Quaest revela Lula com 55% no CE e empate técnico no RS

Levantamento mostra liderança de Lula no Ceará e empate técnico no Rio Grande do Sul para 2026.
Redação NC News
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Levantamentos eleitorais da Quaest, em parceria com a Genial Investimentos, expõem hoje dois Brasis distintos na corrida presidencial de 2026. No Ceará, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre larga vantagem no primeiro e no segundo turno. No Rio Grande do Sul, o presidente enfrenta empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece numericamente à frente entre os gaúchos.

Dois retratos de um país dividido

Os resultados, divulgados nesta quinta-feira, ajudam a desenhar um mapa de forças que já orienta cálculos de campanha. O Nordeste segue como reduto consolidado de Lula, enquanto o Sul sinaliza espaço para crescimento do bolsonarismo.

No Ceará, Lula tem 55% das intenções de voto no primeiro turno em cenário estimulado, contra 22% de Flávio Bolsonaro. A distância de 33 pontos mostra um ambiente confortável para o petista em um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste.

O quadro é bem diferente no Rio Grande do Sul. Lá, a pesquisa registra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nos cenários de primeiro e segundo turno. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, e, mesmo assim, o senador do PL aparece numericamente à frente. Como descreve um dos textos sobre o levantamento, “nos dois casos, o filho de Jair Bolsonaro tem vantagem numérica entre os gaúchos”.

A combinação desses movimentos reforça a polarização regional: PT dominante no Nordeste, PL competitivo no Sul, com impacto direto na distribuição de recursos, na agenda de viagens e na montagem de palanques estaduais.

Ceará consolida Lula e amplia rejeição a Flávio Bolsonaro

No Ceará, o levantamento ouviu 1.002 eleitores entre os dias 24 e 28 de julho, em cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados. A pesquisa, registrada sob o número BR-03238/2026, aponta supremacia de Lula em todos os recortes testados.

Em texto sobre o estudo, o portal G1 resume: “Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (30) mostra as intenções de voto para a eleição presidencial no Ceará”. A fotografia é clara: Lula lidera com folga no primeiro turno e mantém 60% das intenções em todos os quatro cenários de segundo turno avaliados.

O presidente aparece com 60% de votos em simulações contra Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo. Os adversários variam entre 17% e 23%, sempre com larga desvantagem em relação ao petista, que mantém o mesmo patamar em todos os duelos.

Os índices de rejeição ajudam a explicar o descompasso. Segundo a pesquisa, “Flávio Bolsonaro (PL): 61% de rejeição; Lula (PT): 36% de rejeição”, ainda conforme o G1. Em termos eleitorais, isso significa que seis em cada dez cearenses afirmam não votar no senador do PL de jeito nenhum, enquanto a taxa de Lula, embora relevante, permanece bem abaixo.

O governo federal também se beneficia de um ambiente favorável no estado. “Aprovação do governo Lula no Ceará: Aprovam: 60% (eram 58% em abril)”, registra o G1, citando o avanço em relação ao levantamento anterior. A avaliação positiva da gestão atinge 49%, contra 26% de avaliação negativa e 23% que consideram o governo regular. Para 55% dos entrevistados, Lula merece um novo mandato.

Os números consolidam o Ceará como peça-chave na estratégia nacional do PT. Reafirmam ainda a importância do Nordeste como amortecedor de eventuais perdas em regiões menos favoráveis, caso o quadro atual se mantenha.

RS testa limites da força bolsonarista

No Rio Grande do Sul, a fotografia da Quaest indica uma disputa em aberto. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01871/2026, ouviu 1.104 eleitores no mesmo período, entre 24 e 28 de julho, com margem de erro de 3 pontos percentuais.

Em todos os cenários de confronto direto, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem dentro da margem, mas com leve vantagem numérica do senador. O instituto também testou outros três cenários de segundo turno com Lula enfrentando nomes da direita, o que reforça a percepção de um estado politicamente dividido e decisivo para a oposição.

O resultado anima o PL, que enxerga no Sul uma vitrine para projetar Flávio nacionalmente e manter vivo o capital político da família Bolsonaro. O bom desempenho gaúcho tende a ser explorado em discursos, redes sociais e articulações locais.

Para o PT, o empate técnico acende um sinal amarelo num estado em que Lula já teve desempenho relevante em disputas anteriores. A direção partidária deve ser pressionada a reforçar presença no Rio Grande do Sul, tanto com o presidente quanto com lideranças ligadas ao governo federal.

A intensidade da disputa gaúcha também indica que candidatos aliados, para governo estadual e Senado, podem ser escolhidos com ainda mais cuidado, com foco em agregar votos à chapa presidencial e reduzir a vantagem da direita em segmentos conservadores do eleitorado.

Campanhas segmentadas e futuro da disputa

A leitura cruzada de Ceará e Rio Grande do Sul aponta para uma campanha presidencial cada vez mais segmentada. No Nordeste, Lula trabalha para preservar índices elevados de aprovação e intenção de voto, consciente de que qualquer desgaste da gestão em temas como economia, segurança pública e políticas sociais pode abrir espaço para adversários.

No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a prioridade do PT é defender o terreno e conter o avanço de Flávio Bolsonaro, que se beneficia de um eleitorado mais inclinado à oposição ao governo federal. A vantagem numérica do senador em cenário de empate técnico já serve como argumento político para o PL mobilizar aliados e investidores de campanha.

Do lado bolsonarista, os dados do Ceará expõem o principal desafio: a rejeição de 61% a Flávio no estado limita qualquer margem de crescimento. Para reduzir essa barreira, estrategistas terão de decidir entre suavizar o discurso ou intensificar a crítica ao governo, correndo o risco de reforçar resistências entre eleitores que hoje aprovam Lula.

As próximas pesquisas devem mostrar se o quadro atual se cristaliza ou se as curvas de intenção de voto começam a se mover à medida que as pré-campanhas ganham corpo, alianças regionais se definem e a economia responde — ou não — às promessas do Planalto. Por enquanto, o mapa traçado pela Quaest confirma um país em disputa, com fronteiras eleitorais bem marcadas e pouca margem para erro estratégico.

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