O Conselho Curador do FGTS aprova hoje a distribuição de R$ 13,04 bilhões do lucro do fundo para 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em contas vinculadas. O repasse garante rentabilidade total de 6,90% em 2025, acima da inflação, e será creditado automaticamente até 31 de agosto de 2026.
Crédito cai na conta, mas segue travado pelas regras de saque
A decisão afeta, de uma só vez, quem tem ou teve carteira assinada e mantinha qualquer valor no FGTS em 31 de dezembro de 2025, em contas ativas ou inativas. O dinheiro entra como rendimento extra, mas continua preso às mesmas condições tradicionais de saque, como demissão sem justa causa, aposentadoria ou compra da casa própria.
Segundo o g1, “o Conselho Curador do FGTS aprovou nesta terça-feira (28) a distribuição de R$ 13,04 bilhões do lucro do fundo para 138,2 milhões de trabalhadores que têm saldo em contas vinculadas”. A Caixa Econômica Federal, gestora do fundo, começa a processar os créditos e tem até o fim de agosto para concluir os depósitos.
O movimento vem em um momento de orçamento apertado para as famílias, com juros ainda elevados e consumo em ritmo lento. Embora o dinheiro não possa ser sacado livremente, a garantia de ganho real anima trabalhadores e reforça a percepção de que o FGTS volta a proteger, de fato, o poder de compra dos depósitos.
Como é calculado o depósito em cada conta
O valor que cada pessoa recebe depende diretamente do saldo que tinha na virada de 2025. O cálculo é simples: basta multiplicar o saldo existente em 31 de dezembro de 2025 pelo índice 0,01868341.
O g1 resume assim: “para calcular o valor a ser creditado, o trabalhador deve multiplicar o saldo existente na conta de FGTS em 31/12/2025 pelo índice de 0,01868341”. Quem tinha R$ 1.000 depositados nessa data recebe R$ 18,68; quem tinha R$ 10 mil, vê entrar R$ 186,83, e assim por diante.
Um mesmo trabalhador pode ter várias contas do FGTS, ligadas a empregos diferentes. O índice é aplicado separadamente em cada uma. Na prática, quanto maior o saldo acumulado, maior o pedaço do lucro que entra como rendimento extra.
As consultas serão liberadas pelo site da Caixa e pelo aplicativo FGTS, com login por CPF e senha. Ali o trabalhador consegue ver o saldo atualizado, o valor do crédito do lucro e o histórico de depósitos mensais feitos pelos empregadores.
Ganho real de 2,53 pontos acima da inflação
Com a distribuição aprovada hoje, a remuneração total das contas do FGTS em 2025 chega a 6,90%. O percentual soma a correção regular mais o lucro agora rateado entre os cotistas.
O índice supera em 2,53 pontos percentuais a inflação oficial medida pelo IPCA, de 4,26% em 2025. Em nota reproduzida pelo g1, “com a distribuição do lucro, a rentabilidade das contas do FGTS em 2025 será de 6,90%, o que representa um ganho real (acima da inflação) de 2,53 pontos percentuais”.
A recomposição do poder de compra dos depósitos atende à determinação do Supremo Tribunal Federal. De acordo com o portal, “por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a remuneração do FGTS deve garantir, no mínimo, a correção pela inflação medida pelo IPCA em todos os anos”. O Conselho Curador vai além do piso e autoriza a partilha de 89% do lucro total de R$ 14,65 bilhões registrado em 2025.
O resultado interessa não só a quem recebe o crédito como a setores que dependem do FGTS como fonte de financiamento, em especial a construção civil. Rendimentos maiores reforçam a confiança no fundo e reduzem a pressão por saques extraordinários, que drenam recursos de linhas habitacionais de médio e longo prazo.
Trabalhador ganha patrimônio, fundo preserva liquidez
O modelo de distribuição equilibra três interesses: proteger o patrimônio do trabalhador, respeitar a decisão do STF e preservar a capacidade do fundo de financiar habitação popular e obras de infraestrutura urbana.
Quem tem saldo no FGTS ganha em duas frentes. Vê o dinheiro render acima da inflação e acumula uma reserva para momentos críticos, como demissão ou doença grave, além de poder usar o saldo para comprar ou amortizar a casa própria. O crédito do lucro reforça essa poupança, sem exigir qualquer ação do titular.
Ao mesmo tempo, o bloqueio do saque imediato impede uma enxurrada de retiradas que esvaziaria o caixa do fundo. As atuais regras seguem valendo: saque em demissão sem justa causa, fim de contrato por prazo determinado, aposentadoria, idade a partir de 70 anos, situações de calamidade, doenças graves e modalidades como saque-aniversário, entre outras hipóteses previstas em lei.
Para governo e empregadores, que também têm assento no Conselho Curador, a decisão sinaliza compromisso com a valorização do FGTS sem romper a lógica de financiamento de longo prazo. O fundo continua a irrigar o crédito imobiliário e programas de habitação, ao mesmo tempo em que entrega rendimento competitivo para os trabalhadores.
Pressão por flexibilidade e próximos capítulos
A opção por manter as regras de saque intocadas abre espaço para novo debate político. Em momentos de crise e renda em queda, cresce a pressão no Congresso por liberar parte dos saldos do FGTS para consumo imediato, como já ocorreu em rodadas passadas de saque emergencial.
Especialistas ouvidos por emissoras e portais apontam o dilema de sempre: quanto mais flexíveis os saques, maior o alívio de curto prazo para as famílias, mas menor a capacidade do fundo de financiar habitação e obras urbanas que também puxam emprego e renda. A remuneração de 6,90% em 2025 fortalece o argumento de que vale a pena manter o dinheiro depositado.
O passo seguinte é operacional. A Caixa corre para concluir os créditos até 31 de agosto. A partir daí, o desafio passa a ser de comunicação: explicar, com clareza, quem tem direito, como conferir os valores, em que situações sacar e por que o FGTS segue sendo uma parte relevante da proteção financeira do trabalhador brasileiro.
Quem tem direito a receber parte do lucro do FGTS?
Tem direito todo trabalhador que tinha saldo em conta do FGTS, ativa ou inativa, em 31 de dezembro de 2025. O crédito é proporcional ao saldo nessa data.
Como eu calculo quanto vou receber de lucro do FGTS?
Multiplique o saldo da conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025 pelo índice 0,01868341. O resultado é o valor aproximado a ser creditado.
Quando o dinheiro do lucro cai na conta do FGTS?
Os depósitos são feitos pela Caixa até 31 de agosto de 2026. A instituição começa a liberar os créditos ainda nesta semana e tem até essa data para concluir.
Posso sacar imediatamente o valor do lucro creditado?
Não. O crédito entra como rendimento e só pode ser sacado nas mesmas situações já previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria ou compra da casa própria.
Como consultar o valor do lucro creditado no meu FGTS?
A consulta é feita pelo site da Caixa Econômica Federal ou pelo aplicativo FGTS. Basta fazer cadastro com CPF, senha e acessar o extrato das contas.