Show da Xuxa atual traz fama, mas não riqueza para meme viral

Paty Botafogo revive fama com meme e turnê, mas enfrenta dificuldades financeiras apesar do sucesso atual.
Redação NC News
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Patricia Martins Veloso, a Paty Botafogo, 49, volta ao centro da conversa nas redes com o meme “Que show da Xuxa é esse?”, mas segue enfrentando aperto financeiro numa quitinete em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

A professora carioca, que virou símbolo da nostalgia do “Xou da Xuxa” após o documentário “Pra Sempre Paquitas”, ganha novamente visibilidade com a estreia da turnê “O Último Voo da Nave”, enquanto tenta transformar fama em trabalho pago.

Fama renovada com a nave decolando de novo

A superprodução “O Último Voo da Nave”, que coloca Xuxa de volta nos palcos em clima de reencontro com a infância de milhões de brasileiros, reaquece o interesse pelo universo do “Xou da Xuxa 1986”, “Xou da Xuxa 1987” e “Xou da Xuxa 1990”. As imagens da nave, dos paquitos e do figurino clássico da apresentadora circulam em massa, assim como o meme de Paty.

O bordão ressurgido agora nasce de uma frustração infantil. Nas imagens resgatadas pelo documentário, gravadas em frente aos estúdios do programa, Paty, então com 9 anos, reclama por ter ficado do lado de fora do “Xou da Xuxa”. “Eu cheguei aqui três horas da madrugada, isso não pode acontecer! Deixaram o moço entrar e as crianças ficaram! Que Xou da Xuxa é esse? Que Xou da Xuxa é esse?”, esbraveja, cercada por outras crianças.

Com a estreia da turnê, perfis de fãs voltam a postar o vídeo, que circula em montagens, dublagens e filtros. O “Que show da Xuxa é esse?” aparece em comentários sobre o show atual, o figurino de Xuxa no palco e até em debates sobre o preço de ingressos no Xou da Xuxa Allianz, apelido dado pelos fãs às apresentações em grandes arenas.

Quitinete apertada e sonho da casa própria

Longe da estética futurista da nave, o cenário de Paty hoje é bem mais modesto. Ela mora numa quitinete em São João de Meriti com o filho autista de 11 anos e descreve infiltrações e falta de espaço. “Onde eu moro tem muita infiltração, é pequeno e meu filho precisa ter o quartinho dele”, conta.

Paty deixou a sala de aula para se dedicar integralmente às muitas terapias do menino. A decisão, que atende às necessidades do filho, cobra preço alto no orçamento. “Atualmente passo por dificuldades financeiras, mas tenho fé em Deus de que oportunidades de trabalho vão surgir com toda essa repercussão voltando à tona”, afirma.

Nas redes, o apelido Paty Botafogo, herdado da paixão pelo clube, se transforma em marca. Ela soma 118 mil seguidores no Instagram e exibe o selo azul de verificação. A vitrine digital, porém, ainda não se traduz em renda estável. “Fiquei conhecida nacionalmente e recebo muito carinho das pessoas nas ruas, mas ainda não recebi a minha fatia desse bolo, financeiramente falando”, diz.

Da campanha publicitária ao abraço de Xuxa

O estouro do meme após o documentário abriu portas pontuais. Paty participou de uma campanha publicitária para uma grande marca, fez presença no “Domingão com Huck” e passou a receber convites de eventos. O cachê, segundo ela, ficou bem abaixo da expectativa criada pelo público.

Um dos momentos mais marcantes ocorre quando ela finalmente encontra Xuxa, depois de décadas de espera. As duas se abraçam em um grande festival de música, em clima de reconciliação tardia entre a fã rejeitada do passado e a Rainha dos Baixinhos. “Em compensação, realizar o sonho de conhecer a Xuxa e poder abraçá-la foi algo inesquecível”, diz Paty.

Meses depois, a apresentadora envia uma mensagem carinhosa, agradece o apoio e torce pelo sucesso dela. Paty guarda o gesto como prova simbólica de reconhecimento, mas lembra que carinho não paga aluguel. “Ainda falta a minha foto com as paquitas, que moram no meu coração! Permaneço na fé de que novas oportunidades vão surgir”, afirma.

Ela usa a notoriedade recente para fazer um apelo direto a marcas, agências e celebridades. “Quero divulgar marcas, fazer campanhas e publicidades. Se alguma marca, agência ou famoso puder me dar essa oportunidade, serei muito grata. Afinal, eu já provei que sei chamar a atenção do Brasil inteiro.”

Viralização, marketing e vida real

O caso de Paty expõe um fenômeno típico da era das redes. Um rosto anônimo vira onipresente por alguns dias ou semanas, abastece campanhas, quadros de programas e memes em cascata, mas muitas vezes não vê essa visibilidade se converter em segurança financeira.

O mercado de publicidade e de marketing digital se beneficia do engajamento orgânico que personagens virais trazem. Agências capitalizam em cima do reconhecimento imediato e da identificação emocional do público, hoje reativada pela nostalgia em torno do “Xou da Xuxa” e da discussão sobre o show da Xuxa atual.

Na outra ponta, pessoas como Paty ficam dependentes de convites esporádicos, sem estrutura profissional, equipe de gestão de imagem ou contratos de longo prazo. A própria história dela, marcada pela saída forçada da profissão para cuidar de um filho com deficiência, escancara o quanto o brilho instantâneo do meme convive com a precariedade cotidiana.

O ressurgimento do vídeo também reforça como o entretenimento e a memória afetiva dos anos 1980 e 1990 se transformam em negócio constante. A turnê, o documentário e os conteúdos nostálgicos sobre o “Xou da Xuxa quando acabou” e sobre a estética original do programa mantêm vivo um universo que alimenta streaming, produtos licenciados e novos shows, mas não necessariamente garante reparação ou estabilidade a quem forneceu momentos icônicos, como o desabafo de Paty na porta do estúdio.

O que vem pela frente para Paty e para a nostalgia de Xuxa

Enquanto a nave de Xuxa volta a lotar arenas e a discussão sobre o figurino de Xuxa no show domina timelines, Paty acompanha tudo da quitinete em São João de Meriti. Torce pelo sucesso da turnê, comemora cada nova leva de seguidores e insiste em transformar o bordão em porta de entrada para trabalhos mais consistentes.

O plano imediato é simples e direto: ampliar parcerias comerciais, participar de novas campanhas e aproveitar o momento em que o público volta a repetir o “Que Xou da Xuxa é esse?” para se apresentar como influenciadora capaz de dialogar com gerações diferentes. O sonho maior continua sendo a casa própria, com um quarto adequado para o filho e distância segura das infiltrações.

O destino dessa história ainda está em aberto. A renovada onda de nostalgia em torno do “Xou da Xuxa 1986” e dos anos seguintes deve seguir forte enquanto a turnê estiver em cartaz. A dúvida é se o mercado e o público vão tratar Paty apenas como um meme eterno de internet ou como uma trabalhadora da cultura e da comunicação disposta a transformar um grito infantil em oportunidade concreta de futuro.

O que aconteceu com a dona do meme ‘Que show da Xuxa é esse’?

Paty Botafogo virou figura conhecida nas redes, acumula 118 mil seguidores e já fez campanha e TV, mas continua morando em uma quitinete simples na Baixada Fluminense.

Como está a situação financeira da dona do meme dois anos após o sucesso?

Ela relata viver dificuldades, sem renda fixa. Diz que a fama trouxe carinho e visibilidade, mas poucos trabalhos pagos, e segue à espera de novas oportunidades.


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