Romeu Zema desconversa ao ser questionado sobre possível indulto a Bolsonaro

Oficializado candidato à Presidência pelo Partido Novo, ex-governador de Minas Gerais adota tom de linha dura na segurança pública, mas silencia ao ser questionado por jornalistas sobre perdão ao ex-presidente.
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Na Convenção Nacional do Partido Novo, a consolidação da candidatura de Romeu Zema à Presidência da República ficou marcada por um forte contraste: a empolgação com pautas de segurança pública e o silêncio diante de temas politicamente delicados.

Pressionado pela repórter Maria Paula Meira, do NC News, durante o evento —  sobre um possível indulto presidencial a Jair Bolsonaro caso seja eleito —, Zema recusou-se a responder e esquivou-se do assunto.

Se em relação ao indulto o candidato optou pela omissão, o tom mudou radicalmente em relação ao Judiciário. Zema voltou a disparar duras críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma clara sinalização ao eleitorado conservador e bolsonarista.

A contradição na busca pelo vice

Apesar da ofensiva direta contra o STF, os bastidores da convenção destacaram uma negociação inusitada. O nome mais cotado para compor a chapa como candidato a vice-presidente é o de Joaquim Barbosa, ex-presidente da própria Suprema Corte.

Zema teceu elogios públicos a Barbosa, demonstrando abertura para o aliança. O Partido Novo tem até o dia 5 de agosto para definir e registrar oficialmente a chapa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Alcatraz da Selva” e tolerância zero ao crime

O pilar central do discurso de Zema foi a pauta da segurança pública. Inspirado no modelo implementado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato detalhou propostas radicais para o sistema prisional e o combate às facções:

  • Enquadramento como terrorismo: Promessa de classificar organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho na categoria de grupos terroristas.
  • Mega presídio na Amazônia: Construção de uma unidade de segurança máxima isolada no meio da Floresta Amazônica, inspirada no centro de confinamento de El Salvador (Cecot) e em modelos da Guiana Francesa. A estrutura visa cortar qualquer comunicação dos chefões do crime com o mundo exterior.
  • Penas mais duras: Fixação de pena mínima de 25 anos para integrantes de facções, sem direito a benefícios progressivos.
  • Maioridade penal: Defesa do fim da idade mínima de 18 anos para responsabilização criminal plena, sob a premissa de que “crime de adulto deve ser punido como adulto”.

“Prefiro bandido preso do que bandido na rua”, resumiu Zema ao sintetizar a diretriz de sua plataforma eleitoral.

Com a estratégia traçada para 2026, o ex-governador aposta no antipetismo e no endurecimento penal para se firmar como o principal nome da direita, enquanto busca calibrar a retórica contra o STF para acomodar alianças políticas mais amplas.

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