecnologia também pode beneficiar pacientes com câncer

Os pesquisadores acreditam que a técnica poderá ter outra importante aplicação na medicina.

A proposta é coletar e armazenar folículos capilares antes do início da quimioterapia. Após o tratamento oncológico, essas células poderiam ser multiplicadas em laboratório para auxiliar na recuperação dos cabelos perdidos durante o tratamento.

A estratégia ainda depende da validação científica nas próximas etapas da pesquisa, mas é vista como uma possibilidade promissora para reduzir um dos efeitos colaterais que mais afetam emocionalmente muitos pacientes.

Quando a tecnologia poderá chegar aos pacientes?

Apesar do entusiasmo em torno da descoberta, o tratamento ainda não está disponível.

Os pesquisadores seguem na fase pré-clínica, que inclui testes de segurança e eficácia antes da autorização para estudos em humanos.

A expectativa é que essa etapa seja concluída em aproximadamente 18 meses. Depois disso, caso os resultados continuem positivos e haja aprovação dos órgãos reguladores, terão início os testes clínicos.

Somente após todas essas fases será possível avaliar quando a tecnologia poderá ser incorporada à prática médica.

Entenda o contexto

A calvície afeta milhões de brasileiros e pode ter diferentes causas, incluindo fatores genéticos, hormonais, doenças e tratamentos médicos. Atualmente, o transplante capilar é uma das principais alternativas para casos mais avançados, mas depende da existência de uma área doadora suficiente.

A tecnologia desenvolvida pela Unicamp busca superar justamente essa limitação ao permitir a multiplicação de folículos em laboratório. Se os próximos estudos confirmarem a segurança e a eficácia da técnica, ela poderá ampliar o acesso aos tratamentos capilares e beneficiar também pacientes que perderam os cabelos em decorrência da quimioterapia.

 

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