O técnico Cuca admite que Neymar pode ficar fora do jogo decisivo do Santos contra o Remo, pela Copa do Brasil, marcado para terça-feira, às 21h30, no Mangueirão, em Belém.
A incerteza sobre o craque expõe a disputa entre a necessidade esportiva do clube e o cuidado com o desgaste físico do camisa 10, que ainda tem um leilão beneficente do seu instituto na noite de segunda-feira, em São Paulo.
Neymar entre o cansaço e o compromisso social
Neymar joga 90 minutos no empate por 0 a 0 na Vila Belmiro e volta a ser o centro do time. Cuca elogia a atuação, mas pede cautela. “Vamos reavaliar na reapresentação”, afirma o treinador, que condiciona a escalação do atacante aos exames deste domingo no CT Rei Pelé.
O técnico lembra que o atacante passa muito tempo sem atuar uma partida inteira antes de voltar a jogar os 90 minutos. “Temos que ver o tamanho do desgaste dele para depois internamente resolver”, diz Cuca, deixando claro que a decisão não será tomada no calor do resultado, mas com base em dados físicos.
O planejamento inclui trabalho regenerativo, exames de sangue e medição do nível de cansaço e de risco de lesão muscular. “Ele faz regenerativo, todos passam pela recuperação, busca o CK, tira o sangue, põe no aparelho e mostra o grau do cansaço, o nível de lesão se é baixo ou alto”, detalha o treinador.
No meio desse processo entra o leilão beneficente do instituto Neymar, marcado para a noite de segunda-feira, na capital paulista. O Santos treina pela manhã e viaja para Belém horas depois. A presença do jogador no evento, que reúne convidados internacionais e patrocinadores, é tratada por Cuca como um assunto da direção. “Quanto ao leilão, é algo dele, de todos os anos, é beneficente, vem pessoas do mundo inteiro. Deixo para que a diretoria resolva com ele”, afirma.
Empate sem gols aumenta pressão e dúvidas
O 0 a 0 na Vila Belmiro mantém a vaga às quartas de final completamente aberta. Qualquer empate com gols em Belém classifica o Remo; ao Santos só interessa a vitória. O time soma chances desperdiçadas, duas bolas na trave e um gol anulado na partida de ida. “O Santos foi incapaz de conseguir um golzinho”, resume a torcedora Nágila, ao deixar o estádio.
Cuca discorda da leitura de que a equipe sucumbe à pressão em casa. “Eu discordo da tua avaliação, do teu pensamento. Nós criamos hoje, ontem, nos jogos passados, tanto quanto criávamos, 20 finalizações por jogo em média”, rebate o treinador. Ele insiste que o problema está na pontaria, não na construção das jogadas.
Sobre Neymar, o técnico ressalta a importância do craque no desenho ofensivo. “Buscou o jogo, principalmente no primeiro tempo. No segundo, ficou mais por dentro, depois abriu de novo, mas o espaço diminuiu muito”, analisa. A estratégia passa por concentrar nele a responsabilidade de decidir. “Precisa passar pelo pé dele, porque de lá vai sair das coisas mais importantes que teremos”, afirma Cuca.
O técnico também trata com naturalidade o ambiente de cobrança e até possíveis vazamentos de bastidores. “Não me preocupo, desde que seja falada a verdade, não me preocupo. Acontece porque vocês buscam saber o que acontece. Isso é natural”, diz, em resposta a questionamento sobre informações internas que chegam à imprensa.
Defesa sob risco e estratégia em xeque
A dúvida sobre Neymar não é a única dor de cabeça para a comissão técnica. O zagueiro Lucas Veríssimo deixa o gramado nos minutos finais com problema muscular na panturrilha e também será reavaliado neste domingo. “Hoje, já perdemos um jogador com lesão muscular provavelmente. Amanhã teremos reavaliação. Depois vamos tomar a decisão”, avisa Cuca.
Uma possível ausência de Veríssimo mexe na espinha dorsal defensiva de um time que, apesar de não sofrer gols na ida, se vê condenado ao acerto no ataque. Sem gol na Vila, o Santos se obriga a ser mais eficiente em Belém. O quarteto ofensivo com Neymar, Gabigol, Rollheiser e Barreal, testado desde o duelo pela Sul-Americana, empilha oportunidades, mas não decide.
Cuca defende as escolhas e a opção por um meio-campo mais leve, com Bontempo na função de articulador. Ele cita o desempenho recente do meia para justificar a manutenção. “O Bontempo, no último jogo, foi eleito o melhor em campo e jogou na mesma posição de hoje. Cada jogo é uma história, terça vai ser outra”, explica, sugerindo que pode mexer na estrutura conforme o rival e o contexto da partida.
O cenário para terça é de ajustes em todos os setores. Se Neymar for preservado, a comissão técnica terá de redistribuir funções criativas e de finalização. A ausência de Veríssimo exigirá nova dupla de zaga e pode tornar o time mais vulnerável justamente em um jogo em que um gol sofrido pesa demais.
Torcida ansiosa e futuro em jogo
O domingo de reapresentação se transforma em dia de vigília para o torcedor. O departamento médico e a preparação física concentram o poder de decisão que, até aqui, costuma estar nos pés de Neymar. O atacante passa a ser visto menos como salvador e mais como ativo a ser preservado em um calendário apertado.
A comissão técnica tenta blindar o elenco enquanto espera o resultado dos exames. Cuca insiste que o grupo tem condições de decidir a vaga mesmo sem sua principal estrela, mas não esconde o peso que o camisa 10 carrega. Ao mesmo tempo, o treinador cobra mais eficiência de todos. “Nós criamos, articulamos, bolas na trave, gol anulado, mas não conseguimos marcar. Buscamos alternativas, mas a bola não entrou”, admite.
O Santos volta ao trabalho neste domingo, treina novamente na manhã de segunda e viaja em seguida para Belém. Até lá, a pergunta que domina as conversas na Vila Belmiro continua sem resposta: Neymar entra em campo no Mangueirão ou fica em São Paulo para poupar o corpo depois de uma semana cheia?
A decisão final promete repercutir além da Copa do Brasil. Um possível sacrifício físico do craque pode abrir novo debate interno sobre gestão de carga e conciliação entre compromissos esportivos e sociais. Uma preservação, por outro lado, colocará à prova a capacidade do elenco de se reinventar sem seu jogador mais decisivo em um dos jogos mais importantes da temporada.
Neymar vai jogar contra o Remo na Copa do Brasil?
Neymar só será liberado para enfrentar o Remo na terça-feira, às 21h30, no Mangueirão, se passar sem restrições pelos exames físicos e regenerativos marcados para este domingo no CT Rei Pelé, que vão medir desgaste muscular, risco de lesão e resposta à carga dos 90 minutos disputados no sábado.
O que acontece se o Santos não vencer o Remo em Belém?
Um novo 0 a 0 em Belém leva a decisão entre Santos e Remo para os pênaltis, qualquer empate com gols classifica o time paraense e apenas uma vitória santista garante a vaga direta nas quartas de final da Copa do Brasil, aumentando a pressão sobre Cuca e o elenco em caso de eliminação.