O Partido Progressistas (PP) frustrou os planos do Partido Liberal (PL) nesta sexta-feira (31) ao vetar oficialmente a indicação da senadora Tereza Cristina (MS) para a vaga de vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. A decisão joga a campanha bolsonarista em uma corrida desesperada contra o tempo para não chegar sozinha às urnas.
A senadora, que já havia sinalizado um “sim” na quinta-feira após forte pressão do agronegócio, foi obrigada a recuar e acatar a ordem de sua legenda. O aviso final, que sela o isolamento do PL, foi divulgado hoje de manhã em um comunicado enfático:
“O PP fez consulta aos seus diretórios estaduais e, por maioria, decidiu permanecer na neutralidade no processo eleitoral, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela senadora Tereza Cristina.”
Os motivos do rompimento
A recusa do PP em embarcar na chapa de Flávio Bolsonaro não aconteceu do dia para a noite. Nos bastidores, a rasteira política foi motivada por um caldeirão de crises, cálculos frios e até vingança:
- Sobrevivência nos estados: A federação formada por PP e União Brasil precisa de liberdade. O bloco quer liberar seus políticos regionais para formarem alianças estaduais com quem quiserem — inclusive com aliados do presidente Lula.
- Dedo do governo: Nos bastidores, a articulação política de Lula agiu rápido para convencer a federação a não entregar seu gigantesco tempo de TV e verba para a chapa bolsonarista.
- O fantasma dos escândalos: A cúpula do partido teme que a campanha de Flávio afunde com o surgimento de novas denúncias envolvendo as ligações do pré-candidato com o banqueiro Daniel Vorcaro.
- Mágoa e vingança: Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro de Jair Bolsonaro, não esconde o ressentimento. Ele reclama publicamente de ter sido abandonado por Flávio quando foi alvo de uma operação recente da Polícia Federal.
Corrida contra o relógio
Com o “não” irreversível de Tereza Cristina, o comando da campanha bolsonarista entra em contagem regressiva crítica. O prazo legal para o anúncio de um vice e o fechamento oficial das coligações se encerra já na próxima quarta-feira, 5 de agosto.
Sem o cobiçado apoio da aliança PP-União Brasil, Flávio tenta uma cartada final com o Republicanos. O problema é que a sigla ligada à Igreja Universal também já dá sinais de desgaste e ameaça optar pela neutralidade, o que consolidaria a temida “chapa pura” e reduziria drasticamente o poder de fogo do PL na eleição nacional.