Lula entra na reta de aquecimento para 2026 com vantagem folgada sobre Flávio Bolsonaro. Pesquisa nacional da Alfa Inteligência aponta o presidente 14 pontos à frente do senador do PL no primeiro turno, enquanto a chamada terceira via patina.
O desenho reforça a polarização e dá fôlego ao PT num ambiente de tensão crescente, com ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), avanço da extrema-direita e disputa intensa pela narrativa econômica.
Alfa mostra Lula folgado e terceira via encolhida
O levantamento da Alfa Inteligência, contratado pela Rádio TMC, ouviu 2.700 eleitores em entrevistas presenciais, em domicílio, entre 23 e 28 de julho. Segundo o instituto, “no primeiro turno, Lula tem 14 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o senador Flávio Bolsonaro (PL)”.
A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no TSE sob o número BR-04488/2026, o que permite auditoria de questionário, amostra e método.
Ronaldo Caiado, do PSD, aparece em terceiro lugar, muito distante. De acordo com a Alfa, ele está 22 pontos atrás de Flávio Bolsonaro, o que expõe a fragilidade de qualquer tentativa de terceira via neste momento. Na prática, o cenário cristaliza um embate direto entre o petista e o filho mais velho de Jair Bolsonaro.
Os dados nacionais dialogam com levantamentos estaduais recentes da Quaest, que mostram variações importantes na força de Lula e Flávio Bolsonaro em praças decisivas como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pará, Pernambuco e Goiás. Em alguns estados, o senador do PL encosta ou lidera; em outros, o presidente mantém folga confortável, reforçando uma polarização que se rearranja conforme o mapa regional.
Quaest entra em campo para medir rejeição, economia e religião
Enquanto a Alfa consolida a fotografia desta semana, a Quaest começa hoje um novo levantamento nacional, encomendado pelo Banco Genial e registrado no TSE. As entrevistas, todas presenciais e domiciliares, se estendem ao longo dos próximos dias, com divulgação prevista para 5 de agosto.
O instituto afirma que “a pesquisa ouvirá 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, residentes em diferentes regiões do país”. A margem de erro estimada “é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%”.
Diferentemente do estudo da Alfa, focado sobretudo na corrida presidencial, o questionário da Quaest mergulha em um conjunto mais amplo de variáveis políticas e econômicas. O instituto informa que “a pesquisa medirá o conhecimento, o potencial de voto e a rejeição de doze possíveis candidatos à Presidência”. Estão no radar nomes como Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e o senador Renan Santos, além de figuras de menor expressão nacional.
A Quaest também testará quatro cenários de segundo turno. Em todos, Lula aparece confrontado separadamente com Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. O desempenho em simulações diretas deve orientar decisões sobre alianças, formação de chapas e discursos de moderação ou radicalização.
Outra frente sensível é a religião. O questionário busca medir “a importância atribuída à religião na escolha presidencial”, incluindo se pesa para o eleitor o fato de o candidato acreditar em Deus, pertencer à mesma fé ou ouvir líderes religiosos ao tomar decisões. O dado é crucial para entender o comportamento de segmentos evangélicos e católicos praticantes, corte decisivo em pleitos recentes.
Economia, IR e vice na mira dos estrategistas
A pesquisa da Quaest dedica um bloco à economia e à avaliação do governo Lula. O instituto pretende mensurar percepção sobre inflação, emprego, renda e serviços públicos, além da popularidade pessoal do presidente. Em cenário de juros ainda altos e recuperação lenta, o humor econômico tende a pesar mais do que a memória de crises passadas.
Um dos pontos mais sensíveis é o efeito da mudança no Imposto de Renda. Segundo o questionário, “a pesquisa perguntará ainda se a ampliação da isenção do Imposto de Renda beneficiou diretamente o entrevistado ou sua família”. A resposta ajuda a mostrar se o principal gesto de alívio tributário do governo entrou, de fato, no radar da população.
Os pesquisadores medem ainda a imagem de nomes cogitados para compor chapas como vice-presidentes. Entre os testados estão Geraldo Alckmin, atual parceiro de Lula, além de figuras como Gilberto Kassab, Tereza Cristina, Aroldo Medina e Eduardo Girão. A intenção é saber se algum desses nomes amplia votos em segmentos específicos ou apenas fala para convertidos.
Outro eixo investiga o comportamento do eleitor diante da urna. O questionário questiona quando o brasileiro costuma definir voto para presidente, governador e senador, do período de meses antes até o próprio dia da eleição. Também verifica se o eleitor sabe quantos votos terá direito a dar para o Senado, informação que impacta campanhas proporcionais e majoritárias.
Tensão no TSE, influência externa e guerra de narrativas
O ambiente político em que esses números circulam está longe de ser sereno. O PT aciona o TSE contra Flávio Bolsonaro e aliados bolsonaristas por uma rede de vídeos produzidos com inteligência artificial para atacar Lula. A legenda argumenta que o uso de conteúdos falsos, turbinados por tecnologia, representa risco direto para a integridade do processo eleitoral.
Partidos de direita e centro-direita, especialmente o PL, aguardam com ansiedade os resultados da Quaest para calibrar estratégias e tentar encurtar a distância mostrada pela Alfa Inteligência. Uma eventual redução da vantagem de Lula em cenários de segundo turno pode redefinir alianças regionais, escolha de vices e o tom das campanhas nas redes.
O questionário da Quaest também mede a imagem dos Estados Unidos e o efeito de um apoio explícito de Donald Trump a Flávio Bolsonaro. Em paralelo, “a Quaest medirá a repercussão do apoio do presidente argentino Javier Milei à candidatura de” Flávio. Esses dados indicam até que ponto a política externa e a onda conservadora internacional ainda mobilizam o eleitorado brasileiro.
As respostas vão ajudar a decifrar se o discurso nacionalista e antissistema segue rendendo dividendos ou se o cansaço com a instabilidade empurra parte do eleitorado para uma escolha mais conservadora no sentido de preservação institucional.
Enquanto Lula tenta consolidar a imagem de fiador da democracia e de gestor capaz de proteger a economia num mundo turbulento, Flávio Bolsonaro busca se apresentar como herdeiro político do pai, mas menos suscetível a conflitos diretos com a Justiça. A fragilidade da terceira via, traduzida nos números de Ronaldo Caiado, sugere que esse duelo tende a se intensificar.
Até a divulgação dos dados da Quaest, prevista para 5 de agosto, petistas e bolsonaristas trabalham em modo de observação. O que sair do novo levantamento pode redefinir prioridades de campanha, reforçar a aposta na polarização ou abrir brechas para candidaturas alternativas. Em qualquer cenário, a combinação de pesquisas presenciais, guerra jurídica, redes sociais e inteligência artificial indica um ciclo eleitoral mais tenso, vigiado e imprevisível do que nunca.
O que já se sabe sobre a nova pesquisa Quaest?
Que será nacional, com 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares, margem de erro de 2 pontos percentuais e divulgação prevista para 5 de agosto, medindo voto, rejeição e temas econômicos.
O que a pesquisa Alfa Inteligência mostra sobre 2026?
Que Lula lidera o primeiro turno com 14 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro e que Ronaldo Caiado aparece bem atrás, deixando a terceira via em posição frágil.
As pesquisas já definem o resultado da eleição?
Não. Elas oferecem uma fotografia do momento, ajudam partidos a ajustar estratégias e narrativas, mas o eleitorado ainda pode mudar até a votação.