A Polícia Federal (PF) desencadeou, nesta terça-feira, três operações simultâneas nos estados de Alagoas e do Ceará. As ações têm como foco o combate à corrupção em contratos públicos, o descumprimento de leis eleitorais e a interferência de facções criminosas nas disputas políticas locais.
O avanço das investigações resultou no afastamento cautelar de servidores públicos, no bloqueio de bens e na apreensão de dinheiro em espécie e moedas estrangeiras, pressionando redes políticas em pleno ano eleitoral.
Operação Delivery (AL): Propina e desvios em obras escolares
Em Alagoas, a Operação Delivery cumpriu seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Murici e Maceió. A investigação teve origem na prisão em flagrante de um homem portando R$ 270 mil em dinheiro vivo no final do ano passado, revelando um esquema de favorecimento em licitações de reformas e construções de escolas.
Segundo o relatório da PF, o esquema envolvia a solicitação de vantagens indevidas por parte de agentes públicos e o vazamento de informações privilegiadas.
- Bloqueio de bens: A Justiça determinou o sequestro de bens no valor total de R$ 1.301.762,59.
- Afastamentos: Servidores públicos suspeitos foram suspensos do exercício de suas funções para impedir a continuidade da gestão dos contratos.
- Valores apreendidos: Agentes recolheram R$ 123 mil em moeda nacional, além de dólares, euros e libras esterlinas — montante equivalente a R$ 178.048,31.
Operações no Ceará: Coação eleitoral e crime organizado
No estado do Ceará, as ações da Polícia Federal desdobraram-se em duas frentes distintas:
1. Operação Eleições 2022 (Iguatu)
Focada em apurar denúncias relativas ao último pleito geral, a operação investiga práticas de compra de votos, ameaças, perseguição e coação de eleitores no interior cearense. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos para recolher documentos e mídias digitais que ajudem a identificar candidatos e cabos eleitorais beneficiados pelo esquema.
2. Operação Coactio (Ocara e Horizonte)
Conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão para apurar a tentativa de infiltração de grupos criminosos na disputa pelas eleições municipais de 2024 em Ocara. As autoridades apuram se facções ligadas ao tráfico e à extorsão tentavam assumir o controle de prefeituras e contratos estratégicos.
Impactos administrativos e desdobramentos
As operações da Polícia Federal geraram impacto imediato nas administrações municipais atingidas. O afastamento de servidores e o bloqueio de bens em Murici tendem a paralisar temporariamente o cronograma de obras escolares na região, enquanto a apuração sobre o crime organizado no Ceará reconfigura alianças e coloca candidaturas locais sob escrutínio.
O material apreendido — que inclui computadores, telefones celulares e documentos — passará por perícia técnica. A PF e o Ministério Público Eleitoral não descartam o pedido de novas medidas cautelares, ações de impugnação de mandato e processos de ineligibilidade à medida que a análise das provas avançar.