O Santos não sai do 0 a 0 com o Remo na Vila Belmiro, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil, e deixa a vaga totalmente aberta.
Diante de 12.820 torcedores e com Neymar e Gabigol em campo, o time de Cuca pressiona, acerta a trave, mas esbarra em um Remo competitivo e no goleiro Marcelo Rangel.
Pressão do Santos, trave dos dois lados e estrelas em noite discreta
O relógio mal passa dos primeiros minutos quando o Santos assume o controle e empurra o Remo para trás. A bola roda de um lado a outro, os laterais avançam, o trio ofensivo tenta aproximar jogadas. A trave paraense treme logo no início e alimenta a impressão de que o gol é questão de tempo.
O roteiro não se confirma. A equipe de Léo Condé resiste ao abafa inicial, ajusta as linhas, marca curto Neymar e Gabigol e começa a dividir o protagonismo. Também acerta o travessão de Gabriel Brazão, num chute de média distância que silencia a Vila por alguns segundos.
O Santos insiste, mas cria menos do que a escalação estrelada sugere. “Mais uma vez aposta do técnico Cuca, Rollheiser, Neymar e Gabigol tiveram uma atuação bastante apagada e pouco exigiram do sistema defensivo paraense”, descreve a análise do UOL. O Remo se fecha, dobra a marcação pelos lados e empurra o rival para cruzamentos previsíveis.
Cuca mexe, Santos domina, mas esbarra em Marcelo Rangel
O intervalo não traz o gol, mas provoca mudanças. Sem paciência com o rendimento do time, Cuca volta para o segundo tempo com Gabriel Menino e Caballero nos lugares de Igor Vinícius e Rollheiser. A ideia é simples: ganhar mais bola no pé por dentro e abrir espaço para Neymar e Gabigol atacarem o miolo da defesa azulina.
O plano funciona em parte. “O Peixe voltou a ter total controle da partida, mas não conseguiu transformar isso em vantagem no placar”, registra o UOL. A posse aumenta, o time ocupa o campo de ataque e empurra o Remo ainda mais para a própria área. Faltam, porém, precisão no último passe e frieza na definição.
Marcelo Rangel vira o personagem da noite. Ele defende finalização de Gabigol livre na área, segura chute cruzado de Neymar, estica a ponta dos dedos em bola de Barreal e segura tentativa de Pikachu em raro contra-ataque remista. Quando o goleiro não chega, o travessão salva a equipe paraense.
O lance mais emblemático surge aos 31 minutos da etapa final. Neymar cobra escanteio, Lucas Veríssimo desvia, a bola explode no travessão e sobra para Gabigol, praticamente em cima da linha. O centroavante tenta cabecear, mas fura. A imagem do camisa 10 olhando para o gramado resume a noite santista.
Remo celebra empate, Santos sai sob vaia e pressão aumenta
O apito final encontra o Santos frustrado e parte da torcida impaciente. A renda de R$ 832.156,25 não se converte em vantagem esportiva, e o elenco mais caro em campo sai sob vaia. A ausência de gol em casa pesa, sobretudo pela expectativa criada em torno de Neymar, Gabigol e da própria Copa do Brasil como atalho para taça e dinheiro.
O Remo comemora como se tivesse vencido. O empate sem gols fora de casa valoriza a estratégia de Léo Condé, que aposta em linhas compactas, saída rápida com Jajá e Alef Manga e um goleiro em noite quase perfeita. O resultado reforça a confiança de um elenco que encara um rival mais rico olho no olho e prova que pode competir.
O equilíbrio também expõe a dependência santista de lampejos individuais. Quando Neymar e Gabigol não desequilibram, o desenho coletivo sofre para criar soluções. O time chega, mas não conclui. Finaliza, mas não capricha. A repetição desse cenário preocupa para a sequência da temporada.
Decisão no Mangueirão, vantagem zerada e confronto aberto
A vaga agora se decide no Mangueirão, na próxima terça-feira, às 21h30, em Belém. O regulamento é simples: quem vencer avança às quartas de final; um novo empate leva a disputa para os pênaltis. Não há gol qualificado nem qualquer benefício pelo resultado da ida.
O Santos entra pressionado. Precisa vencer fora de casa para evitar a loteria das penalidades e manter viva a ambição de título e a receita extra da Copa do Brasil, crucial para um clube que tenta equilibrar contas e elenco ao mesmo tempo. A eliminação precoce representaria perda esportiva e financeira significativa.
O Remo chega ao duelo decisivo com a sensação de ter feito a parte mais difícil. Consegue segurar o 0 a 0 na Vila Belmiro, mostra repertório defensivo consistente e agora conta com casa cheia a favor. Pode se classificar com qualquer vitória e, se repetir o empate, ainda leva a disputa para os pênaltis, cenário que costuma nivelar forças.
Os próximos dias serão de ajustes táticos e cobrança interna no CT santista. Cuca precisa encontrar maneiras de potencializar Neymar e Gabigol contra um adversário que já entendeu como incomodar o sistema ofensivo alvinegro. Léo Condé, por outro lado, trabalha para manter a concentração e aproveitar cada espaço que o desespero santista abrir na volta.
A eliminatória, que começa travada e sem gols, ganha contornos de decisão dramática. Entre um Santos obrigado a provar a força do investimento e um Remo disposto a desafiar a lógica, a vaga nas quartas de final da Copa do Brasil promete ser definida no limite.