Estudante de medicina é suspenso após denúncia de importunação sexual em hospital

Um estudante de medicina foi suspenso por tempo indeterminado após ser denunciado por importunação sexual contra uma profissional de saúde durante estágio em um hospital no Sul de Minas. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Redação NC News
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O estudante de medicina Alexandre Fonseca Toledo Figueiredo, 39, é preso em flagrante sob suspeita de importunação sexual contra uma paciente no Hospital Universitário Alzira Velano, em Alfenas (MG), e obtém liberdade provisória horas depois. O caso, que envolve um estágio obrigatório em ambiente universitário, desencadeia uma investigação sigilosa e pressiona por mudanças na supervisão de atendimentos.

Denúncia na madrugada e prisão em flagrante

A denúncia à Polícia Militar ocorre por volta de 1h, depois de um atendimento realizado por uma equipe composta por um médico e uma enfermeira. Após a saída dos profissionais, segundo o boletim de ocorrência, Alexandre entra sozinho no quarto da paciente, o que contraria as regras internas do hospital para estudantes em estágio.

O registro policial relata que o estudante pede que a paciente exiba novamente suas partes íntimas, toca a região genital sem luvas de procedimento, tira fotos sem autorização e faz perguntas de cunho pessoal que a deixam constrangida. A vítima aciona a equipe do hospital, que chama a PM. Os policiais conduzem Alexandre à delegacia de plantão, onde ele é ouvido ainda na madrugada e tem a prisão formalizada.

A condução rápida, da denúncia à prisão em flagrante, mostra a reação imediata das autoridades à acusação, mas o caso passa a tramitar sob segredo de Justiça. Isso impede a divulgação de detalhes adicionais sobre a investigação, a identidade da vítima e as medidas judiciais já requeridas pelo Ministério Público ou pela defesa.

Liberdade provisória e reação do hospital

Na tarde do mesmo dia, o advogado Jorci Caetano pede a liberdade provisória de Alexandre, que é concedida. O estudante deixa o presídio de Alfenas e passa a responder ao processo em liberdade, enquanto a apuração continua na esfera policial e judicial. Caetano, que atua apenas no pedido de soltura, informa que já não representa o acusado em sua defesa de longo prazo.

O Hospital Universitário Alzira Velano afirma, em nota, que adota medidas administrativas assim que toma conhecimento do relato da paciente. O centro médico confirma o afastamento imediato do estudante do estágio obrigatório e declara ter oferecido apoio médico, psicológico e assistencial à vítima, em meio ao trauma da denúncia.

Na manifestação pública, a instituição reforça o posicionamento contrário a qualquer forma de violência. “Esclarecemos que o hospital colabora com a investigação policial e se manifesta veementemente contra toda forma de importunação, agressão e violência, ou qualquer desrespeito contra todas mulheres e todas pessoas”, diz o texto enviado à imprensa.

Falhas na supervisão e risco às pacientes

A direção clínica do hospital destaca, em conversa com a Polícia Militar, que alunos não podem atender sozinhos. “Estudantes não estão autorizados a atender pacientes sem a supervisão médica”, pontuam representantes, ao reconhecer a gravidade de um estagiário entrar sozinho no quarto após o fim do atendimento oficial.

O episódio expõe uma brecha sensível na rotina de um hospital universitário: a distância entre o protocolo formal e o que acontece na prática, especialmente em plantões de madrugada. Se a regra proíbe atendimentos não supervisionados, a presença isolada de um estudante no quarto de uma paciente revela falhas de controle e circulação interna.

Para as pacientes, sobretudo mulheres, o caso acende um alerta. A promessa de segurança em um ambiente regulado, com equipes treinadas e estruturas de ensino, se choca com a possibilidade de abusos cometidos justamente por quem está em formação para cuidar. A denúncia registrada em Alfenas reforça a importância de que acompanhantes, profissionais de referência e canais de queixa estejam sempre acessíveis.

Pressão sobre ensino médico e protocolos de proteção

No campo institucional, o impacto vai além do processo criminal de Alexandre. A direção do Hospital Universitário Alzira Velano se vê diante da necessidade de revisar a supervisão direta de alunos, os fluxos de acesso a quartos de internação e os treinamentos sobre ética, consentimento e limites no contato físico com pacientes.

Faculdades de medicina e hospitais universitários, em Minas Gerais e em outros estados, tendem a usar o episódio como exemplo da urgência em reforçar normas internas. Isso inclui esclarecimentos mais claros sobre quando um estudante pode permanecer sozinho com um paciente, como registrar procedimentos em prontuário e de que forma denúncias podem ser feitas com segurança e sigilo.

Na outra ponta, a confiança do público em hospitais-escola entra em teste. A imagem de espaços dedicados à formação e ao atendimento gratuito ou conveniado convive com relatos de vulnerabilidade e medo. A repercussão do caso em Alfenas deve alimentar discussões sobre responsabilidade institucional e sanções a quem falha na proteção de pacientes, mesmo sem participação direta no crime.

Investigação sob sigilo e próximos passos

Com o processo em segredo de Justiça, o ritmo da apuração passa a depender de diligências policiais, possíveis perícias em aparelhos eletrônicos e novos depoimentos. A defesa de Alexandre, agora sob responsabilidade de outro advogado, tenta resguardar a imagem do estudante e insiste no direito ao contraditório e à ampla defesa.

Autoridades de segurança em Minas Gerais não detalham quais medidas cautelares acompanham a liberdade provisória, como proibição de contato com a vítima ou de acesso ao hospital. O afastamento de Alexandre do estágio, porém, impede seu retorno imediato à rotina acadêmica e assistencial, ao menos enquanto durar a investigação interna e criminal.

Os próximos dias tendem a ser de ajustes de protocolos dentro do Hospital Universitário Alzira Velano e de pressão de entidades da área da saúde por mais transparência em casos semelhantes. A forma como o inquérito e o eventual processo criminal avançarem deve servir de termômetro para a capacidade do sistema de Justiça e das instituições de ensino de responder, com firmeza e celeridade, a denúncias de violência sexual em ambientes médicos.

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