Larry Ellison perde R$ 1 trilhão com dívida bilionária da Oracle

Investimento arriscado em data centers para IA impacta fortemente as ações da Oracle e a fortuna de Larry Ellison.
Redação NC News
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Larry Ellison aposta o futuro da Oracle na construção de uma vasta infraestrutura de inteligência artificial e vê, em tempo real, o mercado virar contra ele. A ação desaba 64%, a dívida ultrapassa US$ 160 bilhões e mais de US$ 200 bilhões evaporam de sua fortuna pessoal.

Da Casa Branca ao abismo em Wall Street

O roteiro dessa virada começa quando o então presidente Donald Trump apresenta Ellison na Casa Branca como “meio que o CEO de tudo” e anuncia o projeto Stargate. Orçado em até US$ 500 bilhões, o plano promete erguer a maior rede de data centers de IA da história, com a Oracle como espinha dorsal e a OpenAI como cliente âncora.

O movimento transforma, em poucos meses, o veterano de 80 anos no símbolo da nova corrida pela infraestrutura de IA. A fortuna de Ellison encosta em US$ 388 bilhões, ele encosta na primeira posição entre os bilionários globais e a Oracle ganha o rótulo de candidata a rivalizar com Amazon, Microsoft, Meta e Alphabet no negócio de nuvem.

O brilho dura pouco. A mesma aposta que empurra a Oracle para o topo a transforma hoje no hyperscaler mais alavancado do mercado. O papel acumula queda de 64% desde o pico, a companhia enfrenta sua pior sequência em mais de duas décadas e a fortuna do fundador encolhe para cerca de US$ 170 bilhões, uma perda de US$ 213 bilhões em menos de dez meses.

Infraestrutura cresce, caixa some

O paradoxo da Oracle aparece nos números. No último ano fiscal, a receita de nuvem salta 77% e a carteira de contratos futuros atinge US$ 638 bilhões. O problema não é falta de demanda. É o preço de correr tanto em tão pouco tempo.

Para acelerar o Stargate e se tornar um hyperscaler de verdade, a Oracle despeja US$ 55,7 bilhões em investimentos de capital em um único exercício. A empresa ainda queima US$ 23,7 bilhões de caixa livre, empurrando a dívida total para além de US$ 160 bilhões. O financiamento da revolução da IA vem, em grande parte, de dinheiro emprestado.

O coração do risco está no principal cliente. O contrato com a OpenAI, estimado em US$ 300 bilhões a serem pagos em cinco anos, só começa a gerar receita em 2027. A Oracle gasta agora para construir data centers colossais e só começa a receber a maior parte do dinheiro daqui a pelo menos um ano. O descasamento entre investimento e fluxo de caixa acende o alerta de analistas e agências de crédito.

Crédito rebaixado e concentração perigosa

O endividamento agressivo custa caro. A S&P rebaixa a nota de crédito da Oracle para BBB-, um degrau acima do grau especulativo. Na prática, a companhia passa a pagar mais para se financiar e vê encolher o universo de investidores dispostos a comprar seus títulos.

A situação preocupa porque a empresa depende de um punhado de grandes clientes, liderados justamente pela OpenAI, que também queima caixa e não projeta lucro antes do início da próxima década. A cadeia de dinheiro da IA vira uma fila de apostas em que cada elo depende do seguinte pagar a conta.

Adam Crisafulli, analista da Vital, resume o humor de parte de Wall Street ao classificar as projeções da Oracle para os próximos anos como “decepcionante”. Os números operacionais impressionam, mas o mercado olha para a pilha de dívidas, para o calendário de pagamentos e para o risco de tudo isso depender de poucos contratos gigantes em um setor ainda em formação.

O bilionário mais exposto da bolha de IA

A pressão não fica restrita ao balanço. Ellison carrega o risco também no âmbito pessoal. Documentos da própria Oracle mostram que ele empenha 346 milhões de ações como garantia de empréstimos privados e dá aval para mais de US$ 40 bilhões, usados, entre outros destinos, em operações lideradas pelo filho David Ellison na indústria do entretenimento.

A queda das ações reduz o valor dessas garantias e aumenta a sensibilidade de todo o arranjo. O conselho da Oracle tenta acalmar o mercado ao afirmar que Ellison “tem capacidade financeira para quitar seus empréstimos pessoais sem recorrer às ações dadas em garantia”. A mensagem busca conter o temor de vendas forçadas de papéis que agravariam ainda mais a derrocada na Bolsa.

A fortuna do fundador recua no ranking global dos bilionários. Mark Zuckerberg, impulsionado por uma valorização intensa da Meta e com patrimônio estimado em US$ 194,1 bilhões, ultrapassa Ellison. Jeff Bezos e Elon Musk também aparecem à frente. O homem que já disputou o topo absoluto hoje vê o clube dos super-ricos se reorganizar sem ele na liderança.

Termômetro da possível bolha e o que vem agora

A trajetória da Oracle vira, neste momento, um teste de estresse para toda a febre da IA. Economistas como Jason Furman e Gita Gopinath alertam que os investimentos maciços em data centers carregam riscos sistêmicos. A ex-economista-chefe do FMI calcula que um colapso da IA poderia destruir até US$ 20 trilhões em riqueza nos Estados Unidos, mais do que a crise financeira global.

No centro dessa discussão aparece o modelo adotado por Ellison: empresas de infraestrutura alavancadas, financiando clientes que, por sua vez, dependem de fluxos de caixa futuros para honrar contratos bilionários. É o tipo de teia de obrigações cruzadas que, em crises passadas, transformou choques setoriais em terremotos financeiros amplos.

O curto prazo para a Oracle é de travessia apertada. A companhia precisa administrar um caixa pressionado até 2027, renegociar dívidas, possivelmente desacelerar parte dos investimentos e, ao mesmo tempo, provar que consegue diversificar sua base de clientes além da OpenAI. Vendas de ativos e novas parcerias estratégicas entram no cardápio de opções discutidas por investidores.

No plano pessoal, a aposta extrema de Ellison coloca em xeque o alcance de sua influência no Vale do Silício e em Hollywood, onde o grupo familiar se expande via investimentos na Paramount. A pergunta que hoje ecoa no mercado é se o veterano repetirá o roteiro de outras crises — em que perdeu dezenas de bilhões e sobreviveu — ou se, desta vez, a conta da IA sairá cara demais até para ele.

Por que a fortuna de Larry Ellison caiu mais de US$ 100 bilhões recentemente?

A fortuna de Larry Ellison despenca de US$ 388 bilhões para cerca de US$ 170 bilhões porque a ação da Oracle cai 64%, pressionada por uma aposta agressiva em infraestrutura de IA financiada com mais de US$ 160 bilhões em dívida, descasamento de caixa com a OpenAI e rebaixamento da nota de crédito para BBB-.

Quem superou Larry Ellison no ranking dos bilionários em 2026?

Mark Zuckerberg supera Larry Ellison em 2026 ao ver sua fortuna chegar a US$ 194,1 bilhões com a valorização da Meta, enquanto Ellison cai para cerca de US$ 170 bilhões após a desvalorização de 64% das ações da Oracle, perdendo ainda espaço para nomes como Jeff Bezos e Elon Musk.

Como a queda na fortuna de Larry Ellison impacta o setor de inteligência artificial?

A queda na fortuna de Larry Ellison expõe os riscos da corrida por infraestrutura de IA ao mostrar que o modelo de data centers financiados com dívida elevada, contratos concentrados e receitas futuras incertas pode abalar empresas gigantes como a Oracle e acender alerta para uma possível bolha de tecnologia.

Quais fatores fizeram Larry Ellison perder a liderança entre os bilionários de tecnologia?

Larry Ellison perde a liderança entre bilionários de tecnologia porque a Oracle se torna o hyperscaler mais alavancado, com dívida acima de US$ 160 bilhões, ações em queda de 64% e receita relevante do contrato de US$ 300 bilhões com a OpenAI apenas a partir de 2027, enquanto rivais como Meta e Amazon seguem em forte valorização.

Qual a posição atual de Larry Ellison no ranking dos mais ricos do mundo?

Larry Ellison ocupa hoje posição em torno do oitavo lugar no ranking global, com fortuna estimada em US$ 170 bilhões, depois de perder mais de US$ 200 bilhões em menos de dez meses e ser ultrapassado por bilionários como Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Elon Musk em meio ao colapso das ações da Oracle.

Quem são os principais concorrentes de Larry Ellison no ranking de bilionários?

Os principais concorrentes de Larry Ellison no ranking de bilionários são Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg, que se beneficiam da valorização de empresas como Tesla, Amazon e Meta, enquanto a Oracle enfrenta queda de 64% nas ações, dívida superior a US$ 160 bilhões e risco crescente associado à sua aposta em infraestrutura de IA.


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