As recentes tentativas do governo de domar o preço dos combustíveis, especialmente o diesel, estão esbarrando em um teto perigoso. As desonerações e prorrogações de incentivos, desenhadas para evitar um choque imediato nas bombas, funcionam apenas como um alívio momentâneo, mas carregam um custo bilionário que, mais cedo ou mais tarde, será repassado à população.
A estratégia atual expõe uma ferida conhecida da economia brasileira: medidas paliativas custam caro e não resolvem a raiz do problema. A história recente, como em 2015, já mostrou que a fatura de intervenções artificiais costuma chegar logo no ano seguinte, cobrando seu preço.
A tempestade externa: Petróleo e geopolítica
O que torna o cenário atual ainda mais volátil é o ambiente internacional, que segue totalmente fora do controle de Brasília.
O preço do barril de petróleo encerrou a quinta-feira (30) na casa dos US$ 81, impulsionado por um novo pico de tensão geopolítica. O presidente americano, Donald Trump, declarou o fim do cessar-fogo com o Irã após bombardeios a navios petroleiros no Estreito de Ormuz.
O governo iraniano acusou os EUA de violarem o acordo de paz, enquanto Washington afirmou que o pacto “perdeu o sentido”. O colapso das negociações reduz drasticamente a previsibilidade para países importadores, como o Brasil.
O “efeito cascata” e o câmbio a R$ 5
Mesmo com um leve recuo na gasolina e no gás de cozinha na última semana, o diesel, peça-chave do transporte de cargas, voltou a subir, apontando um aumento de 0,14%, segundo a ANP.
A conta, hoje, é muito mais pesada do que no passado. Ao contrário da era Dilma Rousseff, o Brasil atual convive com uma taxa de câmbio esmagadora.
Com o dólar operando acima dos R$ 5, a pressão sobre os preços internos é implacável. Desse4 modo, se a Medida Provisória que garante os subsídios vencer sem uma reposição, o choque será inevitável.
A armadilha eleitoral
O governo agora corre contra o tempo. As medidas extraordinárias têm validade de apenas dois meses, prazo pensado para evitar conflitos com a legislação eleitoral e preservar as metas fiscais. No entanto, o vencimento dessa proteção coincide com o início oficial da campanha, transformando a bomba dos combustíveis na maior ameaça à popularidade presidencial nesta reta final.