O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não descarta a possibilidade de os Estados Unidos adotarem novas sanções contra o Brasil diante do agravamento da crise diplomática entre os dois países. A avaliação é de fontes diplomáticas ouvidas pela CNN Brasil.
Segundo interlocutores do governo, uma ala da direita brasileira com influência junto ao Departamento de Estado norte-americano afirma, nos bastidores, que uma nova ofensiva contra o Brasil estaria em discussão.
Ordem de Trump acende alerta no Planalto
O principal motivo de preocupação é a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de prorrogar a ordem executiva que declarou emergência nacional em relação ao Brasil.
A medida foi utilizada em 2025 para justificar a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Apesar de a decisão não produzir efeitos atualmente, após ter sido barrada pela Suprema Corte norte-americana, o gesto foi interpretado pelo governo brasileiro como um sinal de que a tensão entre os dois países permanece elevada.
Diplomatas avaliam que a adoção de um novo pacote tarifário é considerada menos provável neste momento. No entanto, outras medidas, como restrições de vistos e novas sanções com base na Lei Magnitsky, continuam sendo tratadas como possibilidades.
Negativa de vistos amplia desgaste
A relação entre Brasília e Washington voltou a se deteriorar após o Itamaraty negar vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
O secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário-assistente Samuel Samson solicitaram autorização para entrar no Brasil com o objetivo de cumprir uma “missão eleitoral”.
No pedido enviado ao governo brasileiro, os dois informaram que pretendiam tratar de temas relacionados ao sistema eleitoral brasileiro com autoridades do país e também tinham interesse em se reunir com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Missão eleitoral gerou preocupação
O episódio ganhou novos contornos após uma reportagem do jornal norte-americano The Washington Post informar que os integrantes do Departamento de Estado planejavam produzir críticas à confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.
Os dois diplomatas respondem diretamente ao secretário de Estado, Marco Rubio, considerado um dos principais aliados da família Bolsonaro em Washington.
Governo mantém canais diplomáticos abertos
Apesar do momento de tensão, o Palácio do Planalto afirma que os canais diplomáticos com a Casa Branca permanecem abertos.
Nos bastidores, porém, integrantes do governo reconhecem que esses mecanismos de diálogo têm sido pouco utilizados desde o início da crise comercial provocada pelo chamado “tarifaço” anunciado pelos Estados Unidos.
Enquanto acompanha os desdobramentos da relação bilateral, o governo brasileiro segue monitorando os próximos movimentos da administração Trump e a possibilidade de novas medidas contra autoridades ou instituições brasileiras.