A tese de fraude eleitoral já foi adotada por Jair Bolsonaro e, na avaliação de integrantes do partido, não produziu os resultados políticos esperados. Hoje, o ex-presidente permanece inelegível e responde às consequências judiciais relacionadas aos acontecimentos que sucederam as eleições de 2022.
Na leitura de lideranças do PL, retomar esse discurso tende a gerar mais desgaste do que dividendos eleitorais.
Presidência do TSE enfraquece a narrativa
Outro fator citado internamente é a atual composição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte é presidida pelo ministro Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro em 2020.
Para interlocutores da legenda, sustentar uma narrativa de desconfiança contra um tribunal comandado por um ministro escolhido pelo próprio ex-presidente enfraquece o discurso político e dificulta sua utilização como principal instrumento de oposição ao governo Lula.
Michelle ganha protagonismo
Dentro do partido, Michelle Bolsonaro é vista como uma das principais vozes na construção da estratégia eleitoral. Embora também possa adotar discursos mais contundentes em determinados momentos, dirigentes avaliam que ela costuma demonstrar maior cautela em temas capazes de provocar desgaste político.
A percepção é de que preservar a credibilidade do processo eleitoral também é importante para fortalecer as chances do PL na disputa presidencial.
Flávio enfrenta seu maior desafio político
Aliados reconhecem que Flávio Bolsonaro nunca assumiu uma responsabilidade política dessa dimensão. Por isso, defendem que sua candidatura seja cercada por quadros experientes e por uma estratégia de comunicação mais ampla do que a adotada nas últimas campanhas do bolsonarismo.
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL e responsável por oficializar a indicação de Flávio como pré-candidato à Presidência, é apontado por interlocutores como uma das lideranças que defendem esse reposicionamento.
Eleição será decidida nos detalhes
Nos bastidores da legenda, prevalece a avaliação de que a disputa presidencial de 2026 será definida por estratégia, comunicação e capacidade de ampliar alianças. Nesse cenário, qualquer erro pode reduzir a competitividade do partido, tornando essencial evitar a repetição de narrativas que já demonstraram alto custo político em eleições anteriores.