O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) abriu mão oficialmente da sua candidatura ao Governo de Minas Gerais nesta segunda-feira (3). Em uma reunião decisiva com a cúpula do seu partido em Brasília, o parlamentar confirmou que a dor pela perda recente do irmão e a necessidade urgente de cuidar da própria saúde mental falaram mais alto do que a ambição política.
A decisão põe fim a semanas de especulações e reviravoltas nos bastidores de um dos maiores colégios eleitorais do país. Cleitinho era considerado um dos nomes mais fortes na disputa e chegou a citar, durante o anúncio, que contava com cerca de 40% de intenção de votos nas pesquisas internas.
Bastidores de uma decisão dolorosa
O martelo foi batido após uma série de tentativas do partido para viabilizar o nome do senador. Segundo o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, a sigla chegou a oferecer prazos estendidos e condições especiais para que Cleitinho assumisse a chapa.
No entanto, o impacto da tragédia familiar inviabilizou a entrada do político na campanha. Visivelmente emocionado, Cleitinho pediu desculpas aos eleitores e explicou que precisa priorizar a sua família, especialmente sua mãe, de 67 anos, que também perdeu o marido há apenas dois anos.
“Eu peço perdão, mas o meu problema é que eu ainda não estou bem. Eu preciso me recuperar, cuidar de mim, porque não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou cuidando de mim. Nesse momento, eu não vou conseguir”, desabafou o senador.
Entenda o que muda no cenário eleitoral de Minas:
- Fim do mistério: O anúncio encerra a pressão sobre o Republicanos, que vinha negociando alianças com siglas como PL, União Brasil e Progressistas.
- Motivação familiar: O luto pela morte do irmão foi o fator decisivo para a retirada do nome de Cleitinho da disputa estadual.
- Força nas pesquisas: O senador abandona a corrida no momento em que despontava como um dos favoritos ao Palácio Tiradentes.
- Foco no Senado: Sem a campanha para governador, Cleitinho garantiu que continuará exercendo seu mandato no Senado Federal em defesa dos mineiros.
“Para cuidar do povo, tem que cuidar da casa”
A cúpula do Republicanos demonstrou solidariedade imediata. O presidente estadual do partido em Minas, Euclydes Pettersen, afirmou que a legenda respeita a escolha pessoal do senador.
Marcos Pereira também reforçou o apoio institucional e humano a Cleitinho, destacando que a população compreenderá a pausa necessária. “Para você cuidar do povo, você tem que cuidar primeiro da sua casa. Nenhum pai, nenhuma mãe deseja enterrar o filho. O Cleitinho está precisando cuidar da mãe dele e cuidar dele mesmo”, concluiu o dirigente.