PF investiga senador Weverton Rocha em fraude de R$ 1 bi no INSS

Operação Sem Desconto mira aliados do senador em esquema bilionário de fraudes no INSS.
Redação NC News
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A Polícia Federal mira o senador Weverton Rocha (PDT-MA) em uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes no INSS. Agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, alcançando familiares do parlamentar e o advogado Willer Tomaz, apontado como operador financeiro.

Rede financeira sob suspeita e PF em campo

Os investigadores afirmam que o grupo se vale de descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões para desviar recursos da Previdência. O dinheiro, segundo a PF, circula por uma teia de empresas de fachada, contas de terceiros e operações em espécie, com o objetivo de esconder a origem ilícita.

Em nota, a corporação afirma que “as investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos”.

A operação desta terça-feira cumpre ordens expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. Entre os alvos estão a mulher de Weverton, a filha e duas irmãs do senador. Policiais apreendem dinheiro em espécie, uma máquina de contar cédulas e veículos de alto padrão. Os valores dos bloqueios judiciais não são divulgados, mas a PF fala em movimentações superiores a R$ 11 milhões a partir de 2024.

O papel de Weverton Rocha e de Willer Tomaz

Os autos da investigação descrevem Weverton Rocha como o centro político do esquema. Segundo a PF, “o senador Weverton Rocha é responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”. A suspeita é que ele tenha se beneficiado diretamente de operações de lavagem de dinheiro.

Decisão do ministro André Mendonça, do STF, resume o papel atribuído ao advogado Willer Tomaz: “personagem de sustentação, associado a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos de Weverton Rocha, tendo uma relação próxima a ele desde 2023”. A PF enxerga nele o operador financeiro e logístico do senador.

Relatórios apontam o uso de postos de combustíveis e empresas de comunicação para escoar valores e recomprar patrimônio em nome de terceiros. Os recursos suspeitos seriam aplicados na compra de fazendas, terrenos, maquinário agrícola e imóveis de alto padrão, entre eles uma casa em área nobre de Brasília atribuída ao senador.

Aeronaves, logística e o rastro no INSS

Os investigadores destacam a utilização de aeronaves, pilotos e estruturas de apoio para deslocamentos rápidos entre Brasília e o Maranhão. Em decisão judicial, o STF registra que “o contexto revela capacidade de deslocamento rápido, inclusive entre Brasília e o Maranhão, circunstância que pode dificultar sua localização no dia da deflagração e comprometer o cumprimento simultâneo das buscas”.

A PF conecta essa engrenagem logística ao esquema de fraudes no INSS. A organização criminosa atuaria sobre descontos associativos lançados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem autorização dos titulares. Esses valores, em vez de financiar entidades representativas, alimentariam o caixa paralelo do grupo.

Em outro trecho, a PF afirma que “há indícios de que o senador Weverton Rocha tenha mantido vínculos com investigados apontados como operadores do esquema e de que possa ter se beneficiado de operações financeiras supostamente ligadas à organização criminosa”. A corporação fala em prejuízo bilionário aos cofres públicos apenas com esse tipo de fraude.

“Careca do INSS” e fases anteriores da operação

A ofensiva desta terça-feira se soma a fases anteriores da Operação Sem Desconto. Em uma delas, agentes já haviam cumprido mandado de busca em endereço ligado ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em Brasília. Na ocasião, três veículos foram apreendidos, dois de luxo e um de colecionador, e o acesso dele a recursos financeiros foi restringido.

Relatórios policiais descrevem Weverton Rocha como “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Antunes, figura central no núcleo que operava descontos indevidos sobre benefícios previdenciários. A PF já concluiu parte da investigação ligada a uma entidade de agricultores familiares, apontando desvio superior a R$ 708 milhões em aposentadorias e pensões, montante escoado para empresas de fachada e usado para corrupção de agentes públicos.

Nessa frente, ex-dirigentes do INSS e dirigentes de entidades de classe foram indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação sobre outros núcleos, incluindo o braço político e financeiro associado ao senador, ainda está em andamento e deve gerar novos inquéritos e denúncias.

Negações, disputa no STF e impacto político

O senador Weverton Rocha nega participação em qualquer irregularidade. Em nota, afirma que “está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos” e que não tem envolvimento com fraudes no INSS. A defesa trabalha para afastar a imagem de líder do esquema e tenta enquadrar a operação como perseguição política.

Willer Tomaz também reage. O advogado sustenta que “não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado” e que a medida judicial de hoje “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público”. Ele afirma que a cessão teria sido “pessoal e amistosa, sem qualquer relação com os fatos investigados”.

Em fases anteriores da Operação Sem Desconto, a PF chegou a pedir a prisão preventiva de Weverton Rocha. O ministro André Mendonça rejeitou o pedido, após manifestações da defesa, o que expõe a tensão entre investigadores e o Supremo sobre a gravidade das evidências e a necessidade de medidas mais duras.

Pressão sobre o INSS, o PDT e o Congresso

O avanço da operação mexe com três frentes sensíveis: o sistema previdenciário, a política maranhense e o próprio Congresso. O desvio de descontos em benefícios atinge aposentados e pensionistas de baixa renda, que veem parte do pagamento sumir em lançamentos associados a entidades que não conhecem. O INSS e os órgãos de controle são pressionados a reforçar filtros, auditorias e comunicação com beneficiários.

No plano político, o PDT do Maranhão passa a administrar uma crise com potencial eleitoral. Weverton é uma das principais lideranças do partido no estado e já ocupa posição de destaque em articulações nacionais. A imagem de envolvimento em esquema bilionário de fraudes previdenciárias ameaça sua base social e sua capacidade de influência em Brasília.

No Congresso, a repercussão deve alimentar projetos para endurecer regras sobre consignados, associações e entidades que operam descontos em folha, além de reforçar a discussão sobre transparência em convênios com o INSS. A pressão da opinião pública tende a recair sobre o governo e sobre o próprio Supremo, cobrado por decisões firmes contra desvios de recursos da Previdência.

A PF indica que novas fases da Operação Sem Desconto podem atingir outros núcleos econômicos, como redes de postos de combustíveis e empresas de comunicação usadas na lavagem de dinheiro. A tendência é que o caso se desdobre em uma série de ações penais complexas, capazes de redefinir a carreira de Weverton Rocha e de reabrir o debate sobre como o Estado protege — ou falha ao proteger — o benefício mensal de milhões de aposentados.

O que é a Operação Sem Desconto?

A Operação Sem Desconto é uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, fraudes que já somam mais de R$ 708 milhões desviados, envolvendo entidades de fachada, dirigentes do órgão previdenciário, operadores financeiros e, agora, o núcleo político do senador Weverton Rocha.

Quais são as acusações contra o senador Weverton Rocha?

O senador Weverton Rocha é acusado pela Polícia Federal de liderar o núcleo político de uma organização criminosa que frauda descontos em benefícios do INSS, formulando demandas, indicando beneficiários, cobrando pagamentos e interferindo em decisões patrimoniais, além de supostamente se beneficiar de mais de R$ 11 milhões movimentados por meio de empresas, imóveis e aeronaves.

O que acontece agora com a investigação?

Após o cumprimento dos 18 mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal analisa o material apreendido — dinheiro, documentos, mídias e registros bancários — para aprofundar a prova sobre lavagem de dinheiro e desvio de benefícios, podendo abrir novos inquéritos, pedir quebras adicionais de sigilo, denunciar investigados à Justiça e deflagrar outras fases da Operação Sem Desconto.


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